Governo Lula mira investimento bilionário da China para impulsionar turismo no Brasil
Investimento chinês no turismo brasileiro é alvo de estratégia com projetos de até R$ 22 bilhões e isenção de visto para visitantes da China
247 - O governo Lula (PT) busca ampliar o investimento chinês no turismo brasileiro como parte de uma estratégia para atrair mais visitantes estrangeiros e fortalecer áreas como hotelaria, infraestrutura turística, parques, cruzeiros e experiências ligadas à natureza. A iniciativa envolve projetos que, somados, podem alcançar US$ 4,5 bilhões, o equivalente a cerca de R$ 22 bilhões, informa a Folha de São Paulo.
Uma das principais medidas adotadas pelo Ministério do Turismo foi a tradução para o mandarim de um guia de investimentos elaborado em parceria com o Banco de Desenvolvimento da América Latina e do Caribe e a ONU Turismo. O material reúne oportunidades no setor turístico brasileiro e foi adaptado para reduzir barreiras de comunicação com empresários e grupos investidores da China.
Entre os projetos destacados no guia está o Polo Turístico Cabo Branco, em João Pessoa, na Paraíba. O empreendimento prevê a destinação de 1,3 milhão de metros quadrados para a construção de um complexo turístico que, segundo o Ministério do Turismo, será o maior do Nordeste quando estiver concluído.
Além da escala dos projetos, o governo aposta em incentivos fiscais como um dos atrativos para investidores estrangeiros. A estratégia, de acordo com o ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, mira segmentos considerados prioritários e tem a China como foco por sua relevância no mercado global de viagens.
“Os chineses têm investido bastante no nosso país e nós fizemos a tradução do guia em mandarim para que a barreira da língua seja vencida”, afirmou Feliciano.
Dados da Trip, principal plataforma de turismo em operação na China, indicam que o Brasil é o destino mais buscado por turistas chineses que viajam para a América do Sul. Apesar desse interesse, parte significativa da procura ainda está relacionada a viagens de negócios, como participação em feiras e reuniões, atividades permitidas pela categoria de visto.
A aproximação econômica entre Brasil e China também sustenta a aposta do governo no turismo. Em 2025, o Brasil foi o principal destino dos investimentos chineses, com recorde no número de projetos de empresas da China no país, segundo levantamento do Conselho Empresarial Brasil-China. O volume chegou a US$ 6,1 bilhões, cerca de R$ 30 bilhões, alta de 45% em relação a 2024.
“Nós já temos uma relação comercial com a China muito forte. A China é o maior parceiro comercial do Brasil, então o turismo corporativo, turismo de negócio, ele já tá bastante aquecido. E a gente espera crescer também o turismo de lazer e de recreação”, disse o ministro.
Outro ponto central da estratégia é a isenção de visto para chineses, em vigor desde o início deste mês. Com a mudança, turistas da China podem permanecer no Brasil sem visto por até 30 dias por ano.
A decisão foi adotada em reciprocidade à dispensa de visto concedida por Pequim a brasileiros que viajam à China. No caso chinês, a isenção é mais ampla e permite que brasileiros fiquem no país sem visto por 30 dias a cada entrada em território chinês.
A dispensa chinesa foi anunciada em junho do ano passado, dentro de um pacote que também retirou a exigência de visto para cidadãos de outros países. A contrapartida brasileira já estava prevista, mas levou mais tempo para ser oficializada.
O governo brasileiro pretendia formalizar a medida por meio de um acordo bilateral. Para os chineses, porém, esse formato não fazia sentido, já que a isenção concedida aos brasileiros fazia parte de uma decisão mais ampla. A solução foi uma troca de notas publicada em abril, quando o chanceler chinês, Wang Yi, assinou de forma retroativa a retirada da exigência, que já estava em vigor desde o ano anterior.



