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Bolivianos em SP criticam Rodrigo Paz e cobram fim da repressão no país andino

O presidente de direita decretou estado de exceção no território do país sul-americano. O governante também é apoiado pelos EUA

Manifestação de bolivianos na Vila Mariana, em São Paulo (Foto: Guilherme Correia/Sputnik)
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247 – Bolivianos em São Paulo fizeram nesta segunda-feira (22) um protesto em solidariedade às mobilizações na Bolívia e cobraram a liberdade de manifestantes presos. O ato ocorreu dois dias após o presidente boliviano, Rodrigo Paz, decretar estado de exceção no território nacional, alegando "uma tentativa de golpe de Estado vinda do narcoterrorismo". Na capital paulista, imigrantes bolivianos e ativistas sociais denunciaram a criminalização de organizações populares no país andino e o risco de aumento da migração para o Brasil. Os manifestantes se reuniram em frente ao Consulado-Geral da Bolívia em São Paulo, na Vila Mariana. Os relatos dos participantes da mobilização foram divulgados na Sputnik.

O país andino sofre com bloqueios, confrontos e mobilizações sociais desde o início de maio. Os atos começaram com forte presença de setores sindicais, camponeses e populares, com epicentro em La Paz e El Alto. As reivindicações iniciais incluíram aumento salarial de 20%, melhorias no abastecimento de combustível e revogação da Lei 1720. Com essa legislação, pequenas propriedades rurais puderam ser concebidas como médias propriedades e utilizadas como garantia para empréstimos bancários comerciais.

O presidente Rodrigo Paz assumiu a presidência de seu país em dezembro de 2025, após quase duas décadas de hegemonia da esquerda no país. O decreto de estado de exceção veio depois de um acordo firmado na sexta-feira (19) entre o governo e a Central Obreira Boliviana (COB). Apenas o sindicato cocaleiro alinhado ao ex-presidente Evo Morales permanece em protesto. O governo de centro-direita adotou medidas econômicas que incluíram o fim do subsídio à gasolina, ponto que ampliou a tensão social.

Vulnerabilidade indígena entra no centro do protesto

Servidora pública boliviana, Rocio Quispe Yujra é indígena aimará e moradora do Brasil há mais de quatro décadas. Ela afirmou que as comunidades indígenas seguem sob forte vulnerabilidade na Bolívia. "A gente está se manifestando em vista de tudo o que está acontecendo lá na Bolívia. A comunidade indígena na Bolívia não é respeitada. Seu voto não é respeitado. Às vezes, seus direitos também não."

Rocio também relacionou a crise política e social à possibilidade de novas ondas migratórias. Para ela, a situação atinge áreas essenciais da vida da população. "A gente pensa que talvez assim vai acontecer até um aumento da migração por causa da dificuldade não só de trabalho, porque sempre existiu, mas de alimentação, de coisas mínimas mesmo para a comunidade."

Entidades denunciam falta de cobertura sobre a crise

A organização Warmis Convergência das Culturas participou da convocação do ato. Integrante da entidade, a imigrante boliviana Jobana Moya afirmou que a mobilização expressa uma frente conjunta de coletivos bolivianos e brasileiros. Ela descreveu o protesto como "a representação de uma articulação de vários coletivos bolivianos e brasileiros para denunciar o que está acontecendo na Bolívia, porque a mídia brasileira infelizmente não está dando cobertura".

Segundo Moya, as mobilizações na Bolívia já passam de 40 dias. Ela criticou a criminalização dos movimentos sociais e relatou denúncias sobre detidos que teriam aceitado processos abreviados após pressão para admitir culpa. "Essas pessoas praticamente têm sido coagidas a declarar-se culpadas, dentro desse contexto de criminalização para poder sair rapidamente do cárcere, mas que, ao longo do tempo deste ano, vão sofrer graves consequências por isso."

Brasil recomenda evitar viagens à Bolívia

Diante da instabilidade, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil recomendou que cidadãos brasileiros evitem viagens à Bolívia, salvo em casos de necessidade essencial. A orientação dá atenção especial aos departamentos de La Paz e Oruro.

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