Lula denuncia descaso histórico das elites com o sistema educacional público
Presidente defende educação pública como direito de todos e diz que estudantes da Obmep provam a força da escola brasileira
247 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta segunda-feira (22), no Rio de Janeiro, que a educação pública deve ser tratada como instrumento central de igualdade de oportunidades no Brasil. Em discurso na Cerimônia Nacional de Premiação da 20ª Edição da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (Obmep), ele destacou o desempenho dos estudantes da rede pública e criticou o preconceito histórico contra alunos mais pobres.
Lula abriu a fala conversando com estudantes medalhistas e perguntando sobre seus sonhos, o orgulho das famílias e o impacto da participação na Olimpíada de Matemática. Em seguida, afirmou que a Obmep mostrou ao país que jovens da escola pública podem alcançar grandes resultados quando recebem oportunidade.
“Vocês não têm noção do preconceito que mesmo dentro do meu governo tinha com relação à escola pública. Eu cansei de ouvir as pessoas dizer, "ô, Lula, você é louco". Os alunos da escola pública não estão preparados. Eles não gostam disso, eles não vão participar disso”, disse.
O presidente lembrou que a primeira edição da Obmep reuniu 10 milhões de estudantes e que, no ano seguinte, mesmo sem divulgação nas escolas por causa de restrições eleitorais, o número subiu para 14 milhões. Para ele, o crescimento da Olimpíada provou que o interesse pelo conhecimento depende de acesso e estímulo.
“É que todo mundo gosta de tudo se tiver a oportunidade de conhecer”, afirmou. “As Olimpíadas da Matemática, hoje, são um sucesso extraordinário e quase 99% das prefeituras se inscrevem e quase 99% das escolas participam.”
Lula defendeu a criação e o fortalecimento de olimpíadas em outras áreas, como ciência, português e física, para estimular leitura, pesquisa e aprendizado. Segundo ele, o Brasil precisa garantir um nível educacional igual ou superior ao de qualquer país.
Em um dos trechos mais fortes do discurso, o presidente relacionou a desigualdade educacional ao papel histórico das elites. Ele disse ser o único presidente da República sem diploma universitário e questionou por que governos comandados por pessoas altamente formadas não transformaram a educação em direito efetivo de todos.
“Esse país já teve tantos doutores, esse país já teve tantos reitores, ministros da educação, que são doutores. A minha pergunta é por que essa gente nunca se preocupou em fazer com que a educação no Brasil fosse um direito de todos”, declarou.
Lula afirmou que a origem social não pode definir o futuro de uma criança. Para ele, o Estado deve garantir que filhos de trabalhadores, indígenas, negros e jovens pobres disputem as mesmas oportunidades que estudantes de famílias ricas.
“A obrigação do Estado é garantir que a filha da empregada doméstica, ela possa disputar a mesma vaga na universidade que a filha do seu patrão”, disse. “Nós não queremos tirar ninguém. O que nós queremos é colocar todos.”
Ao encerrar, o presidente pediu que os estudantes não desistam de seus sonhos e usou sua própria trajetória como exemplo de superação. “Se aquele nordestino venceu, todos vocês podem vencer”, afirmou. “Então levantem a cabeça e sejam o que vocês quiserem, porque o Brasil precisa de vocês.”



