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Tardelli:“Jaques Wagner traiu a amizade de Lula”

Para Roberto Tardelli, permanência do senador na liderança do governo tornou-se insustentável diante das suspeitas investigadas pela PF

Jaques Wagner (Foto: Carlos Moura/Agência Senado)
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247 - O procurador de Justiça aposentado Roberto Tardelli afirmou que o senador Jaques Wagner (PT-BA) deveria deixar a liderança do governo no Senado após a operação da Polícia Federal que o colocou no centro da investigação sobre relações com o empresário Daniel Vorcaro e pessoas ligadas ao Banco Master. Em entrevista ao programa Bom Dia 247, Tardelli sustentou que a permanência do parlamentar no cargo pode gerar danos políticos ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e à campanha governista.

Segundo Tardelli, a decisão judicial que autorizou buscas e apreensões contra Wagner não se baseia em especulações, mas em elementos considerados concretos pela investigação. Ele ressaltou que o princípio da presunção de inocência deve ser preservado, mas avaliou que o conjunto de fatos apresentados tornou inviável a continuidade do senador na função de líder do governo.

“Jaques Wagner não tem mais a menor condição de continuar na liderança do governo. Acho que ele deveria ter a grandiosidade de pedir para sair, porque não pode levar uma questão pessoal dele para dentro da campanha do presidente Lula”, afirmou.

O ex-procurador destacou especialmente as suspeitas relacionadas à negociação de um apartamento de alto valor envolvendo um investidor ligado ao grupo investigado. De acordo com os elementos citados durante a entrevista, a filha do senador teria interesse na aquisição do imóvel e um empresário teria sido acionado para comprá-lo inicialmente, com a possibilidade de posterior transferência.

Para Tardelli, a explicação apresentada até agora não esclarece de forma satisfatória as circunstâncias do negócio. Ele observou que a troca de mensagens mencionada pela investigação contém referências que, na avaliação dele, exigem esclarecimentos adicionais por parte do senador.

Além do episódio do apartamento, o jurista citou informações sobre viagens em jatinhos particulares, ingressos para eventos nos Estados Unidos e outras vantagens atribuídas pela investigação a pessoas ligadas ao grupo empresarial. Segundo ele, esses elementos compõem um quadro que ultrapassa uma controvérsia administrativa e passa a produzir efeitos políticos diretos.

Ao abordar a relação entre Lula e Jaques Wagner, Tardelli afirmou que a proximidade histórica entre os dois torna o caso ainda mais sensível. Para ele, o senador deveria ter adotado medidas para evitar que as suspeitas atingissem o governo federal.

“Na verdade, eu acho que ele traiu a amizade do presidente”, declarou.

O ex-procurador também afirmou que a investigação produz consequências para além da situação individual do senador. Segundo sua avaliação, o caso afeta parlamentares aliados, candidatos do campo governista e o próprio Partido dos Trabalhadores, uma vez que Wagner ocupa posição de destaque na legenda e mantém relação política próxima com o presidente da República.

Tardelli disse ainda que, diante do estágio atual das apurações, a estratégia mais adequada seria o afastamento do cargo de liderança para que o senador concentre sua atuação na própria defesa. Na visão dele, a questão deve ser tratada como um problema pessoal do parlamentar, sem contaminação da estrutura de governo.

Durante a entrevista, o jurista voltou a defender que as investigações prossigam normalmente e destacou que a decisão judicial examinada por ele apresenta fundamentação baseada em dados reunidos pela Polícia Federal. Para Tardelli, caberá agora ao senador responder aos questionamentos levantados pela investigação e apresentar esclarecimentos sobre os fatos apontados pelas autoridades.

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