No Planalto Serrano, a 226 km de Florianópolis, Lages ocupa o maior território entre os municípios catarinenses e abriga uma das raras cidades do Brasil onde a paisagem fica branca no inverno. Fundada em 1766, a Princesa da Serra reúne fazendas centenárias, fogo de chão e um clima que se aproxima do europeu durante boa parte do ano.
O berço do turismo rural brasileiro nasceu aqui na década de 1980
O título tem origem em uma decisão tomada na década de 1980 por fazendeiros da região, que abriram suas propriedades centenárias para hospedar visitantes. Foi a primeira experiência sistemática de turismo rural do Brasil, e a região das Pedras Brancas é considerada a pioneira do segmento no país, conforme registra o Portal de Turismo de Lages, da Prefeitura Municipal.
O resultado é que Lages ainda hoje recebe mais de 604 mil turistas por ano, atraídos pelas fazendas com taipas de pedra de mais de 200 anos, pelas cavalgadas, pelo fogo de chão e pelo ritmo serrano. A Prefeitura registra o título de Capital Nacional do Turismo Rural e a tradição da cidade na cultura tropeira, herdada dos paulistas que cruzavam o sul do país conduzindo gado entre o Rio Grande do Sul e São Paulo.
O clima é o segundo cartão de visitas. Conforme registra a Santa Catarina Turismo, ligada ao Governo Estadual, durante o inverno a cidade enfrenta geadas seguidas e ocasionalmente neve, cobrindo os campos de branco. A temperatura mais baixa já registrada na região foi de -14°C, em 1952, e o Planalto Serrano é considerado a área onde a precipitação de neve mais se repete no Brasil. A cidade ainda guarda o apelido histórico de Boi de Botas, herdado dos lageanos durante a Guerra Farroupilha, e a fundação em 22 de novembro de 1766 pelo bandeirante paulista Antônio Correia Pinto de Macedo.

Custo de vida acessível e ritmo de cidade média no planalto
A cidade combina o ritmo do interior com a infraestrutura de polo regional. Segundo o portal da Prefeitura, o Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) registrou 164.981 habitantes, fazendo de Lages o 10º município mais populoso de Santa Catarina. A estimativa para 2025 chegou a aproximadamente 172 mil pessoas.
A economia tem base diversificada: agronegócio, pecuária, indústria madeireira e turismo movimentam o município, com sede regional de hospitais, universidades e comércio que atende toda a serra catarinense. O Hospital Universitário Tereza Ramos e a Universidade do Planalto Catarinense reforçam o papel de Lages como centro de referência fora do litoral.
O custo de vida é menor do que o de Florianópolis e Balneário Camboriú, e a moradia ainda cabe no bolso de famílias e aposentados que migram em busca de ar limpo. O cotidiano tem trânsito fluido, vizinhança próxima e calendário cultural intenso, marcado pela tradição tropeira, pela Festa Nacional do Pinhão e pelos centros de tradições gaúchas que mantêm viva a influência farroupilha no planalto.

Roteiro pela Serra Catarinense: fazendas cachoeiras e pinhão
O roteiro mistura turismo rural, paisagens naturais e o calendário cultural que atravessa todo o ano. Entre os principais pontos, destacam-se:
- Fazendas de turismo rural da Coxilha Rica: propriedades centenárias com hospedagem, cavalgadas, fogo de chão e ordenha, em uma área tombada como patrimônio histórico estadual.
- Salto Caveiras: cachoeira de mais de 30 metros de altura e 220 metros de largura, a 18 km do centro, com estrutura de pousadas e restaurantes nos arredores.
- Parque Jonas Ramos (Tanque): principal área verde urbana, com lago, pedalinhos, pista de caminhada e eventos culturais entre os pinheirais.
- Catedral Diocesana de Lages: inaugurada em 1922, é um dos cartões-postais do centro histórico e marca o coração da cidade.
- Morro da Cruz: mirante panorâmico da cidade e dos vales serranos, ponto de encontro ao amanhecer e ao entardecer.
- Festa Nacional do Pinhão: realizada anualmente, em 2026 chegou à 36ª edição, com 17 dias de programação cultural entre 22 de maio e 7 de junho.
A culinária local guarda forte herança tropeira e gaúcha, com pratos preparados em fogo de chão. Entre os sabores que valem a parada, destacam-se:
- Pinhão: semente da araucária, preparada cozida ou na sapecada (assada no fogo), símbolo da Serra Catarinense.
- Costela de chão: peça de carne assada por horas em espetos cravados no fogo, tradição das fazendas serranas.
- Quentão de pinhão: bebida típica do inverno, à base de cachaça, gengibre e cravo, vendida em barracas durante a Festa do Pinhão.
- Marreco recheado: prato de tradição alemã adaptado pelas fazendas da serra, servido com repolho roxo e batata.
Quem deseja conhecer a cultura serrana, as curiosidades e o turismo rural, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Diogo Elzinga, que conta com mais de 73 mil visualizações, onde Diogo Elzinga mostra as belezas e a história de Lages SC:
Inverno rigoroso e verão ameno marcam o calendário lageano
O município tem clima subtropical de altitude, com inverno rigoroso, geadas frequentes e neve ocasional. A tabela a seguir resume as estações:
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
O inverno é o auge da temporada turística, com hotéis-fazenda lotados e a chance de ver os campos cobertos de geada. Junho concentra a Festa Nacional do Pinhão e o calendário cultural mais intenso. No verão, o clima ameno e as cachoeiras cheias atraem quem busca refúgio do calor litorâneo.
Caminhos pela BR-282 e BR-116 levam até a serra
O acesso mais comum parte de Florianópolis, a 226 km pela BR-282, com cerca de 3h30 de viagem. Quem sai de Curitiba percorre cerca de 250 km pela BR-116 e BR-282. O Aeroporto Antônio Correia Pinto de Macedo, na própria Lages, recebe voos regionais, e o Aeroporto Hercílio Luz, na capital catarinense, é a principal porta de entrada para quem vem de longe. Linhas rodoviárias regulares ligam Lages às capitais do sul do Brasil.
Leia também: A única capital do Nordeste a 366 km do mar foi a primeira do Brasil planejada como tabuleiro de xadrez
Suba a serra e descubra a capital do turismo rural
Poucos destinos no Brasil reúnem o frio europeu, a tradição tropeira e um modelo de turismo que inspirou todo o país. Lages é a cidade onde se inventou o conceito de hotel-fazenda nacional, onde o pinhão estala no fogo durante o inverno e onde os campos amanhecem brancos pela geada.
Você precisa subir a serra catarinense e conhecer Lages, a cidade onde o frio, o fogo de chão e o ritmo do campo escreveram um pedaço importante da história do turismo brasileiro.




