Petrobras e BNDES anunciam vencedores do primeiro leilão do ProFloresta+ para restauração da Amazônia
Iniciativa prevê compra de 5 milhões de créditos de carbono, mobilização de R$ 450 milhões e plantio de mais de 25 milhões de árvores nativas
247 - A Petrobras e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) divulgaram nesta segunda-feira (22) os vencedores do primeiro leilão do ProFloresta+, programa voltado à aquisição de créditos de carbono de alta integridade gerados por projetos de restauração ecológica na Amazônia. O anúncio foi realizado no Rio de Janeiro durante as comemorações pelos 74 anos do banco de fomento. As informações foram divulgadas pela Agência Petrobras.
Foram selecionadas três empresas responsáveis pelo desenvolvimento dos projetos. A Systemica conquistou um lote correspondente a 2 milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente (tCO₂e), com preço de US$ 55,33 por tonelada. A brCarbon também venceu um lote de 2 milhões de tCO₂e, ao valor de US$ 55,76 por tonelada. Já a re.green foi escolhida para fornecer 1 milhão de tCO₂e, ao preço de US$ 73,82 por tonelada.
O leilão prevê que a Petrobras adquira, ao todo, 5 milhões de créditos de carbono oriundos de projetos de restauração com espécies nativas da Amazônia. A expectativa é que a iniciativa impulsione cerca de R$ 450 milhões em investimentos apenas na etapa de plantio, gere aproximadamente 6,3 mil empregos verdes, possibilite o cultivo de mais de 25 milhões de árvores nativas e contribua para a captura de 5 milhões de toneladas de carbono.
Para o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, o resultado demonstra o potencial brasileiro para liderar uma nova economia sustentável baseada na recuperação ambiental e na valorização da biodiversidade.
“Este resultado mostra que o Brasil tem condições de liderar uma nova economia global baseada na restauração, na biodiversidade e na geração de créditos de carbono de alta integridade. O ProFloresta+ combina demanda firme, financiamento de longo prazo e transparência na formação de preços, criando segurança para investidores e escala para recuperar áreas degradadas da Amazônia. É uma iniciativa inovadora, construída com a Petrobras, que transforma a floresta em ativo econômico, climático e social para o Brasil, sob liderança do presidente Lula”, afirmou.
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, destacou o papel do programa na recuperação ambiental e no fortalecimento da cadeia produtiva da restauração florestal.
“O ProFloresta+ inaugura um mecanismo inovador e efetivo para recuperação ecológica da Amazônia, que traz benefícios para todos os atores envolvidos. Contribuirá para que a Petrobras atenda a seus compromissos climáticos de net zero, ao mesmo tempo em que viabiliza o desenvolvimento do setor de restauração florestal do país, que passa a ter a garantia de retorno para seus investimentos com a demanda firme de compra de créditos pela Petrobras. É uma iniciativa rentável para as empresas, para comunidades locais e para o meio ambiente”, declarou.
Criado em parceria entre Petrobras e BNDES, o ProFloresta+ busca enfrentar um dos principais desafios do mercado voluntário de carbono: a falta de compradores com demanda garantida para créditos de alta integridade. O modelo estabelece contratos públicos de longo prazo, com aquisição assegurada pela Petrobras, além de facilitar o acesso dos projetos selecionados a linhas de financiamento oferecidas pelo BNDES.
O programa também marca um avanço na transparência do mercado de carbono brasileiro. Pela primeira vez, será divulgado o preço negociado em uma operação pública de créditos de carbono provenientes da restauração ecológica. Os contratos têm duração de 25 anos e incluem rigorosos critérios socioambientais e de integridade.
A diretora Socioambiental do BNDES, Tereza Campello, afirmou que a iniciativa representa uma nova fase para o setor de restauração ecológica no país.
“O ProFloresta+ inaugura uma nova etapa para a restauração ecológica no Brasil. Estamos falando de projetos com espécies nativas, com biodiversidade, com geração de empregos verdes e com impacto direto na reconstrução da floresta amazônica. O BNDES entra com instrumentos financeiros capazes de dar escala a esse mercado, e a Petrobras entra como compradora de créditos de alta integridade. Essa combinação é decisiva para transformar a restauração em uma atividade economicamente viável e socialmente inclusiva”, ressaltou.
Os projetos vencedores poderão acessar condições especiais de crédito oferecidas pelo BNDES. Entre as opções está o Fundo Clima – Florestas Nativas, que disponibiliza taxas de juros em torno de 2% ao ano, prazo de financiamento de até 25 anos, período de carência próximo de cinco anos e limite de até R$ 250 milhões por empreendimento.
Segundo as instituições, o ProFloresta+ poderá alcançar, em futuras etapas, a contratação de até 15 milhões de toneladas de créditos de carbono, promovendo a restauração de até 50 mil hectares de áreas degradadas na Amazônia por meio de novos editais.
A iniciativa integra a estratégia BNDES Florestas, plataforma criada para ampliar o financiamento, a inovação e o apoio técnico à restauração ecológica e à bioeconomia florestal em larga escala. O desenvolvimento do programa contou com apoio técnico do escritório Mattos Filho, do Imaflora, da Agroícone e do Instituto Clima e Sociedade, além de contribuições recebidas durante consulta pública.
Lançado em março de 2025, o ProFloresta+ tem como objetivo estimular a recuperação de áreas degradadas na Amazônia por meio da geração e comercialização de créditos de carbono, fortalecendo o mercado voluntário brasileiro e contribuindo para as metas climáticas das empresas participantes.



