Futuro de Jaques Wagner será definido em "conversa difícil" com Lula, avaliam aliados
Senador resiste em deixar a liderança do governo no Senado e deverá tratar do tema diretamente com o presidente Lula
247 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Jaques Wagner (PT-BA) devem se reunir nos próximos dias em um encontro considerado decisivo para o futuro do parlamentar na liderança do governo no Senado. Segundo a coluna de Igor Gadelha, on Metrópoles, aliados do senador avaliam que a conversa tende a ser “difícil” diante da pressão política que se intensificou nos últimos dias.
Interlocutores de Wagner acreditam que Lula poderá abordar a permanência do petista na liderança governista, diante das cobranças de setores do Palácio do Planalto preocupados com possíveis desgastes políticos para o governo.
Pressão por mudança na liderança
Nos bastidores, cresce a avaliação de que uma eventual substituição na liderança do governo no Senado poderia reduzir impactos políticos para a administração federal e evitar reflexos negativos sobre o projeto de reeleição de Lula em 2026.
Jaques Wagner passou a enfrentar maior pressão após ter sido alvo de uma operação da Polícia Federal relacionada ao caso Master, na semana passada. Apesar disso, o senador sustenta que uma saída imediata do cargo poderia ser interpretada como reconhecimento de culpa, embora ele não seja réu no inquérito.
Segundo aliados ouvidos pela reportagem, Wagner não pretende criar atritos com Lula. Caso a decisão seja pela saída da liderança, porém, o senador deseja expressar pessoalmente ao presidente sua insatisfação com o processo “olho no olho”.
Estratégia para uma eventual saída
De acordo com pessoas próximas ao parlamentar, o objetivo é evitar que uma eventual mudança seja associada exclusivamente à investigação conduzida pela Polícia Federal.
Uma das alternativas discutidas seria o pedido de licença da liderança, sob o argumento de que o senador pretende dedicar mais tempo à sua defesa e à preparação da campanha eleitoral de 2026, quando buscará a reeleição ao Senado.
Em entrevista concedida à BandNews no dia 18 de junho, mesma data em que foi alvo da operação policial, Wagner rejeitou a hipótese de deixar o cargo naquele momento. Segundo o senador, Lula não havia feito qualquer pedido para sua saída da liderança.
Pressão interna no PT
Além das pressões externas, Wagner também enfrenta resistência dentro do próprio Partido dos Trabalhadores. Nos bastidores, integrantes da legenda defendem uma renovação no comando da liderança governista no Senado.
Entre os nomes mais citados para uma eventual sucessão está o do senador e ex-ministro da Educação Camilo Santana (PT-CE), apontado por lideranças petistas como um dos favoritos para assumir a função caso Jaques Wagner deixe o posto.



