Caminhar pelo alto das Dunas de Itaúnas, no norte do Espírito Santo, é pisar em cima de uma cidade inteira. Embaixo da areia repousa a antiga vila, soterrada lentamente entre os anos 1950 e 1970 pelo vento e pelo desmatamento da restinga.
A vila que o vento engoliu e a comunidade reconstruiu
A história beira o roteiro de cinema. Os moradores antigos contam que a areia chegou aos poucos, primeiro escondendo o cemitério, depois a base da Igreja de São Sebastião. Por anos, as famílias varriam as casas todos os dias até desistirem.
Conforme registros do portal oficial da Vila de Itaúnas, a derrubada de uma faixa de mata litorânea acelerou o processo. Quando a vila ficou inviável, a prefeitura de Conceição da Barra comprou terras do outro lado do Rio Itaúnas, e os moradores levaram consigo móveis, telhas e portas para erguer a nova vila no mesmo lugar onde ela está hoje.

O que ver entre as dunas e o mar de águas mornas?
A nova vila guardou o ar bucólico da antiga: ruas de barro, casas baixas e quase nenhum carro circulando. As atrações ficam todas a poucos minutos a pé ou de bicicleta.
- Dunas de Itaúnas: paredões de areia com mais de 30 metros de altura, tombados como Patrimônio Histórico Paisagístico do Espírito Santo em 1986, segundo o Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (IEMA).
- Parque Estadual de Itaúnas: unidade de conservação criada em 1991, com manguezais, restinga e sítios reprodutivos de tartarugas marinhas.
- Praia de Itaúnas: 25 km de areia branca e mar morno que vai da foz do rio até o Riacho Doce, divisa natural entre Sudeste e Nordeste.
- Riacho Doce: curso d’água que separa o Espírito Santo da Bahia, com vila pesqueira do lado capixaba e praia deserta do lado baiano.
- Igreja de São Sebastião: padroeiro da vila, celebrado em janeiro com as folias de Reis de Bois e Ticumbi.
- Pequi-vinagreiro centenário: árvore de mais de 200 anos no centro da vila, com tronco que precisaria de dezenas de pessoas para abraçar.

Por que Itaúnas virou capital nacional do forró pé de serra?
O forró em Itaúnas toca o ano inteiro, mas julho é o mês em que a vila explode. Desde 1989, o Festival Nacional de Forró de Itaúnas (FENFIT) reúne sanfoneiros, zabumbeiros e triangulistas de todo o país nas três principais casas da vila.
O ritmo virou marca registrada. Os “nativos”, como se chamam os moradores antigos, ensinam passos a turistas no meio da rua, e bandas tocam ao vivo da hora do almoço até o sol nascer. Fora do festival, o forró continua nas areias da praia e nos bares de chão batido. Para o ano-novo, a comunidade sobe nas dunas vestida de branco para assistir aos fogos e desce dançando até a beira do mar.
Quem deseja conhecer um destino encantador e repleto de história no Espírito Santo vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Rolê Família, que conta com mais de 55 mil visualizações, onde eles apresentam um roteiro de três dias em Itaúnas, incluindo a curiosa história da vila soterrada pelas dunas, dicas de trilhas paradisíacas e o famoso forró de pé de serra:
Quando ir e o que esperar do clima no extremo norte capixaba?
O destino fica próximo ao trópico, com mar de águas mornas o ano todo. Os meses de pico são janeiro, fevereiro e julho.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo de Conceição da Barra. Condições podem variar.
Como chegar à vila do forró e das dunas móveis
A vila fica a 260 km de Vitória, no extremo norte do estado. O acesso principal é pela BR-101 até Conceição da Barra e depois pela ES-421, hoje totalmente asfaltada.
O aeroporto mais próximo com voos regulares é o de Vitória. Ônibus diários saem da capital capixaba rumo a Conceição da Barra ou São Mateus, e de lá partem vans e ônibus locais para o distrito.
Suba nas dunas e sinta o ritmo da vila renascida
Itaúnas combina o que poucos destinos do Brasil entregam: uma cidade enterrada sob a areia, outra vila vivendo intensamente do outro lado do rio e o forró tocando do amanhecer ao amanhecer. É uma fuga rara, sem asfalto e sem pressa.
Você precisa subir o paredão de areia ao pôr do sol, descer dançando até a praia e entender por que essa vila capixaba virou refúgio de quem busca o Brasil mais verdadeiro.

