O centro histórico, os casarões coloniais e os versos espalhados pelas calçadas recebem quem chega a Itabira, no centro de Minas Gerais. Terra natal de Carlos Drummond de Andrade, a cidade respira poesia e mistura herança literária, mineração e cachoeiras em um dos roteiros culturais mais completos do interior mineiro.
Da exploração do ouro à terra do maior poeta brasileiro
A história de Itabira começou com a exploração do ouro no século XVIII, e o avanço da mineração no século XIX trouxe os primeiros casarões coloniais que ainda formam o centro histórico. Em 1942, a cidade virou sede da antiga Companhia Vale do Rio Doce, hoje uma das maiores mineradoras do mundo, e a paisagem foi marcada por décadas de exploração de minério de ferro, segundo o portal Turismo em Minas Gerais da Secretaria de Estado.
Foi no centro da cidade que nasceu, em 1902, Carlos Drummond de Andrade, considerado um dos maiores poetas brasileiros do século XX. A presença do escritor marcou a identidade itabirana de forma definitiva. Em 1985, a Prefeitura instituiu a Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade (FCCDA) para preservar a memória e a obra do poeta. Em 31 de outubro de 1998, foi inaugurado o Memorial Carlos Drummond de Andrade, com projeto do arquiteto Oscar Niemeyer, amigo pessoal do poeta.

O que fazer entre os Caminhos Drummondianos e o centro histórico
A cidade reúne o roteiro cultural drummondiano e o patrimônio arquitetônico colonial em um circuito caminhável. As principais atrações ficam no centro e na região do Pico do Amor.
- Memorial Carlos Drummond de Andrade: projeto de Oscar Niemeyer no alto de uma colina, com vista de 360 graus, máquina de escrever, fotografias e correspondências originais do poeta.
- Caminhos Drummondianos: museu a céu aberto criado em 1997, com 44 placas-poema em ferro fundido (240 kg cada) espalhadas pelo centro histórico e revitalizadas em 2009 em parceria com a Vale.
- Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade: abriga biblioteca, teatro considerado um dos melhores de Minas e foyer de exposições.
- Museu de Itabira: criado em 1971 em casarão colonial do século XIX, com acervo sobre a memória cultural da região.
- Casa de Drummond: sobrado colonial do século XIX com 32 cômodos, jardim com canteiros em forma de estrela, lua e coração.
- Pico do Amor: mirante natural ao lado do Memorial, com vista para a Velha Itabira e as montanhas de minério.
- Fazenda do Pontal: propriedade do pai do poeta, onde Drummond passou parte da infância e tema recorrente em sua obra.
- Distrito de Ipoema: a 43 km do centro, na Estrada Real, com a Cachoeira Alta de 110 metros de queda, Museu do Tropeiro e Parque Estadual Mata do Limoeiro com 2.056 hectares.
Itabira integra o Circuito do Ouro de Minas Gerais e o Caminho dos Diamantes, eixo principal da Estrada Real. A cidade também está dentro da Reserva da Biosfera da Serra do Espinhaço, reconhecida pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO).

A gastronomia mineira raiz no centro e na vila tropeira
A mesa de Itabira segue a tradição mineira com forte influência tropeira herdada do distrito de Ipoema. Os restaurantes do centro alternam pratos clássicos da serra com receitas centenárias da Estrada Real.
- Feijão tropeiro: prato símbolo da cozinha caipira, criado pelos tropeiros que passavam por Ipoema com farinha, ovo, linguiça e couve.
- Frango com quiabo e angu: clássico das fazendas mineiras, servido em panela de pedra-sabão.
- Carne de panela com mandioca: prato de tropeiro de longas viagens, cozido lentamente em fogão a lenha.
- Doces caseiros: doce de leite, goiabada cascão e queijo coalho de produção local.
- Café com pão de queijo: tradição diária servida nas pousadas e cafeterias do centro histórico.
Quem deseja conhecer um pedaço da história de Minas Gerais, vai curtir este vídeo especialmente selecionado do canal Vanessa Cunha, que conta com mais de 9 mil visualizações, onde a apresentadora explora a cultura e os principais pontos turísticos de Itabira, Minas Gerais:
Quando ir e como chegar à Itabira de Drummond
O clima é tropical de altitude, com temperaturas amenas o ano todo. O verão concentra as chuvas e enche as cachoeiras de Ipoema. A última semana de outubro é tradicional na cidade pela Semana Drummondiana, com atividades culturais para celebrar o aniversário do poeta.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
O acesso mais comum é pela BR-381, com saída de Belo Horizonte em direção a João Monlevade e depois a Itabira. São 110 km de distância e cerca de 2h30 de viagem, segundo o Instituto Estrada Real. O aeroporto mais próximo é o Internacional de Confins. Há linhas regulares de ônibus saindo da Rodoviária de BH para Itabira e para Ipoema.
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Poesia em cada esquina
Itabira reúne em um só destino a obra do maior poeta brasileiro, o centro histórico colonial preservado, cachoeiras de 110 metros no distrito de Ipoema e um memorial assinado por Oscar Niemeyer. A combinação de Estrada Real, Reserva da Biosfera da UNESCO e roteiros culturais ativos faz da Cidade da Poesia parada obrigatória no interior mineiro.
Você precisa caminhar pelas placas-poema do centro histórico e descobrir por que esta cidade mineira virou um dos roteiros literários mais importantes do Brasil.

