Apuração no Peru aponta provável segundo turno entre Roberto Sánchez e Keiko Fujimori
O progressista Roberto Sánchez amplia vantagem sobre o direitista Rafael López Aliaga e se aproxima de duelo com Keiko Fujimori no segundo turno
247 - A apuração no Peru mantém Keiko Fujimori na liderança da eleição presidencial, enquanto Roberto Sánchez amplia vantagem sobre Rafael López Aliaga e se aproxima de um possível duelo com a candidata de direita no segundo turno, previsto para 7 de junho.
Segundo a Oficina Nacional de Processos Eleitorais (ONPE) atualizados até esta segunda-feira, 27 de abril, 96,157% das atas presidenciais haviam sido contabilizadas. Keiko Fujimori, da Fuerza Popular, aparecia em primeiro lugar, com 2.759.124 votos, equivalentes a 17,075% dos votos válidos. Roberto Sánchez Palomino, do Juntos por el Perú, vinha em segundo, com 1.945.447 votos, ou 12,039%. Rafael López Aliaga, da Renovación Popular, ocupava a terceira posição, com 1.922.306 votos, ou 11,896%.
A diferença entre Sánchez e López Aliaga era de 23.141 votos. Jorge Nieto Montesinos, do Partido del Buen Gobierno, aparecia em quarto, com 1.779.942 votos, ou 11,015%, seguido por Ricardo Belmont Cassinelli, do Partido Cívico Obras, com 1.643.879 votos, ou 10,173%.
Atas observadas ainda podem influenciar a disputa
Embora a tendência favoreça Sánchez na corrida pela segunda vaga, o processo ainda não está encerrado. De acordo com La República, os Jurados Electorales Especiales (JEE) continuavam, nesta segunda-feira, a avaliação das atas observadas. O veículo informou que havia 3.617 atas ainda pendentes de resolução e que os JEE programaram 130 recontagens de votos em diferentes circunscrições do país.
A revisão das atas observadas ganhou peso porque a margem entre o segundo e o terceiro colocados permanece estreita. A própria ONPE informou que publica os resultados conforme as atas são processadas nos 126 centros de cômputo e que qualquer cidadão pode consultar os resultados gerais, os dados desagregados e as imagens digitalizadas das atas no sistema oficial.
Recontagem inédita marca a eleição peruana
O Jurado Nacional de Elecciones (JNE) iniciou em 20 de abril audiências públicas de recontagem de votos referentes às atas observadas da eleição presidencial. Segundo a RPP, trata-se da primeira vez que o sistema eleitoral peruano usa o mecanismo de recontagem física de votos para resolver discrepâncias em atas, com sessões virtuais acompanhadas por personeros, observadores e representantes do Ministério Público.
A medida busca definir com maior precisão quais candidaturas disputarão o segundo turno. A legislação atual permite que os JEE abram os envelopes com cédulas de votação quando uma ata não puder ser corrigida por cotejo entre exemplares, o que antes poderia levar à anulação do documento.
Falhas logísticas ampliaram tensão política
A apuração ocorre em meio a questionamentos sobre falhas logísticas registradas no primeiro turno, realizado em 12 de abril e estendido em alguns locais. A Associated Press informou que a votação precisou ser prorrogada por um dia após problemas na entrega de material eleitoral em mais de uma dezena de centros em Lima, situação que impediu mais de 52 mil pessoas de votar no horário previsto.
A crise levou à renúncia de Piero Corvetto, então chefe da ONPE. Em carta às autoridades peruanas, ele negou irregularidades, mas afirmou que deixava o cargo para gerar mais confiança antes do segundo turno. Dias depois, a polícia realizou buscas na casa de Corvetto, de outros funcionários e de um representante da empresa Galaga, contratada para transportar material eleitoral, no âmbito de investigação sobre falhas e escassez de cédulas.
Denúncias de fraude não foram comprovadas
Rafael López Aliaga contestou o andamento da apuração e alegou fraude eleitoral, sem apresentar provas, segundo a Associated Press. A missão de observação eleitoral da União Europeia, porém, afirmou não ter encontrado sinais de contagem fraudulenta, apesar dos problemas logísticos.
O tribunal eleitoral peruano rejeitou pedidos de eleições suplementares nos locais afetados por falhas logísticas e classificou a medida como inviável, segundo a AP. A corte também estabeleceu 15 de maio como prazo para a conclusão oficial da contagem e a confirmação dos dois candidatos que avançarão ao segundo turno.
A eleição presidencial no Peru ocorre em um cenário de forte instabilidade institucional. Se nenhum candidato obtém mais de 50% dos votos válidos no primeiro turno, os dois mais votados avançam para o segundo turno. Até os dados atualizados nesta segunda-feira, Keiko Fujimori já aparecia consolidada na liderança, enquanto Roberto Sánchez mantinha vantagem sobre Rafael López Aliaga na disputa pela segunda vaga.



