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Uma aldeia indígena de 1705, uma usina inglesa esquecida e piscinas de coral: a península baiana onde a sede da cidade fica longe das praias

4 de junho de 2026, 06:45 h
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Uma aldeia indígena de 1705, uma usina inglesa esquecida e piscinas de coral: a península baiana onde a sede da cidade fica longe das praias

Uma aldeia indígena de 1705, uma usina inglesa esquecida e piscinas de coral: a península baiana onde a sede da cidade fica longe das praias // IMAGEM ILUSTRATIVA

Ana Carolina

Ana Carolina

✦ Destaques
O cartão-postal do destino é Taipu de Fora, onde uma barreira de corais forma grandes piscinas naturais de águas cristalinas durante a maré baixa, como um aquário a céu aberto.
A origem do nome vem da aldeia indígena Mayrahú (“luz do sol ao amanhecer”). A sede do município mantém um casario colonial surpreendente, erguido em dois níveis no alto de um penhasco.
A península guarda um inusitado capítulo histórico do Império Britânico: as ruínas de uma usina inglesa de destilação de querosene da década de 1860, que chegou a ter sua própria ferrovia interna.

No sul da Bahia, uma estreita faixa de terra separa o mar aberto de uma das maiores baías do país, com praias quase desertas e uma história que poucos conhecem. Essa é a Península de Maraú, na Costa do Dendê, a cerca de 250 km de Salvador. Por trás dos coqueirais e das piscinas de coral, o destino guarda uma aldeia colonial, ruínas de uma usina inglesa e um nome de origem indígena.

O nome que significa luz do amanhecer

A origem está numa aldeia antiga. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Maraú nasceu da aldeia indígena de Mayrahú, cujo nome significa luz do sol ao amanhecer, encontrada em 1705 por frades capuchinhos italianos.

Os religiosos chegaram para catequizar os povos da região. Ergueram uma capela que daria origem à freguesia de São Sebastião de Mayrahú, e o povoado virou vila em 1761 e cidade apenas em 1938, segundo a Prefeitura de Maraú.

Maraú, Bahia // Créditos: Wikimedia Commons

A cidade no alto do penhasco

A sede do município surpreende quem só conhece as praias. Longe do litoral, a cidade de Maraú fica às margens do Rio Maraú, no fundo da baía, e foi erguida em dois níveis, como Salvador, com uma cidade alta e uma cidade baixa.

As ladeiras de pedra ainda guardam casario colonial. Do mirante da igreja, no alto do penhasco, abre-se a vista do estuário, dos manguezais e da baía. A vila mantém o ritmo pacato de uma comunidade de pescadores, de acesso difícil por terra.

Maraú, Bahia // Créditos: Wikimedia Commons

A usina inglesa que o tempo engoliu

Um capítulo inesperado liga a península ao Império Britânico. Por volta de 1860, a Inglaterra venceu uma concorrência para instalar em Maraú uma usina de destilação de querosene, às margens do Rio Maraú.

A fábrica funcionou por cerca de quatro anos. Empregava centenas de operários e tinha até uma pequena ferrovia interna com duas locomotivas, produzindo querosene, sabão e velas, segundo registros históricos do município. Encerradas as atividades, restaram no local apenas ruínas e trilhos enferrujados.

O mar que vira aquário na maré baixa

O cartão-postal natural está na praia de Taipu de Fora. A cerca de 1 km da areia, uma barreira de corais protege a costa e, na maré baixa, forma grandes piscinas naturais de água cristalina.

O efeito impressiona. Entre os corais nadam peixes coloridos, o que dá a sensação de mergulhar dentro de um aquário a céu aberto. As piscinas aparecem com mais força nas luas nova e cheia, quando a maré recua mais, ideais para o mergulho livre.

O que fazer na Península de Maraú?

O destino combina praias, baía e natureza preservada. Entre os principais programas, destacam-se:

  • Taipu de Fora: as piscinas naturais de coral, com mais de 7 km de areia e coqueiros nativos.
  • Ponta do Mutá: extremo norte da península, em Barra Grande, com um dos pores do sol mais elogiados da Bahia.
  • Morro do Farol: mirante com vista de 360 graus das praias, dunas e da Lagoa Azul.
  • Lagoa do Cassange: lagoa de água doce de 8 km, atrás da praia homônima, boa para caiaque.
  • Passeio pelas ilhas da Baía de Camamu: barco com paradas em ilhas e na Cachoeira de Tremembé.

Quem deseja planejar a viagem perfeita para o paraíso das águas cristalinas, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal VPM | Viagens pelo mundo, que conta com mais de 59 mil visualizações. No conteúdo, o canal VPM | Viagens pelo mundo mostra um roteiro completo com preços, as piscinas naturais de Taipu de Fora, passeios de lancha pelas ilhas, dicas de onde comer e se hospedar em Barra Grande, além de tudo o que você precisa saber sobre a Península de Maraú, Bahia.

Quando é a melhor época para visitar?

Os meses de setembro a fevereiro costumam ser os mais indicados, com menos chuva e marés baixas que revelam as piscinas naturais. Vale consultar a tábua das marés e mirar as luas nova e cheia para ver Taipu de Fora no auge.

Entre março e abril, as chuvas castigam a estrada de terra, e o barco passa a ser a opção mais segura de acesso. O acesso principal é pela cidade de Camamu, de onde saem embarcações até Barra Grande.

Leia também: O mar de Minas Gerais que poucos conhecem: com águas esverdeadas e um queijo reconhecido internacionalmente como Patrimônio Imaterial da Humanidade

Conheça a península que esconde mais que praias

A Península de Maraú reúne piscinas de coral, uma vila colonial no alto do penhasco e relíquias de um passado industrial improvável no sul da Bahia. Poucos destinos do litoral brasileiro juntam tanta natureza e história em uma faixa tão estreita de terra.

Vale enfrentar a travessia até Barra Grande, subir ao mirante da cidade velha e mergulhar nas piscinas de Taipu de Fora.

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