HOME > Agro

Agro paulista exporta US$ 906 milhões para a Índia em 2025

Com mais de 2 milhões de toneladas embarcadas, comércio entre São Paulo e Índia cresce impulsionado por açúcar, soja e algodão

Porto de Santos (Foto: REUTERS/Jorge Silva)

247 - O agronegócio paulista alcançou um volume expressivo de exportações para a Índia em 2025, movimentando cerca de 2 milhões de toneladas e gerando US$ 906,5 milhões em receitas, consolidando o país asiático como um dos principais destinos comerciais do setor. A relação é puxada sobretudo pelo complexo sucroalcooleiro, além de produtos como óleo de soja e itens da indústria química vegetal, segundo dados do Instituto de Economia Agrícola (IEA-APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo (SAA). 

A Índia ocupa a segunda posição entre os mercados asiáticos que mais importam produtos do agro paulista, atrás apenas da China, e figura como o quarto principal parceiro comercial no ranking global. O destaque nas exportações é o complexo sucroalcooleiro, responsável por 76,8% do total embarcado, equivalente a US$ 696 milhões. Em seguida aparecem o óleo de soja, com US$ 89 milhões, e produtos da indústria química de origem vegetal, que somaram US$ 33 milhões.

O fortalecimento da relação comercial entre Brasil e Índia tem sido apontado como estratégico para ambos os países. O Cônsul Geral da Índia, Hansraj Singh Verma, destacou o papel do agronegócio nessa parceria. “A excelência do agronegócio paulista reflete a profundidade e a complementaridade do comércio bilateral Índia-Brasil, que atingiu US$ 15,21 bilhões em 2025, com a agricultura sendo a base dessa relação e o principal motor de crescimento futuro, enquanto o estado de São Paulo se torna um exemplo claro desse potencial”, afirmou.

O secretário de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, Geraldo Melo Filho, também ressaltou a importância da diversificação e da qualidade dos produtos exportados. “Temos ampliado nossa presença no mercado internacional com produtos de qualidade e competitividade, fortalecendo parcerias e abrindo novas oportunidades de negócios. A Índia tem um papel importante neste cenário e mostra o potencial de crescimento das exportações paulistas na Ásia”, declarou.

Outro destaque relevante foi o avanço das exportações de algodão para o mercado indiano. O volume embarcado cresceu 160% em apenas um ano, passando de 5 mil para 15 mil toneladas. O CEO da VALIA Brazil, Peter H. Burdzik, avaliou o desempenho como reflexo da capacidade produtiva do estado e da adaptação às exigências internacionais. “Nos últimos anos, a produção paulista se consolidou como um fornecedor confiável para diferentes mercados. Ao mesmo tempo, é um mercado que muda rápido, então preço e questões geopolíticas acabam influenciando diretamente o ritmo das exportações”, afirmou.

A diretora executiva da Associação Paulista dos Produtores de Algodão (APPA), Marcella Wehrle, destacou o papel técnico dos produtores como diferencial competitivo. “O conhecimento técnico dos produtores paulistas fortalece a competitividade e a sustentabilidade da cotonicultura. Esse conjunto posiciona o algodão paulista como referência em excelência no Brasil. Essas características tornam o algodão paulista altamente competitivo e valorizado pela indústria têxtil”, disse.

Além do comércio, a cooperação entre Brasil e Índia também avança na área de inovação agrícola. Em setembro de 2025, representantes da Diretoria de Pesquisa dos Agronegócios (APTA) participaram, em Nova Delhi, do Brazil-India Agri Innovation Day, evento voltado à integração científica e tecnológica.

O diretor da APTA, Carlos Nabil Ghobril, destacou o potencial da parceria para o desenvolvimento conjunto de soluções no setor. “A Índia detém cerca de 11% da produção mundial de alimentos, com uma população que já ultrapassa 1,4 bilhão de habitantes. Eles têm um compromisso muito grande com a agricultura para alimentar a toda essa população e o propósito principal da missão é aproximarmos as startups brasileiras e indianas para poderem trabalhar em conjunto e desenvolver soluções para os dois países”, afirmou.

Segundo o líder de Inovação da APTA e gestor do APTAHub, Sergio Tutui, a cooperação pode fortalecer o ecossistema tecnológico do agronegócio paulista. “A Índia é o quarto maior mercado de startups do mundo, com um ecossistema maduro, consolidado e vibrante. O intuito é fortalecer o APTAHub como um dos principais hubs de inovação do agro do Brasil, ampliando as possibilidades de consolidação e expansão dessas empresas nascentes de base tecnológica (deep techs) e alto valor agregado, gerando empregos qualificados e arrecadação ao estado”, explicou.

Artigos Relacionados