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O novo sistema de foguete de modo duplo do MIT pode enviar pequenos satélites a Marte

16 de junho de 2026, 21:45 h
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O novo sistema de foguete de modo duplo do MIT pode enviar pequenos satélites a Marte

Novo motor de modo duplo do MIT integra propulsão química e elétrica em um único tanque de combustível para otimizar missões espaciais.

Cristobal Mopi

Cristobal Mopi

  • 🚀
    Inovação espacial: Pesquisadores criaram um motor de modo duplo que combina propulsão química e elétrica em um único tanque de combustível.
  • 🔋
    Combustível verde: O sistema utiliza o ASCENT, um propelente líquido iônico seguro e não tóxico que substitui a perigosa hidrazina.
  • 🌌
    Missões profundas: A tecnologia permite que satélites do tamanho de maletas viajem de forma eficiente para destinos distantes como Marte.
  • A exploração do cosmos está prestes a passar por uma transformação profunda graças ao desenvolvimento de tecnologias de propulsão compactas e altamente eficientes. Engenheiros do prestigioso Instituto de Tecnologia de Massachusetts conseguiram solucionar um dos maiores dilemas da engenharia aeroespacial ao projetar um mecanismo capaz de alternar entre diferentes modos de funcionamento usando um repositório unificado de combustível. Essa abordagem promete expandir drasticamente o raio de ação de pequenos artefatos científicos, permitindo que realizem jornadas complexas que antes eram restritas a grandes e dispendiosas espaçonaves comerciais e governamentais.

    Como funciona o novo sistema de propulsão de modo duplo?

    O coração dessa inovação reside na integração de dois métodos de movimentação historicamente distintos e que operavam de maneira isolada na engenharia tradicional. O dispositivo desenvolvido combina os impulsos rápidos e vigorosos dos motores químicos com a eficiência cirúrgica e prolongada dos sistemas baseados em eletricidade. Até o momento, a necessidade de carregar tanques e encanamentos separados inviabilizava essa combinação em plataformas miniaturizadas devido às restrições severas de peso e volume.

    A equipe, liderada por cientistas especializados, conseguiu demonstrar que um único líquido iônico pode alimentar perfeitamente ambos os mecanismos de ejeção. A arquitetura compacta elimina o peso morto das estruturas redundantes, liberando espaço precioso para a instalação de instrumentos de coleta científica e de comunicação avançada. Os engenheiros estruturaram o funcionamento integrado para oferecer os seguintes benefícios práticos durante as operações espaciais:

    • Manobras de correção de curso rápidas obtidas através dos disparos de energia da propulsão química.
    • Deslocamentos de longa distância extremamente econômicos sustentados pelas microestruturas elétricas.
    • Redução drástica na massa total do satélite devido ao compartilhamento de um único tanque pressurizado.
    O novo sistema de foguete de modo duplo do MIT pode enviar pequenos satélites a Marte
    O uso do combustível não tóxico ASCENT revoluciona o design de pequenos satélites e simplifica a logística de missões interplanetárias.

    Por que o combustível ASCENT representa uma revolução?

    A escolha do propelente correto foi fundamental para viabilizar o sucesso dos experimentos conduzidos nos laboratórios de propulsão espacial. Os pesquisadores recorreram a um composto originalmente desenvolvido pela Força Aérea dos Estados Unidos, conhecido pela sigla ASCENT, uma alternativa muito mais segura em comparação aos elementos químicos tradicionais. Esse fluido consiste essencialmente em uma mistura de sais líquidos que retêm suas propriedades físicas mesmo sob condições extremas de vácuo e temperaturas negativas congelantes.

    Historicamente, a indústria espacial dependeu fortemente da hidrazina, uma substância altamente tóxica, volátil e que exige protocolos complexos de manuseio e segurança que encarecem os projetos. O uso do composto iônico não apenas simplifica a logística de preparação nos centros de lançamento, mas provou possuir as características elétricas necessárias para ser pulverizado por campos magnéticos. As vantagens ecológicas e operacionais desse novo fluido de trabalho incluem as seguintes características:

    • Eliminação do risco de contaminação severa por ser um composto não tóxico e consideravelmente mais estável.
    • Capacidade de atuar como reagente térmico em combustões químicas de alta potência.
    • Propriedades iônicas ideais que facilitam a extração e aceleração de partículas carregadas por eletricidade.

