No alto da Serra do Sincorá, na Chapada Diamantina, um vilarejo de casas de pedra empilhada emerge da encosta como se o tempo tivesse parado. Igatu, distrito de Andaraí, viveu o auge da febre do diamante com milhares de garimpeiros e hoje guarda ruínas que renderam o apelido de Machu Picchu Baiana. Conheça a cidade de pedras.
Como um povoado de pedra surgiu no meio da serra?
Tudo começou em meados do século XIX, quando garimpeiros vindos de Minas Gerais, Mato Grosso e Goiás encontraram diamantes quase na superfície do solo, às margens dos rios da região. Em poucas décadas, o antigo Xique-Xique do Igatu virou um dos pontos mais ricos do interior do país.
Para erguer casas, igrejas e muros, os garimpeiros usaram o material que tinham em abundância: a pedra das próprias serras. Os blocos eram encaixados sem argamassa, num trabalho de prumo tão preciso que sobreviveu por mais de um século. O fim da escravidão e a concorrência das minas africanas esvaziaram a vila no início do século XX, deixando ruas inteiras em ruínas. O nome Igatu vem do tupi e significa, segundo uma das versões, rio bom.

O que faz de Igatu um museu vivo do diamante?
O conjunto de pedra é raro no Brasil e conta, sem placas explicativas, a história de uma economia que nasceu, prosperou e desapareceu em menos de cem anos. Por isso, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) trata o distrito como um museu vivo da mineração diamantífera.
O reconhecimento veio em 20 de junho de 2000, quando o IPHAN tombou o conjunto arquitetônico, urbanístico e paisagístico da vila, com cerca de 200 imóveis entre casas habitadas e ruínas. O perímetro vai da ponte sobre o rio Coisa Boa até a trilha do antigo garimpo. Outra curiosidade rendeu fama nacional: a vila foi cenário do filme Besouro, gravado ali em 2008.

O que fazer em Igatu entre ruínas e cachoeiras?
Quase tudo se visita a pé, a poucos minutos do centro, com trilhas que ficam na zona de amortecimento do Parque Nacional da Chapada Diamantina. Entre as principais atrações, destacam-se:
- Galeria Arte e Memória: museu a céu aberto criado pelo artista Marcos Zacariades, com esculturas e utensílios de garimpeiros.
- Igreja de São Sebastião: erguida em pedra no século XIX, é o ponto de partida da trilha histórica até Andaraí.
- Cachoeira do Cristais: poço de água transparente cercado de vegetação, a menos de duas horas de caminhada.
- Rampa do Caim: trilha de cerca de 10 km com mirante para o Vale do Pati e o Vale do Paraguaçu.
- Garimpo do Brejo: antiga mina aberta à visitação, com túneis que ainda guardam ferramentas originais.
A cozinha local é herdada dos tempos de garimpo, com tempero sertanejo e ingredientes da região. Vale provar:
- Godó de banana: prato típico feito com banana verde cozida e carne de sol, servido no restaurante Água Boa, em Igatu.
- Carne de sol com baião de dois: dupla clássica do sertão baiano, presente nos cardápios da vila.
- Cortado de garimpeiro: receita tradicional da Chapada, com carne de sol, palma, mamão verde e maxixe refogados.
Quem sonha em descobrir o charme de uma vila histórica erguida pelo garimpo, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Rolê Família, que conta com mais de 32 mil visualizações, onde são apresentadas as ruínas e memórias de Igatu, distrito de Andaraí na Bahia:
Qual a melhor época para visitar Igatu?
A estação seca, de maio a setembro, é a mais indicada para as trilhas e cachoeiras da região. A tabela a seguir resume o clima ao longo do ano:
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar à cidade de pedras
O acesso mais comum parte de Andaraí, a cerca de 14 km por uma estrada de pedra construída pelos próprios garimpeiros no século XIX. Carros mais altos passam sem dificuldade, e veículos baixos exigem atenção no trecho íngreme.
Não há transporte público regular até a vila, então a chegada se dá por carro próprio, táxi local ou agência de turismo. Os aeroportos de referência ficam em Lençóis, na própria Chapada, e em Salvador, a algumas horas de estrada.
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Suba a serra até Igatu
Igatu reúne ruínas de pedra, trilhas para cachoeiras e a memória viva do ciclo do diamante em um cenário que parece de outro século. É o tipo de lugar que combina história, arte e natureza preservada da Chapada Diamantina.
Você precisa conhecer Igatu e caminhar entre suas casas de pedra para entender por que esse pedaço da Bahia ganhou o apelido de Machu Picchu Baiana.

