O perfume das parreiras, as cantinas centenárias e o canto dos beija-flores recebem quem chega a Santa Teresa, na região serrana do Espírito Santo. Reconhecida por lei federal como pioneira da imigração italiana no Brasil, a cidade reúne herança trentina, biodiversidade da Mata Atlântica e o maior polo de vinhos do estado a 655 metros de altitude.
De Núcleo do Timbuí em 1875 a Capital Estadual da Imigração Italiana
A história começa em 3 de janeiro de 1874, quando o navio La Sofia partiu do Porto de Gênova rumo ao Brasil com a Expedição Tabacchi, o primeiro grande movimento coletivo de italianos para o país. Em 31 de maio de 1875, o navio Rivadávia aportou em Vitória com 150 famílias italianas, e 60 delas foram encaminhadas ao Núcleo do Timbuí. Em 26 de junho de 1875, ocorreu o sorteio dos lotes territoriais, data oficial de fundação do município, segundo a Prefeitura de Santa Teresa.
O reconhecimento veio em duas etapas. A Lei Estadual 10.378/2015 declarou Santa Teresa como Capital Estadual da Imigração Italiana. Em 11 de janeiro de 2017, a Lei Federal 13.617 reconheceu oficialmente o município como pioneiro da imigração italiana no Brasil. Hoje, cerca de 90% da população tem ascendência italiana, segundo dados do Vice-consulado Italiano no Espírito Santo, e a cidade responde por 80% da produção capixaba de uvas e vinhos.

O que fazer entre o Circuito Caravaggio e o museu da Mata Atlântica
A cidade combina centro histórico caminhável, rota rural com vinícolas e atrativos naturais ligados à biodiversidade. As principais atrações ficam concentradas no centro e a poucos minutos dali, segundo o Descubra o Espírito Santo, portal oficial da Secretaria Estadual de Turismo.
- Circuito Caravaggio: rota rural de 14 km com mais de 20 empreendimentos entre vinícolas, cafeterias, cervejarias e restaurantes com vista para as montanhas.
- Casa Lambert: construída em 1875 pelos irmãos Antônio e Virgílio Lambert, uma das primeiras edificações do município, restaurada em 2010 e transformada em museu da imigração.
- Museu de Biologia Professor Mello Leitão (INMA): sede do Instituto Nacional da Mata Atlântica, fundado pelo naturalista Augusto Ruschi.
- Praça Augusto Ruschi: coração do centro histórico, construída em 1936 em homenagem ao Patrono da Ecologia no Brasil.
- Rua do Lazer: principal endereço gastronômico, com casarões coloridos, cantinas, cafés e mesas espalhadas pela calçada.
- Reserva Biológica Augusto Ruschi: unidade federal de proteção em meio à Mata Atlântica, com trilhas e observação de aves.
- Museu da Cultura e Imigração Italiana: acervo dedicado à trajetória dos colonos e à vida no Núcleo do Timbuí.
- Mirante da Rampa de Voo Livre: ponto mais alto do Circuito Caravaggio, com voos de parapente e pôr do sol panorâmico sobre as montanhas.
A cidade reúne 40% do território coberto por remanescentes preservados de Mata Atlântica e abriga quase todas as espécies de beija-flor do Espírito Santo, segundo a Setur-ES, o que rendeu o apelido de Terra dos Beija-flores e das Orquídeas.

A gastronomia italiana herdada do Trentino e do Vêneto
A mesa de Santa Teresa mantém viva a tradição trazida pelos imigrantes do norte da Itália. Os pratos típicos circulam pelas cantinas centenárias, restaurantes do centro e propriedades do Circuito Caravaggio.
- Polenta com frango: prato símbolo da cozinha trentina, servido em mesas familiares e cantinas tradicionais.
- Massas frescas: capeletti, ravioli e tagliatelle, com molhos preparados em receitas centenárias.
- Vinhos teresenses: produção que responde por 80% do total estadual, com rótulos tintos, brancos e espumantes premiados.
- Sócol: embutido típico do Vêneto preparado com lombo de porco e temperos da serra.
- Polenta brustolada: grelhada na chapa, servida com queijo, linguiça defumada ou molho de frango.
Quem deseja planejar um fim de semana charmoso na “primeira cidade colonizada por italianos do Brasil”, vai curtir este vídeo especialmente selecionado do canal Lívia Ávila, que conta com mais de 10 mil visualizações, onde a apresentadora explora as belezas e a gastronomia de Santa Teresa, Espírito Santo:
Quando ir e como chegar à serra capixaba
O clima é tropical de altitude, com temperaturas amenas o ano todo. O outono e o inverno trazem dias secos com noites frescas, ideais para vinícolas e cantinas. A Festa do Imigrante Italiano, em junho, é o ponto alto do calendário e celebra os mais de 150 anos da colonização.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
O acesso mais comum é pela rodovia ES-080, com saída de Vitória em direção à região serrana. São cerca de 78 km de distância e entre 1h30 e 2h de viagem, segundo dados oficiais. O aeroporto mais próximo é o Internacional Eurico de Aguiar Salles, em Vitória. A viação Lírio dos Vales opera linhas regulares entre a Rodoviária de Vitória e a de Santa Teresa.
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Essência capixaba
Santa Teresa reúne em um só destino o pioneirismo da imigração italiana no Brasil, 80% do vinho capixaba, a maior reserva de beija-flores do estado e um centro histórico tombado de arquitetura trentina preservada. A combinação de Lei Federal, Mata Atlântica conservada e Circuito Caravaggio faz da cidade parada obrigatória no roteiro capixaba.
Você precisa caminhar pela Rua do Lazer ao entardecer, com uma taça de vinho local em mãos, e descobrir por que esta cidade serrana virou a Capital Estadual da Imigração Italiana.

