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Lula critica "discurso atrasado entre competência privada e pública"

Presidente defendeu papel do BNDES e disse que instituições públicas e privadas devem ser avaliadas por sua capacidade de produzir

Luiz Inácio Lula da Silva (Foto: Ricardo Stuckert/PR)
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247 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou nesta segunda-feira (22), durante a solenidade de abertura do seminário comemorativo dos 74 anos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), a oposição entre gestão pública e privada como critério para medir eficiência econômica. Em discurso no evento, Lula afirmou que o país não deve mais aceitar o que classificou como “discurso atrasado entre a competência privada e a pública”.

A fala ocorreu após apresentações sobre os resultados recentes do BNDES, que, segundo o presidente da instituição, Aloizio Mercadante, alcançou R$ 862 bilhões em crédito à economia nos últimos três anos e meio. O banco também anunciou, na cerimônia, iniciativas voltadas à indústria, à inovação, à transição ecológica, à restauração florestal e a minerais críticos, incluindo parcerias com a Petrobras.

“Depois dos números do BNDES, eu só teria a dizer parabéns a você [Mercadante], por presidir o BNDES, parabéns à direção do BNDES, ao corpo de técnicos e técnicas, do mais humilde ao mais alto funcionário”, afirmou Lula.

O presidente associou os resultados apresentados pelo banco à necessidade de superar o debate ideológico entre público e privado. Para Lula, o critério central deve ser a capacidade das instituições de funcionar e gerar resultados.

“O que estamos assistindo hoje é apenas uma demonstração de que o Brasil não pode comportar mais aquele discurso atrasado entre a competência privada e a pública. O que é público e funciona tem que continuar público e funcionando. O que é privado e funciona tem que continuar sendo privado e funcionando. O que importa é que os dois produzam”, disse.

Defesa do papel do BNDES

Na avaliação de Lula, os números apresentados pelo BNDES reforçam a importância do banco público no financiamento ao desenvolvimento nacional. A instituição, que completa 74 anos, foi palco de anúncios relacionados ao fortalecimento da indústria brasileira, à política industrial, à inovação tecnológica e à agenda de sustentabilidade.

Durante o seminário, Mercadante afirmou que o BNDES liberou R$ 862 bilhões em crédito para a economia nos últimos três anos e meio. Segundo ele, apenas no ano passado foram R$ 366 bilhões, o equivalente a mais de R$ 1 bilhão por dia. O presidente do banco também destacou que os ativos da instituição passaram de cerca de R$ 650 bilhões para R$ 1,15 trilhão em 31 de maio.

Lula elogiou a direção do banco e os funcionários da instituição, destacando o papel do corpo técnico nos resultados apresentados. O presidente também fez referência à relação entre a gestão do BNDES e seus servidores.

“E uma coisa que você fez, Aloizio, e merece respeito é fazer com que os funcionários tenham confiança na direção, e não medo. A direção é passageira, eles são efetivos”, afirmou.

Crítica à dicotomia entre público e privado

A declaração de Lula foi feita em um contexto de retomada do protagonismo do BNDES em políticas de crédito e desenvolvimento. Nos discursos anteriores, Mercadante havia defendido uma relação mais ativa entre Estado e economia, com apoio a setores estratégicos, inovação e política industrial.

Para o presidente, a eficiência de uma instituição não deve ser definida apenas por sua natureza pública ou privada. Ao afirmar que “o que importa é que os dois produzam”, Lula defendeu uma visão pragmática sobre o papel de empresas, bancos e órgãos públicos no desenvolvimento do país.

A fala também dialoga com a agenda apresentada no evento, que incluiu novos recursos para a Nova Indústria Brasil, parcerias em minerais críticos, ações de restauração florestal e financiamento para micromobilidade elétrica. As iniciativas foram apresentadas como parte de uma estratégia de fortalecimento da indústria nacional, ampliação da inovação e promoção da transição ecológica.

BNDES celebra 74 anos com anúncios estratégicos

A cerimônia comemorativa dos 74 anos do BNDES reuniu anúncios em diferentes áreas consideradas prioritárias pelo governo. Entre as medidas apresentadas está um novo aporte de R$ 140 bilhões para a Nova Indústria Brasil, sendo R$ 102,5 bilhões do BNDES e R$ 37,5 bilhões da Finep (Financiadora de Estudos e Projetos), com recursos disponíveis até dezembro de 2026.

Também foi anunciada uma parceria entre BNDES e Petrobras para pesquisa, desenvolvimento e inovação em minerais críticos e estratégicos, incluindo terras raras. A iniciativa busca identificar oportunidades tecnológicas e produtivas em cadeias ligadas à transição energética, à eletromobilidade e à tecnologia da informação.

A Petrobras, representada por sua presidente, Magda Chambriard, também defendeu no evento uma participação mais ativa da estatal na cadeia global de minerais críticos. Segundo ela, níquel, lítio, grafite e terras raras são indispensáveis para a eletrificação, e o Brasil tem posição privilegiada nesse cenário.

Outro eixo da cerimônia foi o ProFloresta+, iniciativa conjunta do BNDES e da Petrobras para compra de créditos de carbono de alta integridade gerados por restauração ecológica em áreas degradadas da Amazônia. O programa prevê investimentos em plantio, geração de empregos verdes, recuperação de áreas degradadas e captura de carbono.

Ao encerrar sua fala sobre o desempenho do banco, Lula vinculou os resultados apresentados à confiança no serviço público e ao papel estratégico do BNDES. Para o presidente, a atuação da instituição mostra que o debate entre público e privado deve dar lugar à avaliação concreta da capacidade de produzir, financiar e apoiar o desenvolvimento brasileiro.

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