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Central sindical boliviana condiciona diálogo com governo ao fim de prisões

Central Operária Boliviana exige anulação de mandados de detenção e orienta passagem humanitária em bloqueios

Trabalhadores realizam manifestação de protesto na Bolívia (Foto: Prensa Latina )
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247 - A Central Operária Boliviana (COB) condicionou qualquer diálogo com o governo de Rodrigo Paz à anulação de mandados de prisão contra lideranças sindicais e à libertação de trabalhadores detidos nos protestos, ao mesmo tempo em que orientou a passagem humanitária em bloqueios nacionais.

Segundo a Telesur, a decisão foi tomada em meio ao agravamento da crise social na Bolívia, onde a Administradora Boliviana de Carreteras registrou 59 pontos de bloqueio em seis das nove regiões do país. A nova contagem ocorreu após o fracasso de uma segunda operação policial e militar para liberar a rota principal entre La Paz e Oruro.

As manifestações são impulsionadas por centrais camponesas, pela COB e por apoiadores do ex-presidente Evo Morales. Os movimentos cobram a renúncia de Rodrigo Paz, que está há seis meses no cargo, e afirmam que o governo não conseguiu enfrentar a crise política e econômica que atravessa o país.

A COB também reafirmou que se considera a única instância legítima de comunicação e representação nacional e internacional dos trabalhadores bolivianos. Em resolução, a entidade rejeitou negociações paralelas e defendeu a legitimidade das medidas de pressão adotadas há mais de três semanas.

Crise se espalha por seis regiões da Bolívia

O Comitê Executivo Nacional da COB emitiu orientação no último sábado (23), classificando os bloqueios e demais medidas de pressão como legítimos, orgânicos e constitucionais.

A central sindical acusa o governo de Rodrigo Paz de tentar impor uma agenda de privatizações na Bolívia. Segundo a entidade, essa política poderia provocar aumentos nos preços da eletricidade, da água potável, do gás liquefeito de petróleo e do gás natural veicular.

Trabalhadores públicos, mineiros e setores populares vinculados à COB mantêm mobilizações em torno de uma pauta com mais de 100 reivindicações. Entre as demandas estão aumento salarial, rejeição às privatizações e críticas ao que os manifestantes definem como abandono estatal.

Os protestos também têm a participação de camponeses, indígenas e transportadores. Apesar das negociações conduzidas pelo Executivo com setores específicos, as mobilizações não foram desmobilizadas, especialmente sob liderança da COB e da Federação de Camponeses Tupac Katari de La Paz.

COB exige anulação de mandados de prisão 

A COB decidiu não participar de mesas de diálogo enquanto não forem anulados os mandados de prisão contra o dirigente Mario Argollo Mamani e outros líderes. A entidade também exige a libertação dos trabalhadores detidos durante os protestos.

O governo de Rodrigo Paz emitiu ordens de prisão contra várias lideranças, entre elas Mario Argollo, executivo nacional da COB. A central sindical acusa o governo de criminalizar a mobilização popular.

Na sexta-feira, Argollo reapareceu em um vídeo divulgado nas redes sociais após deixar o esconderijo. Ele criticou a mensagem do presidente Paz e afirmou que “não houve uma coletiva de imprensa com respostas claras para a população”, mas sim “uma provocação ao nos criminalizar e chamar os líderes de vândalos”.

Entidade orienta passagem humanitária nos bloqueios

Mesmo mantendo as medidas de pressão, a COB determinou que todas as confederações, federações nacionais, centrais operárias departamentais e organizações regionais adotem critérios humanitários nos pontos de bloqueio.

A orientação atende a uma resolução de ação popular emitida pela Segunda Câmara Constitucional de La Paz. A central sindical instruiu suas bases a agir com responsabilidade e consciência social, priorizando a saúde e a vida.

A determinação prevê a passagem imediata e irrestrita de ambulâncias, veículos de emergência médica, pessoal de saúde, brigadas médicas e transportes com medicamentos, insumos médicos e equipamentos hospitalares.

A medida também busca proteger pacientes em situação de emergência, pessoas com deficiência, gestantes, crianças, adolescentes, idosos e qualquer cidadão cuja vida ou integridade física esteja sob risco.

La Paz e Oruro concentram maior intensidade

O mapa oficial da Administradora Boliviana de Carreteras localiza os bloqueios nas regiões andinas de La Paz, Oruro e Potosí, nas regiões centrais de Chuquisaca e Cochabamba e na região oriental de Santa Cruz. A maior intensidade está concentrada em La Paz e Oruro.

Beni e Pando, na região amazônica, e Tarija, no sul do país, permanecem sem bloqueios de estradas, conforme o levantamento citado pela teleSUR.

A operação governamental denominada “Corredor Humanitário com Bandeiras Brancas” tentou liberar, no sábado, a rodovia de 227 quilômetros que liga La Paz a Oruro. A ação contou com tratores, policiais e militares, que utilizaram gás lacrimogêneo contra manifestantes.

Após a passagem do comboio, os manifestantes restabeleceram os bloqueios com terra, pedras e troncos. A tentativa repetiu o fracasso de uma operação anterior realizada no sábado, 16 de maio.

Camponeses convocam ampliação das mobilizações

A Confederação Sindical Única de Trabalhadores Camponeses da Bolívia também convocou a ampliação dos bloqueios e de outras medidas em escala nacional.

Em comunicado, a organização afirmou que “devemos continuar esta luta inabalável, agora mais do que nunca, em defesa dos nossos recursos naturais, da economia popular do povo boliviano e em defesa da soberania do país”.

A CSUTCB declarou ainda que a Bolívia vive uma “situação crucial” diante de um “governo neoliberal que buscou impor medidas inconstitucionais, colocando nossos recursos naturais, nossas empresas estatais e nossas terras e territórios em risco de privatização”.

Com os bloqueios mantidos em seis regiões e as entidades sindicais condicionando qualquer negociação ao fim das ordens de prisão e à libertação dos detidos, a crise boliviana segue marcada pela disputa entre o governo de Rodrigo Paz e organizações populares que ampliaram a pressão nas estradas do país.

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