A 219 km de Vitória, no norte do Espírito Santo, São Mateus reúne em um só território a memória de quase cinco séculos de Brasil colônia e um dos litorais mais preservados do estado. A cidade foi fundada em 21 de setembro de 1544 e ganhou o nome atual em 1566, quando o padre José de Anchieta celebrou missa às margens do rio Cricaré no dia do evangelista São Mateus.
A segunda cidade mais antiga do Espírito Santo
São Mateus nasceu antes do café, da capital e da maior parte das cidades brasileiras. O município se autodenomina o segundo mais antigo do estado, ficando atrás apenas de Vila Velha. Durante quase três séculos, viveu da força do Porto fluvial às margens do Rio São Mateus, que se tornou uma das principais portas de entrada de farinha de mandioca e café da costa brasileira até a segunda metade do século XIX.
A cidade pertenceu à Bahia por 59 anos, dentro da antiga Capitania de Porto Seguro, e só retornou ao Espírito Santo na primeira metade do século XIX. Esse trânsito entre dois estados explica parte da identidade local: a culinária, o sotaque e a herança africana se misturam em uma cidade que hoje preserva a maior população afrodescendente do território capixaba, segundo informações da Prefeitura Municipal de São Mateus.

Vale a pena viver na cidade mais antiga do norte capixaba?
Para quem busca litoral preservado, ritmo de cidade média e custo de vida menor que o da capital, vale. São Mateus tem 134.423 habitantes, segundo a estimativa de 2025 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e ocupa uma área de 2.346 km², o que garante baixa densidade demográfica e bairros tranquilos espalhados entre a cidade alta histórica, o centro novo e a Ilha de Guriri.
A economia é puxada pela exploração de petróleo, agricultura (café, mamão, eucalipto) e turismo de temporada. A taxa de escolarização entre crianças e jovens de 6 a 14 anos chega a 98,66% e o PIB per capita está em R$ 35.194,89, segundo dados do IBGE. A cidade é sede da Universidade Federal do Espírito Santo no norte do estado, com campus que reforça a vocação de cidade-polo regional.
O que fazer em São Mateus entre praias e casario colonial
O município se divide em duas frentes turísticas: a cidade alta com o conjunto histórico tombado e a Ilha de Guriri com 42 km de praias. Tudo a menos de 15 minutos de carro do centro.
Entre os principais pontos turísticos, destacam-se:
- Casario do Porto: conjunto colonial de sobrados dos séculos XVIII e XIX às margens do Rio São Mateus, tombado pelo Conselho Estadual de Cultura em 1976 e considerado um dos mais expressivos do Espírito Santo.
- Igreja Velha: cartão-postal da cidade, é uma ruína de construção iniciada no início do século XIX por escravizados, com alvenaria de pedras, cal de conchas e óleo de baleia, nunca concluída.
- Praia de Guriri: principal balneário do município, a 12 km do centro, com piscinas naturais na maré baixa e desova de tartarugas-cabeçudas de setembro a março.
- Praia de Barra Nova: a 25 km de Guriri, acessível por estrada de terra, é a mais reservada do litoral mateense e famosa pelo sururu servido nos quiosques.
- Praia de Urussuquara: dunas, águas cristalinas e Mata Atlântica preservada no extremo sul da Ilha de Guriri, indicada para surfe e kitesurf.
- Projeto Tamar Guriri: base que protege as tartarugas marinhas e abre visitação no centro de visitantes, com soltura de filhotes na temporada de verão, conforme a Secretaria de Turismo do Espírito Santo.
Na mesa, a cidade mistura tradição quilombola, herança colonial portuguesa e a fartura do mar capixaba em uma cozinha autêntica.
Entre os sabores típicos, conheça:
- Moqueca capixaba: prato símbolo do estado, feito com peixe fresco, urucum, coentro e tomate em panela de barro, sem dendê nem leite de coco.
- Torta capixaba: receita tradicional da Semana Santa com camarão, siri desfiado, ostras, palmito e ovos, servida em assadeira de barro.
- Beiju e tapioca artesanais: produzidos por famílias quilombolas nas comunidades de Divino Espírito Santo, Santa Luzia e Bom Pastor, com farinha de mandioca produzida nos quitungos tradicionais.
- Caranguejo e sururu: tradição dos quiosques da Ilha de Guriri e de Barra Nova, servidos in natura ou em ensopados de panela de barro.
Quem deseja unir história colonial e as badaladas praias do verão capixaba, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Tribuna Online, onde Camila Rangel mostra o sítio histórico, a Ilha de Guriri e as atrações turísticas de São Mateus:
Qual a melhor época para visitar São Mateus?
O clima tropical quente garante praia o ano inteiro, mas cada estação muda o ritmo da cidade histórica.
A tabela a seguir resume os melhores momentos:
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar a São Mateus pelo litoral capixaba
O acesso mais comum a partir de Vitória é pela BR-101 norte, com cerca de 219 km e três a quatro horas de carro. Para quem prefere o trajeto pelo litoral, a alternativa é a ES-010 via Conceição da Barra, mais longa (244 km), mas com paisagens de mar. Quem vem de avião pousa no Aeroporto Eurico de Aguiar Salles, em Vitória, e segue por carro alugado ou ônibus pela viação Águia Branca, com saídas diárias do Terminal Rodoviário da capital. Para quem vem de Minas Gerais ou da Bahia, o acesso também é direto pela BR-101.
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Por que conhecer a cidade do casario colorido
São Mateus combina o que poucos destinos brasileiros oferecem em um só endereço: quase cinco séculos de história visível nas pedras, 43 km de litoral com tartarugas em desova e a cozinha mais autêntica do norte capixaba. É o Brasil colônia com pés na areia.
Você precisa conhecer São Mateus e caminhar pelo casario do Porto enquanto o sol desce sobre o rio.




