Um em cada cinco brasileiros dorme menos de seis horas por noite, diz pesquisa
Dados do Ministério da Saúde indicam avanço de doenças crônicas e relacionam sono insuficiente a fatores de risco como obesidade, diabetes e hipertensão
247 - Pela primeira vez, um levantamento nacional traça um retrato detalhado dos padrões de sono da população adulta no Brasil e acende um alerta para a saúde pública. Os dados mostram que 20,2% dos brasileiros dormem menos de seis horas por noite, enquanto 31,7% relatam sintomas de insônia, com maior incidência entre as mulheres. O cenário é associado ao avanço expressivo das doenças crônicas não transmissíveis ao longo das últimas décadas.
As informações fazem parte do Vigitel 2025, sistema de monitoramento do Ministério da Saúde. O estudo reúne indicadores sobre fatores de risco e proteção, como hábitos alimentares, prática de atividades físicas e condições relacionadas ao estilo de vida da população brasileira.
O levantamento revela um crescimento acentuado das doenças crônicas entre 2006 e 2024. No período, a prevalência de diabetes entre adultos aumentou 135%, passando de 5,5% para 12,9%. A hipertensão arterial registrou alta de 31%, enquanto os casos de obesidade mais que dobraram, com avanço de 118%. O excesso de peso também cresceu de forma significativa, alcançando um aumento de 47%.
O Vigitel — sigla para Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico — é realizado anualmente e permite acompanhar a evolução desses indicadores nas capitais brasileiras. Além do sono insuficiente e da insônia, o estudo aponta mudanças importantes no padrão de atividade física da população. A prática de exercícios durante o deslocamento diário caiu de 17% em 2009 para 11,3% em 2024. Em contrapartida, houve aumento da realização de atividades físicas moderadas no tempo livre, que alcançou 42,3% no último ano analisado.
No campo da alimentação, o consumo regular de frutas e hortaliças permaneceu praticamente estável, atingindo cerca de 31% da população adulta, índice considerado baixo pelos parâmetros de promoção da saúde.
Diante desse conjunto de indicadores, o Ministério da Saúde lançou, nesta quarta-feira (28), no Rio de Janeiro, a estratégia Viva Mais Brasil. A iniciativa prevê investimentos de R$ 340 milhões em ações voltadas à promoção da saúde e à prevenção de doenças crônicas não transmissíveis. Entre as medidas anunciadas está a retomada do programa Academia da Saúde, que contará com R$ 40 milhões em recursos a partir de 2026, além do aumento do custeio dos serviços, que pode chegar a R$ 10 mil por unidade, conforme a modalidade e o número de profissionais.
Atualmente, o país possui 1.775 unidades da Academia da Saúde, com previsão de credenciamento de mais 300 espaços até o fim do ano. A estratégia Viva Mais Brasil busca fortalecer políticas já existentes no Sistema Único de Saúde (SUS), com foco na alimentação saudável, estímulo à prática de atividades físicas, cuidado integral e ampliação do acesso da população a informações qualificadas.


