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1.800 metros de queda “de lado” na fronteira com a Argentina: o maior salto longitudinal do planeta fica no noroeste gaúcho

22 de junho de 2026, 12:45 h
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1.800 metros de queda "de lado" na fronteira com a Argentina: o maior salto longitudinal do planeta fica no noroeste gaúcho

1.800 metros de queda "de lado" na fronteira com a Argentina: o maior salto longitudinal do planeta fica no noroeste gaúcho // IMAGEM ILUSTRATIVA

Ana Carolina

Ana Carolina

✦ Destaques
Cravado no extremo noroeste gaúcho, na fronteira natural com a Argentina, o exuberante Parque Estadual do Turvo abriga a monumental maravilha do Salto do Yucumã, um espetáculo das águas único no mundo.
Gerada por uma falha geológica no leito do Rio Uruguai, a cachoeira impressiona por “cair de lado”, ostentando o raríssimo título de maior queda d’água longitudinal do planeta, estendendo-se por cênicos 1.800 metros.
A imensa e preservada floresta da região atua como o último grande refúgio natural da onça-pintada no estado, permitindo aos viajantes imersões ecológicas memoráveis através da Trilha da Onça ou de barcos que chegam bem perto dos imensos paredões de água.

No extremo noroeste do Rio Grande do Sul, às margens do Rio Uruguai, a água do maior rio do sul do Brasil faz algo que não acontece em nenhum outro lugar do planeta: cai de lado. O Salto do Yucumã, dentro do Parque Estadual do Turvo, em Derrubadas, estende-se por 1.800 metros de quedas longitudinais no leito basáltico do rio, na divisa natural entre o Brasil e a Argentina. O nome, de origem guarani, não poderia ser mais preciso: Yucumã significa “grande ronco”, o barulho constante que se espalha pela floresta antes mesmo de a cachoeira aparecer à vista.

A queda que “cai de lado” e não existe em mais nenhum lugar

Diferente de uma cachoeira convencional, o Salto do Yucumã não cai verticalmente. Uma falha geológica antiga no basalto, esculpida por derrames vulcânicos e milênios de erosão, criou uma fenda longitudinal no leito do Rio Uruguai. A água não encontra um desnível frontal: ela desliza lateralmente, formando uma cortina contínua de quedas que chegam a 12 metros de altura e se estendem por 1.800 metros de comprimento. A fenda tem largura média de 30 metros e profundidade estimada entre 90 e 120 metros.

Conforme registra a Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura do Rio Grande do Sul (Sema), as quedas d’água ocorrem na margem argentina do Rio Uruguai, mas a visualização mais ampla e privilegiada acontece a partir do território brasileiro. Isso faz de Derrubadas o ponto de observação exclusivo de um fenômeno único no mundo. A paisagem nunca é exatamente a mesma: em períodos de cheia, o rio sobe e encobre as quedas; na estiagem, o desnível aparece com força total e o ronco se intensifica.

Salto do Yucumã, Rio Grande do Sul // Créditos: Wikipedia

O último reduto da onça-pintada gaúcha

O Salto do Yucumã existe dentro de algo ainda maior. O Parque Estadual do Turvo, criado como Reserva Florestal em 1947 e elevado à categoria de parque em 1954, tem 17.500 hectares de Floresta Estacional Decidual e é a maior área de proteção integral do Rio Grande do Sul. Segundo a Sema, o parque abriga espécies ameaçadas de extinção como a onça-pintada (Panthera onca), o puma, a anta, o cateto, a harpia (Harpia harpyja) e a jacutinga. É o único local do estado onde a onça-pintada ainda é registrada na natureza. O indivíduo conhecido como Yaboti, macho adulto monitorado desde 2017, cruza periodicamente o Rio Uruguai entre o Parque do Turvo e florestas argentinas. Além deles, mais de 290 espécies de aves foram registradas no parque, incluindo o pica-pau-rei e o uiraçu.

Salto do Yucumã, Rio Grande do Sul // Créditos: Wikipedia

O que fazer no parque?

A visitação está concentrada na área do Salto do Yucumã e nas trilhas do entorno. O parque funciona de quinta a segunda-feira, com entrada das 8h às 16h, e a saída da área do Salto é permitida até as 17h. Os serviços de visitação são operados pela concessionária Macuco Yucumã.

