Planos de saúde têm lucro recorde de R$ 24,4 bilhões em 2025
Setor cresce com reajustes acima dos custos médicos e ganhos financeiros impulsionados por juros elevados
247 - O setor de planos de saúde no Brasil alcançou em 2025 o maior lucro de sua série histórica, impulsionado por reajustes nas mensalidades acima da evolução dos custos assistenciais e por ganhos financeiros em um cenário de juros elevados. Dados divulgados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) indicam que as operadoras registraram receita total de R$ 391,6 bilhões e lucro líquido de R$ 24,4 bilhões no período, informa a Folha de São Paulo.
O resultado representa cerca de 6,2% da receita total do setor, indicando que, a cada R$ 100 arrecadados, aproximadamente R$ 6,20 foram convertidos em lucro. O desempenho supera inclusive os níveis observados durante a pandemia de Covid-19 e reflete uma recuperação consistente da rentabilidade das operadoras.
Lucro recorde e concentração no setor
Os dados revelam ainda uma forte concentração dos ganhos: três das maiores operadoras foram responsáveis por 49% de todo o lucro registrado em 2025. Ao mesmo tempo, houve melhora generalizada no desempenho, com aumento do número de empresas no azul. Ao todo, 73,5% das operadoras — equivalente a 731 empresas — encerraram o ano com resultados positivos, avanço de 3,7 pontos percentuais em relação a 2024.
A rentabilidade também cresceu. O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) atingiu 16,4%, superando os níveis anteriores à crise sanitária.
Queda da sinistralidade impulsiona resultados
Um dos principais fatores para o avanço dos lucros foi a redução da sinistralidade, indicador que mede a proporção da receita destinada ao pagamento de despesas médicas. Em 2025, a taxa caiu para 81,7%, o menor patamar desde 2020.
Segundo a ANS, essa queda reflete um movimento de recomposição dos preços dos planos, que passaram a crescer acima dos custos médicos — tendência observada desde 2023. Na prática, as operadoras reduziram o peso das despesas assistenciais em relação ao que arrecadam.
O segmento médico-hospitalar, principal do setor, concentrou praticamente todo o lucro, com R$ 23,4 bilhões. O resultado foi sustentado por melhorias operacionais, ganhos financeiros e fatores pontuais, como reorganizações societárias e créditos tributários. O resultado operacional dessas empresas foi positivo em R$ 9,8 bilhões, com destaque para medicinas de grupo e seguradoras especializadas.
Na direção oposta, as operadoras de autogestão ampliaram o prejuízo operacional para R$ 3,1 bilhões, alta de 45,5%, embora tenha havido redução no número de entidades com resultados negativos.
Juros elevados fortalecem ganhos financeiros
O ambiente de juros elevados teve papel relevante no desempenho do setor. As operadoras encerraram o ano com R$ 134,5 bilhões aplicados no mercado financeiro, o que gerou ganhos de R$ 14,7 bilhões.
As grandes empresas foram as principais beneficiadas, mais que dobrando seus lucros e atingindo R$ 19,9 bilhões. Já as operadoras de médio porte também registraram avanço, com resultado de R$ 2,8 bilhões.
Diferenças entre tipos de planos e estrutura do mercado
A ANS também atualizou o Atlas Econômico-Financeiro do setor, apontando mudanças na dinâmica concorrencial. Nos planos coletivos empresariais, houve redução da concentração, com aumento do número de mercados considerados competitivos.
Em contraste, os planos individuais e familiares apresentaram maior concentração ao longo dos anos. Já os planos coletivos por adesão mantiveram estabilidade nesse aspecto.
Para o diretor de Normas e Habilitação das Operadoras da ANS, Jorge Aquino, os números confirmam a melhora do desempenho do setor e indicam a necessidade de acompanhamento contínuo para avaliar a evolução do mercado e orientar a atuação regulatória.

