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Com minerais críticos, “Petrobras quer dominar o cenário de tecnologia no Brasil”, diz Magda Chambriard

Presidente da Petrobras defende parceria com o BNDES em minerais críticos e aposta em tecnologia nacional para agregar valor no Brasil

Presidente da Petrobras, Magda Chambriard, (Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)
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247 - A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou nesta segunda-feira (22), durante a solenidade de abertura do seminário comemorativo dos 74 anos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), que a estatal quer ampliar sua atuação tecnológica no país por meio da cadeia de minerais críticos, setor considerado estratégico para a eletrificação, a transição energética e o desenvolvimento industrial brasileiro.

Em discurso na cerimônia, Magda destacou a relação histórica entre Petrobras e BNDES e associou a atuação das duas instituições ao desenvolvimento nacional. A presidente da estatal afirmou que as empresas têm papel central na modernização produtiva e tecnológica do Brasil.

“Se tem alguma coisa que une o BNDES e a Petrobras neste momento de celebração de 74 anos do BNDES e 72 da Petrobras é o propósito de trabalhar em benefício da sociedade brasileira. A gente tem que celebrar o esforço das instituições nacionais que vêm trabalhando ao longo dessas mais de sete décadas em benefício do desenvolvimento do Brasil”, afirmou.

Segundo Magda, o momento atual combina avanço econômico, disponibilidade de recursos para a indústria e queda do desemprego. “É por isso e por elas que estamos aqui hoje, com o Brasil progredindo, com recursos disponíveis para a expansão da indústria e com o menor índice histórico de desemprego do país”, disse.

Parceria renovada entre Petrobras e BNDES

A presidente da Petrobras afirmou que as duas instituições são contemporâneas e têm assumido novas responsabilidades diante do avanço global da ciência e da tecnologia. Ela citou o programa Mar Aberto como exemplo de uma das frentes recentes de cooperação entre Petrobras e BNDES.

“Somos empresas contemporâneas, que assumimos nosso papel no estágio de modernidade da ciência e tecnologia a nível mundial. Nos últimos anos, essa nossa parceria se renovou em diversas frentes. Falamos do programa Mar Aberto”, declarou.

Magda também relatou uma orientação recebida do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao assumir a presidência da Petrobras. Segundo ela, Lula pediu que a estatal contribuísse para impulsionar o crescimento econômico do país.

“Quando eu fui indicada, com muita honra, pelo presidente Lula, para presidir a Petrobras, ele me disse: ‘Magda, preciso que você me ajude a empurrar o PIB do Brasil’”, afirmou.

A presidente da estatal relacionou esse papel à retomada da indústria naval, setor diretamente ligado à atuação da Petrobras no mar. Ela lembrou que o país já havia alcançado mais de 80 mil empregos na indústria naval e que, posteriormente, esse número havia caído para pouco mais de 22 mil.

“E nesse PIB a gente tem um papel crucial, porque a gente atua no mar, e mar tem a ver com a indústria naval. O presidente falava assim: ‘no passado já tivemos mais de 80 mil empregos na indústria naval, e agora estamos em 22 mil e pouco’. E a gente assumiu esse desafio, começamos a contratar, otimizamos nossa frota de barcos de apoio para exploração e produção de petróleo, a construção de plantas de processo para plataformas de produção de petróleo. E hoje já estamos voltando para a casa dos 80 mil empregos na indústria naval brasileira”, disse.

Para Magda, a recuperação do setor resulta de uma combinação entre financiamento nacional, contratação pela Petrobras e confiança na capacidade tecnológica do país.

“Isso é esforço, financiamento brasileiro, contratação Petrobras. Isso faz parte de um trabalho que tem como pano de fundo duas empresas que acreditam na sociedade brasileira, na tecnologia brasileira e no Brasil enquanto celeiro para todo esse desenvolvimento que a gente almeja”, afirmou.

Confiança na Petrobras e novo ciclo de desenvolvimento

Magda disse que a Petrobras recuperou, nos últimos dois anos, a confiança de seu corpo técnico. Segundo ela, a estatal enfrentou um período recente em que sua relevância futura foi colocada em dúvida, avaliação da qual a atual gestão discorda.

“A gente resgatou ao longo desses dois anos a confiança do corpo técnico da Petrobras em si mesmo. Uma confiança que vinha abalada num passado recente. Se falava: ‘a Petrobras é uma empresa que daqui a 15 anos não vai valer nada’. A gente não acredita nisso. A gente tem propósito e confiança de que vamos desenhar os segundos 72 anos da Petrobras”, declarou.