    Qual é o papel dos propulsores electrospray nessa tecnologia?

    Para viabilizar a vertente elétrica do sistema, os engenheiros recorreram aos micropropulsores do tipo electrospray, que possuem dimensões minúsculas, comparáveis ao tamanho de uma moeda. Esses dispositivos funcionam aplicando uma forte carga elétrica ao combustível líquido, fazendo com que íons individuais sejam arrancados e expelidos em altíssima velocidade para gerar empuxo. Embora a força gerada por esse processo seja sutil, a constância do funcionamento permite acumular velocidade ao longo do tempo com um consumo insignificante de matéria-prima.

    A grande descoberta do estudo publicado foi demonstrar que o ASCENT mantém uma paridade de desempenho formidável quando comparado aos propelentes elétricos convencionais. Os testes demonstraram que as agulhas microscópicas do electrospray conseguem direcionar o fluxo de íons sem sofrer degradação precoce ou entupimentos estruturais. Essa estabilidade garante que o satélite consiga navegar pelo vazio interplanetário por meses a fio de forma automatizada e altamente confiável.

    Como os cientistas testaram a eficácia do motor no laboratório?

    Validar uma tecnologia destinada ao ambiente espacial exige simulações rigorosas capazes de replicar com fidelidade as condições de ausência de gravidade e vácuo absoluto. Os pesquisadores acomodaram o protótipo em uma câmara de vácuo especial equipada com um suporte de levitação magnética de alta precisão. Esse arranjo técnico permitiu que o pequeno satélite flutuasse livremente, garantindo que qualquer movimento detectado fosse puramente o resultado do empuxo gerado pelos micropropulsores.

    Abastecido com apenas uma grama do propelente iônico em reservatórios compactos, o sistema foi submetido a regimes de funcionamento contínuo que superaram a marca de cem horas de atividade. Os sensores monitoraram atentamente a rotação induzida e a estabilidade do fluxo elétrico emitido pelas unidades de teste. Os experimentos laboratoriais ajudaram a consolidar parâmetros cruciais que asseguram a viabilidade do projeto, tais como:

    • Resistência dos materiais internos ao contato prolongado com o fluido iônico energizado.
    • Precisão no controle angular do satélite por meio de impulsos elétricos milimétricos.
    • Ausência de perda de eficiência energética ao alternar as demandas de tensão elétrica do circuito.
    O novo sistema de foguete de modo duplo do MIT pode enviar pequenos satélites a Marte
    Tecnologia inovadora de propulsão permite que pequenos CubeSats realizem viagens econômicas e complexas rumo a destinos distantes como Marte.

    Como essa inovação impacta o futuro das missões para Marte?

    A introdução de motores de modo duplo redefine completamente o planejamento econômico e científico de missões direcionadas ao planeta vermelho e ao cinturão de asteroides. Plataformas compactas, conhecidas como CubeSats, poderão ser despachadas como cargas secundárias em foguetes comerciais, reduzindo drasticamente os custos de inserção em órbita. Uma vez liberados no espaço, esses pequenos exploradores farão a travessia de longo curso de forma lenta e econômica, usando a aceleração iônica constante.

    Ao se aproximarem do objetivo celestial, os operadores poderão acionar o modo químico para realizar frenagens bruscas ou inserções orbitais precisas que exigiriam forças indisponíveis em motores elétricos puros. Essa flexibilidade operacional inédita expande as fronteiras da ciência planetária, permitindo que frotas inteiras de pequenas sondas analisem múltiplos pontos de interesse de maneira coordenada. O avanço pavimenta o caminho para uma era de exploração democratizada, onde universidades e pequenas instituições poderão conduzir investigações científicas profundas pelo sistema solar.

    Referências: “New propulsion system could make tiny satellites both fast and fuel-efficient”, dos autores Jennifer Chu e MIT News, publicado na revista/portal MIT News.

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