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"Esse país vai construir sua soberania sendo independente de importação de fertilizantes", diz Lula na retomada da UFN-III

Obra da Petrobras integra o Novo PAC e receberá mais de R$ 5 bilhões em investimentos

Renata Baruzzi, diretora de Engenharia, Tecnologia e Inovação da Petrobras, José Antunes Sobrinho, da Engevix, Magda Chambriard, presidenta da Petrobras, e presidente Lula (Foto: Ricardo Stuckert / PR)
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247 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira (25), durante a cerimônia de retomada das obras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN-III), em Três Lagoas (MS), que o Brasil precisa ampliar sua capacidade de produção de fertilizantes para reduzir a dependência das importações e fortalecer a soberania nacional. As informações foram divulgadas pela Secretaria de Comunicação da Presidência da República.

A retomada do empreendimento, conduzido pela Petrobras, integra o Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC) e contará com investimentos superiores a R$ 5 bilhões. O projeto é considerado estratégico para ampliar a produção nacional de fertilizantes nitrogenados, reforçar a segurança alimentar, fortalecer o agronegócio e reduzir a vulnerabilidade do país diante das oscilações do mercado internacional.

Lula defende produção nacional de fertilizantes

Durante o evento, Lula destacou que o Brasil precisa recuperar sua capacidade de produzir insumos considerados essenciais para o desenvolvimento econômico. "Estou orgulhoso porque ainda sonho que a gente vai ter acima de 70% de todo o fertilizante que nós precisamos nesse país. Porque um país jamais será soberano se ele não for dono das coisas principais que ele produz", afirmou.

O presidente também reforçou que a independência na produção de fertilizantes faz parte de um projeto estratégico para o país. "Pode ficar certo: esse país vai construir sua soberania sendo independente de importação de fertilizantes de outro país. É apenas esperar que a gente vai ver o que vai acontecer", afirmou Lula.

A UFN-III estava com as obras interrompidas desde 2015. Segundo a Petrobras, uma nova avaliação técnica e econômica confirmou a viabilidade do projeto e sua compatibilidade com o Plano de Negócios 2026-2030 da companhia.

Obra deve gerar cerca de 8 mil empregos

A expectativa é que a retomada das obras gere aproximadamente 8 mil empregos diretos e indiretos, além de impulsionar diversos segmentos da economia regional, como transporte, comércio, hospedagem, alimentação e prestação de serviços.

Ao comentar a importância do empreendimento, Lula criticou a paralisação da unidade. "Um país que é o segundo maior produtor de alimento do mundo, um país que tem tudo para ser o celeiro do mundo de verdade, porque pouco lugar do mundo tem condições de competitividade e de produtividade que nós temos, por que tanta irresponsabilidade de deixar uma fábrica dessa parada?"

A localização da unidade é considerada estratégica para atender ao Centro-Oeste, região responsável por cerca de 40% da demanda nacional de ureia.

Petrobras aposta na engenharia brasileira

A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou que a retomada da UFN-III representa a valorização da capacidade produtiva nacional. "Quando a gente fala em retomada da UFN III, o que estamos falando, dentre outras coisas, é que a gente acredita no Brasil, a gente acredita na Petrobras e a gente acredita na tecnologia e na engenharia brasileira."

Ela também destacou os benefícios da fábrica para o agronegócio brasileiro. "Isso é emprego na veia, isso é fertilizante para Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Paraná, São Paulo, região que concentra 40% da demanda brasileira de ureia."

Quando entrar em operação comercial, prevista para 2029, a unidade deverá produzir 3.600 toneladas diárias de ureia granulada e 2.200 toneladas de amônia, totalizando aproximadamente 1,3 milhão de toneladas de ureia por ano. O volume corresponde a cerca de 16% da demanda nacional.

Novo PAC impulsiona retomada da indústria

A ministra da Casa Civil, Miriam Belchior, ressaltou que a retomada da UFN-III integra os investimentos do Novo PAC. "Essa é uma obra do Novo PAC. Para que serve o Novo PAC? Para aumentar o investimento em infraestrutura do país. É importante porque gera emprego, gera crescimento no país, é bom para todo mundo, reúne o setor público, reúne o setor privado, as nossas estatais."

Ela também destacou que o programa contempla investimentos em infraestrutura urbana para Três Lagoas. "Isso que é o PAC: lida com a grande infraestrutura nacional, mas também com a infraestrutura das cidades", afirmou a ministra.

Estratégia para reduzir a dependência externa

A retomada da UFN-III faz parte da estratégia do governo federal e da Petrobras para reconstruir a produção nacional de fertilizantes nitrogenados. Além da unidade de Três Lagoas, o plano contempla as fábricas Fafen-BA, Fafen-SE e ANSA.

A estatal projeta atender aproximadamente 35% do mercado brasileiro de ureia até 2029. Antes da retomada dessas unidades, toda a ureia consumida no país era importada.

Segundo o governo, a ampliação da produção nacional busca reduzir a vulnerabilidade do Brasil diante de crises internacionais que afetam o fornecimento de fertilizantes, como ocorreu após o início da guerra na Ucrânia.

Durante a cerimônia, Lula também ressaltou o papel estratégico da Petrobras em diferentes áreas da economia. "A Petrobras é uma empresa que tem um papel fundamental na famosa transição energética que esse país está passando. É muito importante para o Brasil e para o mundo."

O prefeito de Três Lagoas, Cassiano Maia, afirmou que a retomada das obras representa um marco para o desenvolvimento econômico do município. "É muito importante receber toda essa comitiva, junto com todos os nossos colegas que trabalham na Petrobras mantendo essa UFN III, que realmente tem sido bem cuidada nesse período, para que hoje a gente consiga estar retomando todo esse processo da obra. É muito importante para o nosso município."

A ex-ministra do Planejamento e Orçamento Simone Tebet também destacou a importância do empreendimento para a região. "Três Lagoas hoje é uma referência mundial", disse. "Nós estamos falando da maior fábrica de fertilizantes nitrogenados da América Latina", ressaltou.

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