A fala foi feita no contexto de uma cerimônia marcada por anúncios de iniciativas em inovação, transição energética, restauração florestal e minerais críticos. O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, também havia destacado, no mesmo evento, a importância desses minerais para a eletromobilidade, a tecnologia da informação e a soberania produtiva do Brasil.

ProFloresta e créditos de carbono

Magda Chambriard também mencionou o ProFloresta, iniciativa conjunta da Petrobras e do BNDES voltada à compra de créditos de carbono gerados por restauração ecológica no Brasil. Segundo ela, o primeiro processo público recebeu 16 propostas, das quais três foram selecionadas.

“O Mercadante falou do ProFloresta. Nós lançamos o primeiro processo público para compra de créditos de carbono. Fizemos isso em parceria entre Petrobras e BNDES, por restauração ecológica no nosso país. Recebemos 16 propostas e três foram selecionadas, cada uma comprometida com a restauração de pelo menos três mil hectares de áreas degradadas no bioma amazônico. A Petrobras apoia todos os biomas brasileiros”, disse.

A iniciativa integra a agenda ambiental anunciada durante a comemoração dos 74 anos do BNDES. Conforme informações já apresentadas no evento, o ProFloresta+ prevê a compra de cinco milhões de créditos de carbono de alta integridade, a mobilização de cerca de R$ 450 milhões em investimentos em plantio, a geração de 6,3 mil empregos verdes, o plantio de mais de 25 milhões de árvores nativas e a captura de 5 milhões de toneladas de carbono.

Minerais críticos entram no centro da estratégia

A presidente da Petrobras afirmou que a estatal e o BNDES estão formalizando a intenção de atuar juntos na cadeia de minerais críticos. Magda disse que a Petrobras tem interesse em participar do desenvolvimento nacional nesse setor, mas ressaltou que a empresa ainda precisa definir seu objeto de atuação nessa nova frente.

“Agora estamos aqui para formalizar nossa intenção de trabalharmos juntos na cadeia de minerais críticos. No último evento com o presidente Lula, falamos que a Petrobras tem interesse em participar desse desenvolvimento nacional relacionado a minerais críticos. Só que, por enquanto, a gente não tem mais objeto para explorar. Explorar é a nossa praia”, afirmou.

Ela também projetou uma nova conversa com Lula sobre os caminhos para que a estatal possa atuar estrategicamente nessa área.

“Então, mais adiante, no Lula 4, vamos lá no Planalto dizer: ‘presidente, como vamos fazer para voltar a ter nosso objeto, onde a gente possa explorar o que o Brasil precisa que seja explorado estrategicamente?’”, disse.

A declaração se soma à agenda defendida por Mercadante no seminário. O presidente do BNDES afirmou que o Brasil possui grande potencial em minerais críticos e citou reservas e produção relevantes em lítio, grafite natural, níquel, nióbio, terras raras, silício, tântalo, titânio, manganês e vanádio. Ele também defendeu que o país não se limite à exportação de minério e busque agregar valor em território nacional.

Petrobras quer tecnologia e cadeia global

Magda destacou que o BNDES já estruturou com a Vale um fundo de R$ 1,5 bilhão na área de minerais críticos. Segundo ela, a Petrobras pretende somar esforços inicialmente por meio de seu centro de tecnologia, com o objetivo de transformar o potencial mineral brasileiro em conhecimento aplicado e inovação.

“O BNDES já estruturou com a Vale um fundo de um R$ 1,5 bilhão nessa área. E agora estamos chegando para somar os esforços, num primeiro momento com a participação do nosso centro de tecnologia, para transformar isso em tecnologia necessária para valorizar toda essa cadeia”, declarou.

A presidente da estatal afirmou que minerais como níquel, lítio, grafite e terras raras são indispensáveis para a eletrificação e que o Brasil possui posição privilegiada nesse cenário.

“A Petrobras quer dominar o cenário de tecnologia no Brasil. Minerais críticos têm papel central. Níquel, lítio, grafite, terras raras, tudo isso é indispensável para a eletrificação. O Brasil tem uma posição privilegiada neste contexto e a gente quer participar disso. Queremos o Brasil numa cadeia global de fornecimento. Queremos a Petrobras participando dessa cadeia global”, afirmou.

A parceria entre BNDES e Petrobras em minerais críticos deverá envolver pesquisa, desenvolvimento e inovação, além da identificação de oportunidades tecnológicas e produtivas em cadeias associadas à transição energética. A diretriz apresentada no seminário é ampliar a capacidade nacional de agregar valor, fortalecer a indústria brasileira e inserir o país em setores estratégicos da economia global. 

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