Bloqueio energético dos EUA coloca mais de 32 mil gestantes em risco em Cuba
Cuba alerta que escassez de combustível compromete atendimento materno-infantil, vacinação e serviços essenciais em hospitais
247 - Mais de 32.880 mulheres grávidas em Cuba enfrentarão riscos adicionais devido à crise de combustível provocada pelo bloqueio energético imposto pelo governo dos Estados Unidos, alertm as autoridades sanitárias do país. O impacto também atinge diretamente recém-nascidos, crianças pequenas, pacientes com câncer, diabéticos e pessoas que dependem de cirurgias ou atendimento emergencial.
As informações foram divulgadas pelo Ministério da Saúde Pública de Cuba e publicadas pelo jornal Granma, órgão oficial do Partido Comunista Cubano. De acordo com o comunicado, a falta de combustível vem agravando a capacidade do sistema de saúde de manter serviços básicos, apesar dos esforços adotados desde o período mais crítico da pandemia de Covid-19.
O ministério cubano destaca que a escassez de combustível tem prejudicado especialmente o programa de Saúde Materno-Infantil, considerado prioritário no país. Entre as principais consequências está a dificuldade no acesso de gestantes a exames fundamentais para o acompanhamento da gravidez, como ultrassonografias obstétricas para monitoramento fetal e testes genéticos voltados ao diagnóstico precoce de malformações.
Além disso, o bloqueio afeta diretamente a capacidade de deslocamento de equipes médicas responsáveis por atender casos graves envolvendo mães e bebês. Segundo o comunicado, há limitações na mobilização de profissionais para situações de morbidade materna extremamente grave e também para o atendimento de recém-nascidos em estado crítico.
Vacinação infantil e atendimento emergencial
Outro ponto destacado é o impacto sobre o calendário nacional de vacinação infantil, que vem sofrendo atrasos devido às dificuldades logísticas causadas pela falta de combustível. O ministério também alerta para riscos enfrentados por crianças com necessidades especiais, incluindo aquelas que dependem de ventilação domiciliar, aspiração mecânica e climatização adequada.
O comunicado afirma ainda que há “disponibilidade muito limitada de transporte de saúde” para casos urgentes e emergências, o que amplia os riscos de morte evitável e dificulta a resposta rápida em situações críticas.
Esses efeitos podem atingir diretamente mais de 61.830 crianças menores de um ano que necessitam de cuidados especiais nessa fase inicial da vida, segundo os dados oficiais divulgados pelas autoridades cubanas.
Pacientes com câncer e doenças crônicas
O Ministério da Saúde Pública também alerta que a crise energética está comprometendo o atendimento de pacientes oncológicos, emergências médicas e o acompanhamento de programas voltados a doenças crônicas transmissíveis e não transmissíveis. De acordo com o texto, esse cenário “aumenta diretamente a mortalidade no país”.
A situação se agrava ainda mais com a dificuldade de obtenção de medicamentos e insumos hospitalares, incluindo reagentes, materiais de consumo, instrumentos médicos e equipamentos essenciais. O ministério aponta que essas limitações podem afetar o funcionamento pleno de hospitais, enfermarias especiais, centros cirúrgicos e unidades de terapia intensiva.
Importações de insumos médicos
O comunicado divulgado pelas autoridades cubanas ressalta que a redução na frequência de voos comerciais e o aumento do preço do frete internacional também estão dificultando o acesso a medicamentos e suprimentos essenciais para o sistema de saúde, inclusive em situações de urgência.
O governo cubano afirma que as medidas impostas ao país seguem ampliando obstáculos à aquisição de peças de reposição e equipamentos médicos, criando um cenário de crescente pressão sobre a rede hospitalar.
Mobilização dos trabalhadores da Saúde
Apesar do cenário descrito, o ministério afirma que médicos e instituições cubanas seguem mobilizados para manter a assistência à população. No texto, as autoridades sustentam que profissionais de saúde trabalham “dia e noite” para garantir atendimento médico e apoio humano à população, mesmo diante das restrições impostas.
O comunicado conclui que a intensificação da guerra econômica representa uma ameaça direta ao bem-estar coletivo, ao privar o país de combustível e comprometer o funcionamento de serviços vitais em diferentes áreas do sistema público de saúde.


