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Haiti mira jogo histórico contra o Brasil na Copa

Técnico Sébastien Migné valoriza duelo com a seleção brasileira e diz que equipe haitiana quer orgulhar torcedores no Mundial

Sébastien Migné (Foto: Reprodução (YT))
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247 - O Haiti mira um jogo histórico contra o Brasil na Copa do Mundo, e o técnico Sébastien Migné tratou o duelo desta sexta-feira (19) como uma chance rara para a seleção caribenha mostrar força diante de um dos maiores nomes do futebol mundial. O treinador concedeu entrevista após Carlo Ancelotti, técnico da seleção brasileira, e repetiu em diferentes momentos que o Haiti precisa “estar à altura” do desafio válido pela segunda rodada do Mundial. Os relatos foram publicados no jornal Folha de S.Paulo

O técnico adotou um tom de respeito ao falar de Ancelotti e da seleção brasileira. Ele afirmou que enfrentar o Brasil representa uma experiência especial, mas também cobrou postura competitiva de sua equipe diante da responsabilidade do jogo.

"Estar diante daquilo que há de melhor é mais do que gratificante, desde que eu esteja à altura da ocasião. Encontrei o Ancelotti em algumas ocasiões, ele sempre foi muito gentil, tratou-me muito bem. Tentarei ser respeitoso e um bom adversário", afirmou.

Migné levou o mesmo raciocínio ao elenco haitiano. Para ele, os jogadores precisam encarar a partida como uma oportunidade histórica, especialmente porque o país voltou à Copa do Mundo após mais de cinco décadas de ausência.

"Fazia 52 anos que o Haiti não estava na Copa do Mundo. Amanhã, temos uma oportunidade histórica de jogar contra o Brasil. Teremos de ficar à altura, é o que desejam os torcedores haitianos. Queremos deixá-los orgulhosos. Temos muita sorte. Muitos gostariam de estar neste lugar e não se classificaram", acrescentou.

A fala do treinador mostra que o Haiti não pretende tratar sua presença no torneio apenas como participação simbólica. Mesmo com o peso da história brasileira e com a diferença de tradição entre as seleções, Migné afirmou que a equipe caribenha tem ambição esportiva dentro da competição.

O Haiti disputa sua segunda Copa do Mundo. A primeira participação ocorreu em 1974, quando a seleção perdeu os três jogos. O país ainda busca seu primeiro ponto na história do torneio, mas o treinador afirmou que não quer prender o grupo ao passado. "Não fico muito interessado no que aconteceu anteriormente. Estou interessado no que vai acontecer agora", afirmou.

A seleção haitiana estreou em 2026 com derrota por 1 a 0 para a Escócia, em uma partida marcada por equilíbrio e questionamentos à arbitragem. Migné avaliou que o desempenho mostrou que o time tem condições de competir no Mundial. "Mostramos que nossa vaga nesta Copa do Mundo não foi usurpada. E teremos uma vitrine bonita para exibir o que fazemos."

O treinador também citou a realidade difícil do Haiti, país que enfrenta grave crise social e violência causada por gangues. Por causa desse contexto, Migné conduz o trabalho da seleção sem atuar diretamente no território haitiano.

A distância impôs limitações ao técnico. Ele contou que manteve contato com parte dos jogadores apenas por mensagens e lamentou não poder trabalhar no país. Mesmo assim, destacou que a seleção pode oferecer um momento de emoção coletiva para a população haitiana.

"Quando a gente se lança nesta profissão, como jogador, como técnico, é para viver este tipo de emoção, muito forte. O haitiano tem mais momentos difíceis do que fáceis, e o futebol nos oferece a oportunidade de viver grandes emoções. Que não tenhamos arrependimentos e que a população tenha orgulho", declarou.

Migné também permitiu que o sonho de uma vitória contra o Brasil aparecesse em sua entrevista. A possibilidade parece distante pelo peso do adversário, mas o técnico a tratou como uma imagem capaz de mobilizar o país. "Uma vitória seria loucura total".

O confronto contra a seleção brasileira chega, assim, como um dos momentos mais relevantes da trajetória recente do futebol haitiano. Para Migné, o duelo reúne respeito, desafio e a chance de fazer o Haiti competir diante de uma vitrine global, em uma partida que pode marcar a retomada do país no palco mais importante do futebol.

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