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Campanha de Lula defende afastamento de Jaques Wagner para conter desgaste após ação da PF

Avaliação é que a crise envolvendo o líder do governo no Senado já produz impactos políticos para a campanha presidencial

Jaques Wagner e Presidente Lula (Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado/Ricado Stuckert / PR)
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247 - A coordenação da campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) passou a defender a saída do senador Jaques Wagner (PT-BA) da liderança do governo no Senado diante do avanço das investigações relacionadas ao caso Banco Master. A avaliação predominante dentro do partido é a de que a crise já provoca reflexos políticos para o presidente.

Segundo o jornal O Estado de São Paulo, dirigentes petistas reunidos nesta segunda-feira (22) concluíram que Wagner deveria deixar o cargo o mais rapidamente possível para concentrar sua defesa fora da liderança governista. A orientação também prevê que o PT reforce publicamente o apoio às investigações, independentemente dos envolvidos.

Pressão cresce dentro do PT

O debate ocorreu durante uma reunião reservada da coordenação da campanha de Lula. Integrantes da cúpula petista demonstraram preocupação com os efeitos eleitorais do caso e com a possibilidade de que o episódio amplie desgastes para o governo.

Levantamentos analisados pela equipe de campanha indicam que a disputa presidencial pode estar mais equilibrada do que apontam as pesquisas divulgadas publicamente. Embora o senador Flávio Bolsonaro (PL) tenha sofrido desgaste após revelações sobre sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, avaliações internas apontam que esse impacto perdeu força.

Ao mesmo tempo, integrantes do partido avaliam que as investigações envolvendo Wagner reacenderam, em parte do eleitorado, associações entre o PT e episódios de corrupção que marcaram o debate político nacional em anos anteriores.

Participaram da reunião da coordenação da campanha o presidente nacional do PT, Edinho Silva, o ex-presidente da Petrobras José Sergio Gabrielli, o senador Camilo Santana, a vereadora Luna Zarattini, Gilberto Carvalho, Paulo Okamotto, José de Filippi Júnior, Monica Valente e integrantes da direção nacional do partido.

Lula deve tratar do assunto com Wagner

Até a reunião desta segunda-feira, Jaques Wagner resistia à possibilidade de deixar a liderança do governo. O senador argumentava que uma eventual saída poderia ser interpretada como admissão de culpa. Ele nega ter recebido qualquer vantagem indevida relacionada ao Banco Master.

Apesar disso, setores do PT e do governo consideram que a permanência do parlamentar no cargo se tornou politicamente difícil. O presidente Lula deverá discutir pessoalmente o tema com Wagner em encontro previsto para esta quarta-feira (24), em Brasília.

Nos bastidores, cresce a defesa do nome da senadora Teresa Leitão (PT-PE) para assumir a liderança governista no Senado. Aliados argumentam que ela reúne condições políticas para ocupar a função sem estar vinculada às disputas internas em torno da crise.

Bahia preocupa estrategistas da campanha

A situação ganha ainda mais relevância por envolver lideranças petistas da Bahia, estado considerado fundamental para os planos eleitorais do presidente. Em 2022, Lula conquistou 72,12% dos votos válidos no segundo turno no estado.

Dirigentes temem que novas revelações possam atingir não apenas Jaques Wagner, mas também outras figuras importantes do PT da Bahia, uma vez que Daniel Vorcaro teria mencionado integrantes do PT local em suas tratativas de delação premiada.

Estratégia é defender investigações e preservar aliado

Mesmo defendendo a saída de Wagner da liderança, dirigentes petistas avaliam que o partido deve manter publicamente sua confiança no senador. A preocupação é evitar que a mudança seja interpretada como abandono político de um dos principais quadros históricos da legenda.

A estratégia em discussão prevê sustentar que eventual afastamento ocorrerá para permitir que o senador exerça sua defesa de forma mais adequada, sem que isso represente julgamento prévio sobre as acusações.

O que dizem as investigações

Jaques Wagner foi alvo da nona fase da Operação Compliance Zero. Segundo as investigações, ele teria recebido vantagens indevidas relacionadas ao Banco Master, incluindo a compra de um apartamento avaliado em R$ 2,5 milhões em Salvador e um repasse de R$ 3,5 milhões para uma empresa ligada ao seu enteado. os investigadores também apreenderam US$ 55 mil, 33 mil euros e 13 relógios em um dos endereços vinculados ao senador.

Em sua defesa, Wagner afirma que os valores encontrados são provenientes de diárias recebidas legalmente em viagens internacionais realizadas como senador. Segundo ele, as despesas dessas missões foram pagas com cartão de crédito, o que teria permitido a preservação dos recursos em espécie.

Sobre o apartamento citado pela Polícia Federal, o senador sustenta que solicitou ao investidor Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro, a compra do imóvel enquanto o empreendimento ainda estava em construção, com o compromisso de adquiri-lo posteriormente para sua filha morar.

A defesa afirma que "nunca houve", por parte de Wagner, "atuação, intermediação, negócio ou tratativa envolvendo projetos do Banco Master".

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