Mobilizações na Bolívia pressionam governo de Rodrigo Paz
Trabalhadores urbanos e camponeses ampliam greve geral e cobram saída do presidente Rodrigo Paz
247 - As mobilizações populares na Bolívia ampliaram a pressão sobre o governo Rodrigo Paz nesta segunda-feira (18), com uma marcha de trabalhadores urbanos, camponeses e outros setores da população de El Alto a La Paz, em meio a uma greve geral por tempo indeterminado, as informações são da teleSUR.
A manifestação, liderada pela Central Operária Boliviana (COB), pela Confederação Sindical Unificada dos Trabalhadores Camponeses da Bolívia (CSUTCB) e pela Federação Camponesa de La Paz “Tupac Katari”, conhecida como Ponchos Vermelhos, reuniu também professores e mineiros cooperativistas. Segundo a teleSUR, o movimento passou a exigir a renúncia imediata do presidente de direita Rodrigo Paz Pereira, acusado pelas organizações de repressão e de aplicar um programa de ajuste econômico que provocou forte indignação social.
A greve geral mantém o país sob tensão, com mais de 70 bloqueios de estradas. As entidades sociais, que inicialmente reivindicavam aumentos salariais, passaram a defender uma rejeição ampla ao governo, apenas seis meses após a posse de Paz.
Repressão aumenta rejeição ao governo
A escalada dos protestos ocorre após a repressão policial registrada no sábado (16), , quando ao menos quatro manifestantes morreram em ações atribuídas à polícia e às forças militares. De acordo com o relato original, pelo menos 57 pessoas foram presas durante uma grande operação policial e militar voltada à retirada de bloqueios nos acessos a La Paz e El Alto.
As organizações que convocam a paralisação apontam que a crise foi agravada pela implementação de um plano econômico de ajuste estrutural. Para os movimentos sociais, as medidas do Executivo atendem aos interesses das grandes empresas e do Fundo Monetário Internacional (FMI).
Entre as principais decisões criticadas está a eliminação dos subsídios aos combustíveis, que provocou aumento de 86% no preço da gasolina e de mais de 160% no preço do diesel. O chamado “gasolinazo” impactou diretamente as condições de vida da classe trabalhadora e ampliou a rejeição popular ao governo.
Lei Marinkovic também é alvo de protestos
Além do aumento dos combustíveis, movimentos indígenas e camponeses rejeitam a chamada lei Marinkovic, lei 1720. As organizações afirmam que a medida ameaça recursos naturais comuns e pode favorecer a desapropriação de terras camponesas, facilitando a conversão de pequenas propriedades agrícolas em benefício de grandes latifundiários.
Com os bloqueios e a greve, a capital boliviana enfrenta escassez de alimentos e combustível. Apesar da ampliação dos protestos, o governo Rodrigo Paz descartou a possibilidade de renúncia.
A administração classificou a ação estatal como uma “operação humanitária”, conduzida por 3.500 militares armados. O governo também definiu a rebelião popular como uma “conspiração” atribuída à facção do ex-presidente Evo Morales.
Crise ganha repercussão internacional
No plano internacional, os Estados Unidos emitiram uma declaração de apoio a Rodrigo Paz, apontado como aliado na região, e denunciaram supostos planos de desestabilização. A posição ocorre em meio ao agravamento da crise política e social boliviana.
Em gesto de mediação, o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, descreveu o conflito como uma revolta popular e ofereceu ajuda para lidar com a crise na Bolívia.
A mobilização desta segunda-feira consolidou a passagem de uma pauta inicialmente econômica para uma contestação direta ao governo Rodrigo Paz, em um cenário marcado por bloqueios, repressão, mortes, prisões e crescente tensão social.


