A 281 km de Natal, no oeste do Rio Grande do Norte, Mossoró reúne três marcos da história do Brasil em um só território. A cidade aboliu a escravidão em 30 de setembro de 1883, cinco anos antes da Lei Áurea, derrotou o bando de Lampião em 13 de junho de 1927 e em 1928 registrou o primeiro voto feminino da América Latina.
Da emancipação de Assu à Capital do Oeste Potiguar
O nome vem do tupi e tem duas teorias principais. Segundo a tradição, Mossoró significa “vento forte que sopra do norte” na língua dos índios Monxorós, primeiros habitantes da região. Outra hipótese sugere origem em Mororó, árvore resistente e flexível típica do semiárido.
A cidade foi emancipada de Assu em 1852. O ciclo do sal e do algodão impulsionou o crescimento no século XIX e a fez ponto estratégico de escoamento pela ferrovia. Hoje é a segunda maior cidade do estado e polo universitário, hospitalar, comercial e industrial, com forte presença das indústrias do sal e do petróleo.

Por que essa cidade é conhecida como Terra da Liberdade?
Segundo a Prefeitura de Mossoró, o apelido vem de quatro feitos históricos. A abolição da escravidão em 30 de setembro de 1883, cinco anos antes da Lei Áurea; o Motim das Mulheres de 1875, protesto contra o recrutamento militar; o primeiro voto feminino da América Latina em 1928, registrado por Celina Guimarães Viana; e a resistência ao cangaceiro Lampião em 1927.
A invasão de Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, começou às 16h do dia 13 de junho de 1927, dia de Santo Antônio. O prefeito Rodolfo Fernandes organizou trincheiras na própria residência e na Igreja de São Vicente, cujas torres serviram de abrigo. Os cangaceiros se dividiram em três grupos para atacar a casa do prefeito, a estação ferroviária e o cemitério. Uma hora depois, o bando recuou. Foi a única derrota de Lampião em toda sua trajetória no cangaço.

O que fazer no Corredor Cultural e no centro histórico?
As principais atrações se concentram no Corredor Cultural, ao longo da antiga estrada de ferro. Dois dias dão para conhecer o essencial.
- Memorial da Resistência de Mossoró: museu interativo de três andares com cinco módulos sobre o cangaço e a resistência ao bando de Lampião em 1927, no Corredor Cultural.
- Igreja de São Vicente: construída em 1915, serviu de trincheira durante o ataque. As marcas de bala ainda podem ser vistas nas paredes. Cenário do espetáculo Chuva de Bala no País de Mossoró.
- Catedral de Santa Luzia: padroeira da cidade, na Praça Vigário Antônio Joaquim, abriga o marco zero do município.
- Estação das Artes Elizeu Ventania: antiga estação ferroviária restaurada com 48 mil m², centro cultural e sede do Mossoró Cidade Junina, com o Museu do Petróleo nas instalações.
- Teatro Municipal Dix-Huit Rosado: inaugurado em 2003 em parceria entre prefeitura e Petrobras, com capacidade para 740 lugares.
- Palácio da Resistência: antiga casa do prefeito Rodolfo Fernandes, principal trincheira no ataque de 1927, hoje sede do Poder Executivo municipal.
- Museu Municipal Lauro da Escóssia: instalado em antiga cadeia pública, criado em 1948, conserva documentos e exposições sobre a história mossoroense.
Quem deseja planejar uma viagem para conhecer Mossoró, no Rio Grande do Norte, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal DEVA NO AR, que conta com mais de 77 mil visualizações, onde eles apresentam um roteiro completo pela cidade, destacando sua história e cultura:
O Mossoró Cidade Junina e a Festa da Liberdade
Segundo o Ministério do Turismo, o Mossoró Cidade Junina é um dos maiores festejos juninos do Brasil e atrai mais de 1 milhão de visitantes ao longo de junho. Realizado desde 1996 na Estação das Artes, reúne grandes shows nacionais que chegam a juntar 50 mil pessoas por noite, festival de quadrilhas e mais de 30 projetos culturais no Corredor Cultural.
O principal espetáculo é o Chuva de Bala no País de Mossoró, encenado desde 2003 no adro da Igreja de São Vicente, que revive a expulsão de Lampião. Em setembro, a Festa da Liberdade celebra a abolição antecipada e o primeiro voto feminino com o espetáculo Auto da Liberdade, considerado o maior teatro a céu aberto do Brasil, com mais de 500 atores.
Como é o clima ao longo do ano no oeste potiguar?
O clima semiárido garante sol forte o ano todo, com temperaturas elevadas e umidade baixa. As poucas chuvas se concentram entre fevereiro e maio.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar à Terra da Liberdade
A cidade fica a 281 km de Natal pela BR-304 e a 245 km de Fortaleza, em posição estratégica entre as duas capitais. O Aeroporto Internacional de Natal (São Gonçalo do Amarante) é o principal acesso aéreo, com transfer rodoviário até a cidade. Mossoró também tem aeroporto próprio com voos regulares ampliados no período junino. A Praia de Tibau, a 40 km, é a praia mais próxima para um bate-volta.
Conheça a cidade que derrotou Lampião e libertou escravos antes do Brasil
Poucos lugares no Nordeste conseguem reunir três marcos da história brasileira, o maior teatro a céu aberto do país e uma das maiores festas juninas do Brasil em um só território. A Capital do Oeste Potiguar entrega tudo isso entre o sertão e a cultura.
Você precisa visitar Mossoró em junho e entender por que essa cidade virou símbolo de resistência e liberdade no Nordeste brasileiro.

