O time está pronto, mister?
A seleção brasileira ainda não convenceu sob o comando de Carlo Ancelotti
247 - Após o último amistoso da seleção brasileira antes da estreia na Copa do Mundo contra o Marrocos, o técnico Carlo Ancelotti declarou na entrevista coletiva que já tem o time titular que entra em campo no próximo sábado. No entanto, apesar da convicção do mister com relação aos 11 jogadores que iniciarão a caminhada do Brasil rumo ao hexa, a atuação da seleção no jogo contra o Egito deixou mais dúvidas do que certezas para os torcedores. A começar pelo esquema tático da seleção de Ancelotti - o 4-2-4 - que evidencia um desequilíbrio entre meio de campo e ataque. Sobretudo, na recomposição da equipe quando está sem a bola.
A defesa preocupa. Os zagueiros considerados titulares chegam em baixa. Marquinhos falhou de forma bisonha no gol de empate do Egito. Gabriel Magalhães - antes titular absoluto - perdeu um pênalti decisivo na final da Champions e chega com a confiança em baixa para a Copa. Ancelotti escalou Ibanez ao lado de Marquinhos contra o Egito, sinalizando que a defesa poderia apresentar surpresas na estreia. Para piorar , Wesley - o lateral mais ofensivo do elenco e que atravessa grande fase na Roma - se machucou e teve que ser cortado. Inexplicavelmente, Ancelotti convocou o volante Ederson em seu lugar, depositando no veterano Danilo - que foi titular nas últimas duas Copas, e não entregou nada de relevante - a confiança da titularidade. Ibanez também pode ser improvisado na posição, mas a tendência é que o jogador do Flamengo inicie o jogo contra Marrocos.
No meio de campo, o mister parece não ter percebido que os seus dois volantes - Casemiro e Bruno Guimarães - embora sejam bons tecnicamente, não entregam a mobilidade necessária para um time que se propõe a jogar com quatro atacantes. Quando perceber - e isto pode acontecer antes do jogo de estreia - não será surpresa se Danilo, volante do Botafogo, ou, até mesmo, o volante Ederson - a convocação que pode não ter sido tão inexplicável assim - assumam a titularidade. Lucas Paquetá - que iniciou o amistoso contra o Egito - corre por fora, podendo entrar no lugar de um dos atacantes para dar mais equilíbrio à equipe.
Caso insista com os quatro atacantes, Ancelotti deve optar pelos jogadores de maior mobilidade. Neste caso, Raphinha, Vinícius Jr, Luiz Henrique e Endrick, poderiam levar vantagem. Poderiam, se o mister não estivesse - também inexplicavelmente - tão empolgado com o Igor Tiago, um atacante de área que foi convocado como o homem gol da seleção, mas que nas oportunidades que teve para marcar contra o Egito perdeu duas chances claras. Me fazendo lembrar que Pedro, do Flamengo, teria sido uma melhor opção. Mateus Cunha - antes, e também inexplicavelmente, titular absoluto, hoje me parece uma opção para o segundo tempo. Assim como Gabriel Martinelli, que nunca empolgou na seleção, mas está indo para a sua segunda Copa do Mundo.
O gol também é um problema. Os três goleiros convocados não chegam em boa fase. Alisson e Ederson tiveram contusões recentes e ainda não retornaram à forma ideal. O veterano Weverton foi a grande surpresa da lista, ocupando uma terceira vaga que tinha Hugo Souza e Bento como os mais cotados. Alisson deve ser mantido como titular, mas suas atuações na seleção sempre foram contestadas. Principalmente, na última copa do mundo. Se o time está pronto como Ancelotti afirmou, eu não sei. O certo é que temos uma seleção que ainda não convenceu sob o seu comando, e cujo esquema tático não é o ideal para as características dos jogadores. Certamente, veremos um time sofrendo muitas alterações durante a competição. Seja de ordem tática ou técnica.
O jogo de estreia contra Marrocos será uma espécie de batismo de fogo para a seleção. A seleção africana é a mais forte do grupo do Brasil, e foi a quarta colocada no Mundial do Catar. Um jogo para sabermos se o time do mister está mesmo pronto para a Copa.



