A 170 km de Goiânia, no coração do Cerrado, Caldas Novas recebe o visitante com vapor subindo das piscinas mesmo nas noites mais frias de julho. A cidade foi descoberta em 1722, durante uma expedição em busca de ouro, mas só virou destino turístico nos anos 1970, quando os primeiros hotéis com piscinas naturalmente quentes transformaram o sul goiano em um dos lugares mais procurados do Centro-Oeste.
Por que a água sai quente em Caldas Novas?
A explicação não tem nada a ver com vulcões, como muitos ainda acreditam. Segundo o Ministério do Turismo, a água da chuva penetra nas fissuras da Serra de Caldas, desce cerca de mil metros abaixo do solo e é aquecida pelo gradiente geotérmico natural da Terra antes de retornar à superfície sob pressão.
O processo é lento: a água que sai hoje das torneiras dos resorts caiu como chuva há até mil anos sobre a serra. As fontes afloram naturalmente entre 30 °C e 57 °C, segundo o Goiás Turismo, e abastecem mais de 80 poços ativos que alimentam o maior manancial hidrotermal do planeta. A cidade vizinha de Rio Quente, a 25 km, abriga o maior rio de águas naturalmente quentes do mundo e completa o complexo termal.

Vale a pena viver em Caldas Novas?
Para quem gosta de cidade pequena com vocação turística forte, vale. Caldas Novas tem cerca de 95 mil habitantes, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e ostenta uma infraestrutura desproporcional ao porte: mais de 100 hotéis, aeroporto regional, hospitais, universidade pública e comércio ativo o ano inteiro.
A cidade vive em ritmo de feriado prolongado, com alta movimentação durante temporadas de inverno e finais de semana, mas também tem bairros residenciais tranquilos para quem busca rotina pacata. A presença da Universidade Estadual de Goiás (UEG) e o setor de saúde voltado ao turismo de bem-estar atraem moradores que combinam trabalho com qualidade de vida em meio ao Cerrado preservado. O custo do imóvel é mais acessível que em grandes capitais e os banhos termais fazem parte da rotina.

O que fazer em Caldas Novas além das piscinas termais
O cartão-postal são as águas quentes, mas a cidade guarda atrações que vão muito além delas. Algumas ficam a poucos minutos do centro, outras pedem um curto deslocamento até Rio Quente.
Entre os principais passeios, destacam-se:
- Parque Estadual da Serra de Caldas Novas (PESCAN): criado em 1970 pela Lei 7.282, foi a primeira unidade de conservação ambiental do estado, com 12,3 mil hectares de Cerrado, cachoeiras e trilhas.
- Hot Park: em Rio Quente, abriga a Praia do Cerrado, uma das maiores piscinas de águas quentes do mundo, com toboáguas e atrações para a família.
- DiRoma Acqua Park: um dos parques mais conhecidos do centro de Caldas Novas, com toboáguas, piscinas termais e área temática infantil.
- Lagoa Quente: ponto histórico onde brotam águas a 38 °C diretamente do solo, ligado à origem do turismo na cidade.
- Lago Corumbá: represa que recebe esportes náuticos, pesca esportiva e quiosques às margens, a cerca de 20 km do centro.
- Jardim Japonês e Santuário Nossa Senhora da Salette: dois pontos contemplativos com vista da serra e arquitetura singular, perfeitos para fim de tarde.
Na mesa, a comida goiana ganha protagonismo, com tradições do Cerrado e influência mineira herdada da fronteira próxima.
Entre os sabores que valem a parada, conheça:
- Pequi: fruto típico do Cerrado, servido no arroz com galinha caipira, prato emblemático da cozinha goiana.
- Empadão goiano: massa recheada com frango desfiado, queijo, azeitona, guariroba e linguiça, vendido em padarias e restaurantes tradicionais.
- Pamonha e curau: feitos com milho fresco, são servidos em pamonharias espalhadas pelas estradas da região.
- Pastel de feira: a Feira do Luar, no centro, é parada obrigatória para o pastel quentinho com caldo de cana ao fim do dia.
Quem planeja curtir as famosas águas termais e descobrir os melhores parques aquáticos do centro-oeste, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Viajando e Passeando, que conta com mais de 50 mil visualizações, onde Diego mostra um guia completo com o top 10 atrativos de Caldas Novas e Rio Quente:
Quando é a melhor época para visitar Caldas Novas?
Como as águas quentes são naturais, o destino funciona o ano inteiro, mas cada estação muda a temperatura do contraste entre a piscina e o ar.
A tabela a seguir resume os melhores momentos:
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
A serra que chamou a atenção da NASA
Em maio de 2025, o satélite Landsat 9 registrou uma imagem aérea curiosa da Serra de Caldas. A National Aeronautics and Space Administration (NASA) publicou a foto no Earth Observatory com a descrição de um “oval escuro” que se eleva cerca de 300 metros acima do planalto circundante, inteiramente coberto pelo Cerrado.
A formação geológica é justamente a área de recarga dos aquíferos que alimentam as águas termais. O reconhecimento internacional reforça o que moradores e biólogos já sabiam: a Serra de Caldas guarda espécies como o lobo-guará, o tamanduá-bandeira, a seriema-de-patas-vermelhas e o pequizeiro, símbolos do bioma mais ameaçado do Brasil.
Como chegar à cidade das águas quentes
O acesso principal a partir de Goiânia é pela BR-153 até Morrinhos, seguindo pela GO-213, em um trajeto de cerca de 170 km e duas horas e meia de carro. Quem vem de Brasília percorre cerca de 300 km, com saída pela BR-040 e entrada pela GO-139. A cidade conta com o Aeroporto Nelson Ribeiro Guimarães, com voos regionais, mas a maioria dos turistas pousa no Aeroporto Internacional de Goiânia e segue por transfer ou carro alugado. Para quem vem do Triângulo Mineiro, o acesso é pela BR-050 via Uberaba e Araguari.
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Por que conhecer a cidade do vapor no Cerrado
Caldas Novas é onde a chuva de mil anos atrás vira banho quente em pleno meio do Brasil. É natureza preservada, ciência geotérmica e infraestrutura de resort no mesmo destino, a poucas horas de qualquer capital do Centro-Oeste.
Você precisa conhecer Caldas Novas e sentir o vapor subindo das piscinas no meio da serra goiana.




