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BNDES financia 85 mil bicicletas elétricas para entregadores

Projeto de R$ 340 milhões prevê aluguel mais barato, fabricação nacional e redução de emissões no setor de entregas por aplicativo

BNDES financia 85 mil bicicletas elétricas para entregadores (Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil)
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247 - O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) aprovou financiamento de R$ 340 milhões para a Tembici Participações S.A. adquirir até 85 mil bicicletas elétricas destinadas ao aluguel por entregadores de plataformas digitais. O projeto, desenvolvido em parceria com o iFood, busca reduzir custos, elevar a produtividade dos trabalhadores e ampliar o uso da micromobilidade elétrica nas cidades.

As informações são da Agência BNDES. O anúncio foi feito nesta segunda-feira (22), durante a cerimônia de aniversário de 74 anos do banco, com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ministros de Estado e outras autoridades.

Os recursos virão do Fundo Clima. Segundo o BNDES, a iniciativa combina impacto social e climático ao oferecer uma alternativa de transporte mais barata, com menor custo de manutenção e potencial de reduzir emissões. Atualmente, cerca de 5 mil e-bikes estão disponíveis para locação por entregadores no país.

O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, afirmou que o projeto permitirá ampliar de forma significativa o acesso dos entregadores às bicicletas elétricas.

“São 85 mil bicicletas elétricas que vamos disponibilizar. A parte social é ainda mais importante, porque o menino que entrega hoje de bicicleta vai para a elétrica. Se quiser comprar, vai comprar com desconto. Se quiser arrendar vai pagar apenas R$ 71,25 por semana e fica com a bicicleta elétrica no final de semana. Isso vai aumentar muito o retorno por corrida, a remuneração e muito mais qualidade em relação ao esforço que o entregador precisa fazer”, disse Mercadante.

Pelo modelo atual, o iFood subsidia quase metade do valor semanal do aluguel das e-bikes, o que deixa o custo final em torno de R$ 95 por semana para o entregador. Com o novo projeto financiado pelo BNDES, a Tembici ampliará o subsídio em mais 25% nos 12 primeiros meses para os trabalhadores que adotarem as bicicletas elétricas nas entregas.

Com isso, o valor pago pelo entregador cairá para R$ 71,25 por semana nesse primeiro período. A partir do 13º mês, o custo será de R$ 85,50, o equivalente a uma redução de 10% em relação ao valor atual.

Os contratos funcionarão por meio de aluguéis semanais renováveis. Durante a vigência da locação, os entregadores terão a posse temporária das e-bikes, que poderão ser usadas tanto para o trabalho quanto para deslocamentos pessoais, como o trajeto até casa e outras finalidades. A estimativa do projeto é que os veículos sejam utilizados para fins não logísticos durante 58% do tempo.

Segundo Mercadante, a iniciativa também busca evitar que entregadores migrem de bicicletas mecânicas para motos a combustão em busca de maior produtividade.

“O projeto aprovado pelo BNDES atende ao compromisso do governo do presidente Lula com a melhoria das condições de trabalho dos entregadores que se tornaram essenciais no dia a dia dos brasileiros. Além evitar a potencial migração de bicicletas mecânicas para motos à combustão na busca por maior produtividade, as bicicletas elétricas vão evitar a emissão de 107,2 mil toneladas de CO₂ equivalente até 2032, volume que equivale à capacidade de sequestro de carbono de aproximadamente 1 milhão de árvores adultas”, afirmou.

De acordo com o projeto, serão compradas 42,5 mil bicicletas elétricas até o fim de 2027. Outras 42,5 mil unidades serão destinadas à reposição da frota até 2031.

A iniciativa será liderada pela Tembici, empresa de micromobilidade que atua em capitais brasileiras e em cidades de outros países da América Latina. As bicicletas serão fabricadas no Brasil, em parceria com a indústria nacional, a partir de um modelo desenvolvido para atender às necessidades específicas dos entregadores.

Tomás Martins, CEO e cofundador da Tembici, afirmou que o projeto busca unir mobilidade elétrica, geração de renda e inclusão produtiva.

“Acreditamos que a bicicleta tem o poder de transformar cidades e criar oportunidades. Este projeto amplia o acesso à mobilidade elétrica para entregadores, promovendo mais eficiência, redução de custos e geração de renda, enquanto contribui para um modelo de desenvolvimento urbano mais sustentável. Esse é o propósito da Tembici: conectar empresas, governos e a sociedade em torno de soluções que geram impacto positivo para as pessoas e para as cidades. É um exemplo de como inovação e inclusão podem caminhar juntas para transformar realidades”, disse.

O iFood também participa da expansão do modelo por avaliar que as bicicletas elétricas podem aumentar a eficiência das entregas, reduzir custos operacionais e ampliar oportunidades de geração de renda para trabalhadores da plataforma.

Luana Ozemela, CSO e vice-presidente de Impacto e Sustentabilidade do iFood, afirmou que a ampliação do acesso às e-bikes pode gerar efeitos sociais, econômicos e ambientais.

“Ao ampliar o acesso às bicicletas elétricas, estamos criando condições para que milhares de entregadores possam aumentar sua capacidade de gerar renda, com mais autonomia, eficiência e menor custo operacional. É uma forma de transformar inovação em impacto real, promovendo inclusão produtiva, desenvolvimento econômico e cidades mais sustentáveis”, declarou.

Segundo a Tembici, a empresa já contabiliza mais de 300 milhões de deslocamentos com bicicletas compartilhadas em cidades como Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Salvador, Recife, Brasília, Curitiba, Florianópolis e Porto Alegre, além de Santiago, Buenos Aires e Bogotá. A companhia afirma ainda que, nos últimos anos, suas operações resultaram em uma economia potencial de 47 mil toneladas de CO₂ que poderiam ser lançadas na atmosfera.

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