Fundada por volta de 1716 no auge do ciclo do ouro, Lavras Novas nasceu como um arraial de mineração nas montanhas da Serra do Espinhaço. O distrito de Ouro Preto recebeu esse nome porque ali foram descobertas novas jazidas de ouro depois do esgotamento das minas mais antigas da antiga Vila Rica.
O vilarejo que viveu sem energia elétrica até os anos 1970
Por mais de dois séculos, Lavras Novas ficou no escuro. A iluminação pública só chegou na década de 1970, e até hoje o distrito não tem posto de combustível nem caixa eletrônico no centro, e o sinal de celular falha em vários pontos.
A formação étnica também é singular. Segundo registros oficiais publicados pela Prefeitura de Ouro Preto, a maior parte da população é negra e descende de pessoas escravizadas que trabalharam nas minas, com tradição oral apontando para possível origem quilombola, sem comprovação histórica documental.

O reconhecimento que veio da UNESCO e da Booking
Como distrito de Ouro Preto, Lavras Novas integra o território da primeira cidade brasileira inscrita na Lista do Patrimônio Mundial da UNESCO, classificação dada em 1980 ao conjunto barroco da antiga Vila Rica.
O reconhecimento internacional também chegou pela hospitalidade. No Travellers Review Awards 2021 da Booking, divulgado pela Iepha, o distrito ficou em 7º lugar entre as regiões mais acolhedoras do Brasil. Já no Traveller Review Awards 2023, conforme apurado pelo Estado de Minas, a vila subiu para a 5ª posição no ranking nacional.
O que fazer no distrito de Ouro Preto
O vilarejo combina patrimônio colonial, cachoeiras e trilhas em poucos quilômetros quadrados. Entre as atrações principais, destacam-se:
- Capela de Nossa Senhora dos Prazeres: erguida em 1762, foi o marco fundador do arraial e abriga uma devoção rara em Minas Gerais.
- Cachoeira dos Namorados: piscina rasa de fácil acesso, ideal para famílias e crianças.
- Cachoeira Três Pingos: três jatos de água caindo entre paredões de pedra, alcançada por trilha leve.
- Represa do Custódio: a 5,7 km do centro, com cânions, áreas de banho e camping.
- Mirante da Pedra: ao final da Rua Nossa Senhora dos Prazeres, com vista 360° da Serra do Espinhaço.
- Tirolesa de Lavras Novas: voo em altitude considerada uma das mais altas do Brasil, sobre o vale.
A gastronomia local segue a tradição mineira em fogão a lenha, com casas que aparecem na maioria dos roteiros:
- Restaurante Serra do Luar: feijão tropeiro, frango com quiabo, polenta e linguiça em panelas de ferro.
- Pimenta Rosa: casarão barroco com risotos de toque mineiro e ampla carta de vinhos.
- Restaurante Bem-te-vi: paredes de pedra e jantares à luz de velas, com cardápio de comida caseira.
- Casa Nativa: bar de aperitivos, caldos e cervejas artesanais, frequentado por estudantes da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP).
Quem tem o desejo de conhecer cachoeiras escondidas e o charme da gastronomia de um vilarejo colonial mineiro, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Viajantes App, que conta com mais de 134 mil visualizações, onde os apresentadores mostram o ecoturismo, restaurantes e hospedagens em Lavras Novas MG:
Quando ir e o que o clima oferece em Lavras Novas
A 1.300 metros de altitude, o vilarejo tem fama de fazer frio o ano inteiro. Mesmo no verão as noites pedem casaco, e o inverno traz neblina densa pela manhã. As temperaturas seguem o padrão climático da região:
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar ao vilarejo a partir da capital mineira
De Belo Horizonte, são cerca de 120 km pela BR-356 até o trevo de Ouro Preto, seguindo depois pela MG-129 rumo a Ouro Branco. Da sede municipal, restam 19 km, sendo os últimos 7 km em estrada de terra que exige atenção em dias chuvosos. Não há transporte público regular saindo da capital, e o acesso comum é por carro próprio ou transfers contratados em Ouro Preto.
Leia também: A única capital do Nordeste a 366 km do mar foi a primeira do Brasil planejada como tabuleiro de xadrez
Conheça a vila onde o tempo desacelerou
O distrito guarda uma rara combinação de patrimônio colonial, cachoeiras a poucos minutos do centro e silêncio que sobreviveu ao próprio século. É um dos últimos lugares de Minas Gerais em que ainda se ouve passarinho na varanda da pousada.
Você precisa subir a serra e conhecer Lavras Novas, o vilarejo onde a neblina, o sino da capela e o cheiro de fogão a lenha ditam o ritmo do dia.




