HOME > América Latina

Argentina reprime protestos contra reforma trabalhista de Milei

Polícia usa gás lacrimogêneo e balas de borracha em Buenos Aires e Córdoba enquanto Senado debate mudanças na legislação laboral

Javier Milei e repressão policial na Argentina (Foto: REUTERS/Agustin Marcarian)

247 - As forças de segurança argentinas reprimiram manifestações realizadas em Buenos Aires e Córdoba contra o projeto de reforma trabalhista impulsionado pelo presidente Javier Milei. Os protestos ocorreram nas imediações do Congresso Nacional, na capital, e também em outras províncias, enquanto o Senado avançava na análise da proposta que prevê maior flexibilização das condições de trabalho.

Segundo a Telesur, a repressão incluiu o uso de gás lacrimogêneo e balas de borracha contra manifestantes, entre eles sindicalistas e ativistas políticos. A mobilização foi convocada por centrais sindicais e movimentos sociais que denunciam precarização do emprego e ataque a direitos conquistados ao longo de décadas.

Protestos se espalham pelo país

A Confederação Geral do Trabalho (CGT), a Central dos Trabalhadores da Argentina (CTA) e diversos movimentos sociais participaram das marchas na capital e em outras cidades. Em Buenos Aires, a região do Congresso concentrou grande número de manifestantes enquanto os senadores discutiam o texto da reforma.

Em Córdoba, professores organizaram um ato na Ponte Centenário, sobre o Rio Suquía. A manifestação da seção da capital do Sindicato dos Educadores da Província de Córdoba (UEPC) começou sob forte presença policial e com barricadas montadas no local. Poucas horas depois, as forças de segurança, com apoio do governo provincial, lançaram gás lacrimogêneo contra os participantes e efetuaram pelo menos três prisões.

Os detidos foram identificados como os docentes Nahuel Rodríguez, Ignacio Meneses e Victoria Marconetto. O sindicato exigiu a libertação imediata dos professores. Em nota, a entidade declarou: “Desde la Asociación de Educadores de la provincia de Córdoba pedimos aclaraciones sobre lo ocurrido y demandamos la rápida liberación de la compañera y de los compañeros bajo arresto”.

Transporte anuncia paralisação

A Confederação Argentina de Trabalhadores do Transporte (CATT) também aderiu à jornada de protestos e anunciou paralisação total das atividades a partir das 13h de quarta-feira (11), no horário local. A medida impacta especialmente o tráfego aéreo e as atividades marítimas e portuárias. Parte dos sindicatos ferroviários e de ônibus (UTA) deixou a organização e, em alguns casos, passou a integrar a União Geral de Associações de Trabalhadores do Transporte (UGATT).

Senado analisa texto com alterações

O Senado argentino iniciou, em 11 de fevereiro, a sessão para debater o projeto de reforma trabalhista defendido por Javier Milei. A reunião é presidida pela vice-presidente Victoria Villarruel e começou após a incorporação de 28 modificações negociadas nas horas anteriores com blocos da chamada oposição dialoguista, como Proposta Republicana (PRO) e União Cívica Radical.

A base governista busca aprovar a proposta na Câmara Alta para consolidar o processo de desregulamentação econômica iniciado pela atual administração, após a sanção, em 2024, da Lei de Bases e Pontos de Partida para a Liberdade dos Argentinos.

Artigos Relacionados