  • Trilha do Yucumã: da portaria até a área de lazer próxima ao Salto são 15 km de estrada de terra, transitada de carro com velocidade máxima de 30 km/h para proteger a fauna. Dali, uma caminhada de 400 a 500 metros leva à beira do Rio Uruguai e à visão panorâmica das quedas. A trilha é considerada fácil e bem sinalizada.
  • Passeio de barco pelo Rio Uruguai: experiência mais imersiva, que leva os visitantes pelo rio até próximo das quedas, com vista privilegiada do paredão de água a partir da margem. Operado pela Macuco Yucumã.
  • Trilha da Onça: percurso pela mata com 8 km de extensão (ida e volta) e 4 horas de duração, nível médio. Passa por áreas onde pegadas e armadilhas fotográficas registram a presença de onças-pintadas, antas e outros mamíferos.
  • Clareira das Antas: ponto ao longo da estrada interna com lagoas e jabuticabais que atraem antas e diversas espécies de aves. Avistamentos são frequentes para quem percorre o trajeto no início da manhã.
  • Ciclismo: bicicletas podem ser alugadas no parque para percorrer os 15 km de estrada de terra até o Salto, com carro de apoio disponível.

Quem deseja descobrir um verdadeiro tesouro escondido no Rio Grande do Sul vai curtir este vídeo selecionado do canal Rolê Família, que conta com mais de 51 mil visualizações. Nele, os criadores apresentam o Salto do Yucumã, localizado no Parque Estadual do Turvo, revelando que se trata da maior queda longitudinal do mundo.

Quando ir e como é o clima?

O clima da região é subtropical úmido, com verões quentes e invernos frios. A melhor época para visitar o Salto é entre novembro e março, quando o nível do Rio Uruguai está mais baixo e as quedas ficam mais visíveis e extensas. Em períodos de cheia, o rio pode encobrir parcialmente ou totalmente as quedas. Antes de ir, vale checar o nível do rio pelo canal do YouTube da Macuco Yucumã, que transmite imagens ao vivo do Salto.

🌊 Verão
Novembro a Março 22°C a 35°C
🌤️ Rio Mais baixo
A época de ouro para avistar os paredões aquáticos! Com a redução do nível do Rio Uruguai, as quedas d’água ressaltam, sendo a melhor época para ver o Salto em plena extensão.
⭐ MELHOR ÉPOCA
🥾 Outono
Abril a Maio 14°C a 26°C
☔ Rio Variável
As marcas no termômetro e o calor vão caindo de forma gradativa propiciando o clima agradável do sul. Excelente janela pacífica para as ricas trilhas e fauna ativa.
Publicidade VIAJE COM AVISO
🍂 Inverno
Junho a Agosto 5°C a 18°C
☔ Rio Variável
A umidade oscila e o frio rigoroso sulista é a atração principal. O ar nostálgico e misterioso dá destaque à icônica Floresta Decidual com aspecto distinto e menos visitantes.
❄️ INVERNO SULISTA
🦜 Primavera
Setembro a Outubro 15°C a 28°C
☔ Rio Variável
O clima volta a esquentar de forma sensacional nas matas gaúchas e a vegetação ganha exuberância. Prepare-se para ver de perto a fauna ativa e vegetação rebrotando.
🌸 NATUREZA VIVA

Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Nível do rio pode variar: consulte o parque antes de partir.

Como chegar ao Parque Estadual do Turvo?

O parque fica em Derrubadas, a aproximadamente 490 km de Porto Alegre. O acesso mais comum a partir da capital segue pela BR-386 até Sarandi, depois por rodovias estaduais até Tenente Portela e, por fim, pela RS-176 até Derrubadas, a 20 km da entrada do parque por estrada asfaltada. Não há aeroporto próximo na região: o mais acessível é o de Chapecó (SC), a cerca de 200 km. O parque não tem hospedagem interna, mas Derrubadas e municípios vizinhos como Tenente Portela e Três Passos oferecem pousadas e balneários para pernoite.

Leia também: Terra dos Monólitos no sertão cearense revela: formações raras iguais às da China e o melhor cenário de voo livre de classe mundial do planeta

Uma cachoeira que não tem cópia no planeta

O Salto do Yucumã é um desses fenômenos que desafia a descrição antes de ser visto: 1.800 metros de água deslizando de lado sobre o basalto, no maior parque do Rio Grande do Sul, onde a única onça-pintada gaúcha faz o mesmo percurso entre dois países. Chegar até lá exige disposição, mas o “grande ronco” que os guaranis descreveram há séculos ainda ressoa do mesmo jeito na floresta que o circunda.

Você precisa conhecer o Salto do Yucumã e entender por que a cachoeira que “cai de lado” é uma das experiências mais singulares que o Brasil tem a oferecer.

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