Brasil convoca reunião da Celac após ofensiva dos EUA contra a Venezuela
Reunião extraordinária discutirá bombardeios, sequestro e prisão de Nicolás Maduro e reação diplomática regional
247 - O governo brasileiro anunciou a convocação de uma reunião extraordinária da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) para discutir os ataques realizados pelos Estados Unidos em território venezuelano e a prisão considerada ilegal do presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama Cilia Flores. A iniciativa reforça a posição do Brasil em defesa da soberania da Venezuela e do respeito ao direito internacional. O encontro reunirá representantes de todos os países da América Latina e do Caribe, em meio ao aumento das tensões geopolíticas na região. As informações são da Telesur.
Reunião analisa estabilidade regional pós ataques dos EUA
A ministra interina das Relações Exteriores, Maria Laura da Rocha, confirmou oficialmente a convocação do encontro ministerial. Segundo ela, “está sendo convocada uma reunião ministerial da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC), da qual participarão todos os países da região, para amanhã [domingo (4)] , às 14h, horário local de Brasília”.
A reunião terá como foco central a análise dos ataques e de suas consequências para a estabilidade regional, além da definição de uma posição conjunta dos países latino-americanos e caribenhos.
Brasil levará denúncia ao Conselho de Segurança da ONU
Além da articulação regional, o governo brasileiro também pretende internacionalizar o debate. Maria Laura da Rocha informou que o Brasil apresentará sua posição contrária à intervenção dos Estados Unidos na reunião do Conselho de Segurança das Nações Unidas agendada para a próxima segunda-feira (5). O objetivo é denunciar o que o governo brasileiro considera uma violação grave do direito internacional e reforçar a necessidade de uma resposta multilateral diante do episódio.
Lula condena ataque e alerta para riscos ao multilateralismo
Em declaração feita na manhã do sábado (3), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) classificou os ataques e a prisão do presidente venezuelano como inaceitáveis. “Esses atos representam uma grave afronta à soberania da Venezuela e estabelecem um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional”, afirmou.
Lula também fez um alerta sobre os impactos globais do uso da força em relações internacionais. “Atacar países, em flagrante violação do direito internacional, é o primeiro passo rumo a um mundo de violência, caos e instabilidade, onde a lei do mais forte prevalece sobre o multilateralismo”, disse o presidente por meio de um comunicado.
O presidente ressaltou que a posição brasileira mantém coerência com sua atuação diplomática em outros contextos. “A condenação do uso da força é coerente com a posição que o Brasil sempre adotou em situações recentes em outros países e regiões. Essa ação evoca os piores momentos de interferência na política da América Latina e do Caribe e ameaça a preservação da região como zona de paz”, declarou.
Ao final, Lula defendeu uma resposta firme da comunidade internacional por meio das Nações Unidas. “O Brasil condena essas ações e permanece disposto a promover o diálogo e a cooperação”, enfatizou, reiterando o compromisso brasileiro com a soberania dos povos e a solução pacífica de conflitos.
