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Um fragmento vindo do Saara pode ser a prova de que um planeta perdido existiu no início do Sistema Solar

14 de junho de 2026, 12:15 h
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Um fragmento vindo do Saara pode ser a prova de que um planeta perdido existiu no início do Sistema Solar

O meteorito NWA 12774 preserva as primeiras evidências diretas de um protoplaneta esquecido que orbitava o Sol no início do sistema solar.

Cristobal Mopi

Cristobal Mopi

  • ☄️
    Meteorito NWA 12774: Um fragmento raro do tipo angrito encontrado no deserto do Saara que revela pistas de um protoplaneta perdido.
  • 🪐
    Tamanho surpreendente: Os cálculos indicam que o corpo celeste original tinha um raio de mais de 1.800 quilômetros, similar à Lua.
  • 🌋
    Química incomum: Rocha vulcânica com baixíssimo teor de sílica, apontando para uma evolução planetária totalmente diferente da Terra.
  • A descoberta de um corpo celeste que desapareceu há bilhões de anos pode reescrever parte da história do nosso sistema solar. Análises em um fragmento rochoso extremamente raro, recuperado no Deserto do Saara, forneceram as primeiras evidências diretas de um protoplaneta esquecido que orbitava o Sol no início dos tempos cósmicos. Esse achado desafia as teorias tradicionais e sugere que o universo jovem abrigava mundos com características geológicas completamente distintas das atuais.

    Qual é a origem do meteorito NWA 12774?

    O meteorito batizado como Northwest Africa 12774 pertence a um grupo incomum de rochas vulcânicas chamadas angritos. De mais de 80 mil meteoritos catalogados na Terra, apenas 68 foram identificados com essa classificação, tornando o espécime uma verdadeira joia arqueológica espacial. Essas rochas se formaram nos primeiros milhões de anos após o surgimento do sistema solar, preservando segredos preciosos sobre o passado.

    A análise química detalhada revelou uma composição intrigante devido à escassez de dióxido de silício. Diferente dos planetas rochosos tradicionais, o material apresenta uma assinatura única que motivou uma investigação minuciosa. Os cientistas focaram seus esforços no entendimento dos elementos estruturais da rocha, destacando os componentes fundamentais do espécime que estão detalhados a seguir:

    • Cristais de olivina ricos em magnésio encontrados na superfície da fatia analisada.
    • Minerais raros que se desenvolveram sob condições ambientais severas e atípicas.
    • Baixíssima concentração de sílica em comparação com a crosta de planetas como a Terra.
    Um fragmento vindo do Saara pode ser a prova de que um planeta perdido existiu no início do Sistema Solar
    Físicos e cientistas da computação desenvolveram um novo algoritmo de otimização quântica que reduz drasticamente o número de portas lógicas necessárias para processar cálculos complexos, acelerando o caminho para que computadores quânticos de escala intermediária (NISQ) resolvam problemas comerciais e científicos reais — Créditos: EurekAlert! / University of Chicago

    Como os cientistas descobriram a existência desse planeta esquecido?

    A grande reviravolta ocorreu quando a equipe liderada pelo professor Aaron Bell, da Universidade do Colorado em Boulder, identificou a presença de clinopiroxênio no meteorito. Esse mineral é comum na crosta terrestre, mas o fragmento exibia uma concentração excepcionalmente alta de alumínio. Essa assinatura mineralógica específica indicava que o elemento havia se moldado sob uma pressão interna esmagadora.

    Para compreender as forças necessárias para gerar tal estrutura, os especialistas realizaram simulações complexas recriando o ambiente primitivo. Os modelos matemáticos revelaram dados surpreendentes sobre os níveis de compressão que a rocha suportou antes de se fragmentar. Os principais fatores estudados durante o mapeamento das condições barométricas do corpo celeste incluem os seguintes tópicos:

    • Exigência de uma pressão interna mínima de 17,5 kilobars para fundir os minerais.
    • Comparação com a Fossa das Marianas, cujo fundo atinge somente cerca de 1 kilobar.
    • Impossibilidade física de reproduzir tais condições no interior de um asteroide pequeno.

    Qual era o tamanho estimado desse antigo corpo celeste?

    Com base nos cálculos geobaramétricos, os cientistas determinaram que o corpo parental do angrito precisava ser imensamente maior do que os asteroides comuns. Inicialmente, estimava-se que os angritos vinham de rochas espaciais pequenas, mas as novas evidências físicas apontaram para um raio mínimo de mil quilômetros para conseguir gerar a pressão detectada no interior do mineral.

    Análises adicionais nos formatos dos cristais sugerem que o antigo mundo era ainda mais massivo do que as projeções indicavam. Como as estruturas mantiveram suas bordas afiadas, deduziu-se que elas se formaram em profundidades relativamente rasas. Isso significa que, para alcançar tamanha pressão perto da superfície, o corpo planetário necessitava de um raio superior a 1.800 quilômetros, aproximando-se do tamanho de Marte.

    O que causou o desaparecimento desse mundo primitivo?

    Embora a existência do protoplaneta tenha sido confirmada pelas marcas gravadas no meteorito, o destino final desse gigante cósmico permanece envolto em mistério. A hipótese mais aceita indica que ele sofreu uma colisão cataclísmica de grandes proporções com outro objeto massivo. Esse impacto brutal desintegrou completamente a estrutura original, espalhando fragmentos por toda a órbita do sistema jovem.

    Os fragmentos resultantes desse desastre espacial foram reincorporados ao longo do tempo por outros corpos celestes em crescimento na região. Uma parte dessas rochas acabou vagando pelo vácuo até atingir a atmosfera terrestre e pousar no deserto. Os pesquisadores apontam que os vestígios deixaram lições valiosas sobre os processos dinâmicos do sistema primitivo descritos a seguir:

    • A dinâmica violenta de impactos que moldou a vizinhança cósmica em seus primórdios.
    • A dispersão de materiais ricos em alumínio que alimentaram outros planetas em formação.
    • A sobrevivência de fragmentos raros guardados por bilhões de anos no espaço sideral.
    Um fragmento vindo do Saara pode ser a prova de que um planeta perdido existiu no início do Sistema Solar
    A composição mineralógica do fragmento revela que o corpo celeste original possuía dimensões comparáveis ao tamanho de Marte.

    Por que essa descoberta altera nosso entendimento sobre o espaço?

    Esse estudo inovador, publicado na revista científica Earth and Planetary Science Letters, demonstra que os caminhos para a formação cósmica foram diversos. Os ingredientes que compunham o corpo parental do angrito eram fundamentalmente diferentes dos blocos de construção da Terra, provando que o sistema solar primitivo experimentou rotas evolucionárias totalmente alternativas e independentes do padrão conhecido.

    A descoberta também alerta para a enorme quantidade de informações valiosas escondidas em coleções científicas. Existem milhares de amostras guardadas em gavetas de universidades que não foram estudadas com as tecnologias modernas de análise molecular. O mapeamento contínuo desses materiais promete revelar a existência de outros embriões planetários esquecidos que ajudaram a pavimentar o nosso universo.

    Referências: “Surrounded by stardust”, da instituição responsável Helmholtz-Zentrum Dresden-Rossendorf, publicado na revista/portal EurekAlert!

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