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Lula: "um país jamais será soberano se não for dono das coisas principais que produz"

Presidente anuncia retomada da UFN-III em Três Lagoas, critica privatizações e afirma que soberania passa pela produção de fertilizantes

Lula e trabalhadores da Petrobras (Foto: Ricardo Stuckert / PR)
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247 - O presidente Lula (PT) afirmou nesta quinta-feira (25) que “um país jamais será soberano se ele não for dono das coisas principais que produz”, durante discurso na cerimônia de retomada das obras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN-III), em Três Lagoas (MS).

A declaração foi feita em meio ao anúncio da retomada de um dos principais projetos industriais da estatal no setor de fertilizantes, paralisado desde 2015 e considerado estratégico para reduzir a dependência externa do Brasil e ampliar a segurança alimentar.

Retomada de obra parada há mais de uma década

Lula criticou a interrupção das obras da UFN-III, destacando que o empreendimento já estava em estágio avançado quando foi paralisado. “Uma coisa importante que está acontecendo hoje em Três Lagoas, e espero que vocês guardem isso, é que não tem explicação por que uma empresa dessa magnitude, que ia produzir fertilizantes para ajudar no barateamento e na qualidade dos alimentos produzidos neste país, ficou parada 12 anos”, afirmou.

O presidente ressaltou o impacto econômico da paralisação no país e a alta dos preços dos fertilizantes no mercado internacional. “O Brasil pagando preços absurdos de fertilizantes que poderiam ser produzidos no Brasil, que aumentam a cada guerra lá fora”, disse.

Segundo ele, os efeitos chegam diretamente ao consumidor. “O pobre brasileiro que vai comprar uma fruta, uma comida, paga o preço dessa guerra aqui no Brasil”, declarou.

Críticas à dependência externa e ao agronegócio

Lula afirmou que a decisão de não investir na produção nacional de fertilizantes contribuiu para a dependência do Brasil em relação ao mercado externo. “Por irresponsabilidade de muita gente, não só do governo. Também muita gente do agronegócio nunca se preocupou que a gente tivesse fábrica de fertilizantes aqui, porque era muito barato importar”, disse.

Ele também citou o fechamento de unidades industriais no país. “Por isso foi fechada a fábrica de fertilizantes na Bahia, no Paraná, em Sergipe e aqui”, afirmou.

Defesa da Petrobras e críticas a privatizações

O presidente defendeu o papel estratégico da Petrobras e afirmou que a empresa não deve ser reduzida em sua função pública. “A Petrobras é uma empresa de economia mista, tem ações na bolsa de valores, conceito, compliance, tudo que uma empresa precisa ter para dizer que é moderna”, disse.

Lula afirmou que não abre mão do debate sobre a função estratégica da estatal. “O que eu não abro mão é de discutir estrategicamente o papel da Petrobras no Brasil”, declarou.

Ele criticou tentativas de privatização de ativos da companhia. “Porque vira e mexe aparece um governante nesse país que quer vender a Petrobras”, afirmou.

O presidente questionou os resultados de processos de privatização de empresas estatais. “Queria que aparecesse um gênio aqui e explicasse o que o povo brasileiro ganhou com a privatização da BR Distribuidora”, disse.

Ele também citou a Liquigás e a Eletrobras. “Gostaria que alguém me explicasse por que privatizar a Eletrobras. Qual foi o ganho para o Brasil?”, afirmou.

Críticas a gestores e defesa da indústria nacional

Lula criticou o que chamou de agentes que defendem a venda de patrimônio público. “Tem uns vagabundos que são profissionais em tentar vender a Petrobras, em tentar desmoralizar a Petrobras”, disse.

E acrescentou. “Vocês precisam ficar atentos,porque muita gente travestida de investidor, de gestor, na verdade é um vendedor de coisas públicas a preço de banana”.

O presidente também criticou a lógica de decisões econômicas baseadas apenas em redução de custos imediatos. “Isso é ignorância. Comprar pode ser mais barato, mas você não forma mão de obra qualificada, não paga salário, não gera emprego, não paga imposto nesse país. Paga tudo lá fora”, afirmou.

Indústria naval e perda de empregos

Lula relembrou o crescimento da indústria naval em governos anteriores e criticou a redução do setor. “Seis anos depois o Brasil já tinha mais de 60 mil trabalhadores na indústria naval”, disse.

Segundo ele, houve uma forte queda nos anos seguintes. “O que eles fizeram? Quebraram. Quando voltamos em 2023, só tinham 22 mil trabalhadores na indústria naval brasileira”, afirmou.

Petrobras e soberania nacional

O presidente destacou o papel da Petrobras na economia brasileira e na transição energética. “Ter uma indústria como a Petrobras é um milagre para este país”, disse.

Ele também elogiou a capacidade técnica da estatal. “Ninguém consegue competir. A engenharia da Petrobras é muito qualificada”, afirmou.

Lula defendeu a retomada da produção nacional de fertilizantes como parte da estratégia de soberania do país. “Ainda sonho que a gente vai ter, senão 100%, 70% de todos os fertilizantes que precisamos”, declarou.

E concluiu.“Um país jamais será soberano se ele não for dono das coisas principais que ele produz. Jamais. (...) Esse país vai construir sua soberania sendo independente de importação de fertilizantes".

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