| ✦ Destaques |
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| Reconhecida pela UNESCO como o primeiro Sítio Misto do Brasil (patrimônio cultural e natural), a cidade preserva um dos conjuntos coloniais mais harmoniosos do país, herança do ciclo do ouro. |
| O centro histórico fechado a carros possui o calçamento “pé de moleque”, projetado no século 18 com uma curiosidade única: permitir que a maré alta lave as ruas de pedra nas noites de lua cheia. |
| Integrante da Rede de Cidades Criativas da Gastronomia da UNESCO, Paraty também é famosa por seus alambiques artesanais, tendo a primeira cachaça do Brasil com selo de Indicação Geográfica. |
Casarões caiados, ruas de pedra e barcos coloridos ancorados diante de montanhas verdes. Essa é Paraty, na Costa Verde do Rio de Janeiro, a cerca de 240 km da capital. Vila colonial preservada e cercada por mar e Mata Atlântica, ela une história, praias e gastronomia premiada em um dos destinos mais completos do litoral brasileiro.
A cidade que o esquecimento preservou
O passado está em cada esquina. Paraty foi fundada no século 17 e se tornou o principal porto de escoamento do ouro que descia de Minas Gerais pelo Caminho do Ouro, rumo a Portugal. Com a abertura de novas rotas, a cidade perdeu importância e ficou isolada por quase um século.
Esse abandono acabou virando sorte. O centro histórico atravessou os séculos quase intacto e foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) em 1958, considerado um dos conjuntos coloniais mais harmoniosos do país. Em 2019, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) reconheceu Paraty e Ilha Grande como o primeiro Sítio Misto do Brasil, que une patrimônio cultural e natural, segundo o IPHAN.

As ruas que o mar lava na maré cheia
A curiosidade mais famosa acontece à noite. Nas marés altas de lua cheia, a água do mar invade suavemente as ruas de pedra do centro histórico e depois recua, deixando o calçamento limpo.
Não é acaso. O calçamento irregular, conhecido como pé de moleque, foi projetado no século 18 justamente para que a maré entrasse e lavasse as vielas. O centro é fechado a carros, o que reforça a sensação de cidade parada no tempo entre casarões e igrejas caiadas.

O que fazer em Paraty?
O destino combina centro histórico, mar e montanha em poucos quilômetros. Entre os principais passeios, destacam-se:
- Centro Histórico: caminhada pelas ruas de pedra, com a Igreja de Santa Rita, o cais e os casarões coloniais.
- Passeio de escuna pela baía: navegação com paradas para banho em ilhas e praias de águas calmas.
- Saco do Mamanguá: o único fiorde tropical do Brasil, um braço de mar cercado de montanhas, ideal para remar.
- Caminho do Ouro: trilha guiada pelo calçamento original do século 18, em meio à Mata Atlântica.
- Vila de Trindade: praias selvagens e a piscina natural do Cachadaço, a cerca de 25 km do centro.
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Cachaça e cozinha caiçara premiadas
A mesa é parte do passeio. Desde 2017, Paraty integra a Rede de Cidades Criativas da Gastronomia da UNESCO, um título que reconhece a cozinha caiçara, de influências indígenas e portuguesas, com ingredientes frescos da serra e do mar.
O grande símbolo, porém, está nos alambiques. A cachaça artesanal da cidade foi a primeira do Brasil a receber o selo de Indicação Geográfica, em 2007, segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Engenhos históricos abrem as portas para visitas e degustação.
Quando é a melhor época para visitar?
O outono e o inverno, mais secos, são ideais para caminhar pelo centro e percorrer o Caminho do Ouro, com menos chuva e clima ameno. É também quando acontece a FLIP, a festa literária realizada todo mês de julho.
No verão, o calor favorece as praias e os passeios de barco, mas as chuvas da tarde são fortes na Mata Atlântica. Quem visita nas noites de lua cheia tem a chance de ver o mar tomar as ruas de pedra.
Conheça a vila onde o tempo parou à beira-mar
Paraty reúne história colonial intacta, cachaça com selo de origem e uma natureza de ilhas, praias e fiorde rara no litoral brasileiro. Poucos destinos do país entregam tanto patrimônio e tanta natureza no mesmo lugar.
Vale conhecer Paraty, caminhar descalço pelo centro histórico e esperar a maré subir para ver o mar lavar as ruas de pedra.

