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Justiça da Bolívia suspende julgamento e renova mandado de prisão contra Evo Morales

Tribunal boliviano suspendeu audiência após ausência do ex-presidente a uma audiência; defesa diz que ex-presidente não foi formalmente notificado

Evo Morales (Foto: REUTERS/Agustin Marcarian)
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247 - A Justiça da Bolívia renovou nesta segunda-feira (11) o mandado de prisão contra o ex-presidente Evo Morales após a suspensão da audiência que marcaria o início do julgamento em que ele responde por suposto tráfico de menor. As informações são da AFP.

Segundo a acusação, Morales teria mantido um relacionamento com uma adolescente de 15 anos, com quem teria tido uma filha. O Ministério Público afirma ainda que os pais da jovem teriam consentido com a relação em troca de benefícios, motivo pelo qual também são investigados no caso.

Audiência suspensa por ausência de Morales

A audiência foi suspensa após Evo Morales e a mãe da suposta vítima não comparecerem ao tribunal. Diante da ausência, a Justiça boliviana determinou a renovação das ordens de prisão e da proibição de saída do país impostas ao ex-presidente.

“O julgamento fica suspenso” até que Evo Morales e a outra acusada compareçam espontaneamente ou sejam conduzidos pela polícia, afirmou o promotor responsável pelo caso, Luis Gutiérrez, em entrevista coletiva.

O Ministério Público classificou a ausência do ex-presidente como “injustificada” e informou que o cumprimento do mandado agora depende da atuação da Polícia Nacional da Bolívia.

Ministério Público reforça acusações 

Evo Morales está atualmente na região do Chapare, seu principal reduto político. Segundo informações das autoridades bolivianas, milhares de apoiadores permanecem mobilizados na região para impedir uma eventual operação policial destinada à prisão do ex-presidente.

Em janeiro de 2025, Morales já havia sido declarado em situação de “revelia” pela Justiça boliviana após deixar de comparecer a uma convocação judicial durante a fase de investigação. Pela legislação local, essa condição pode impedir o andamento do processo até que o acusado se apresente oficialmente às autoridades.

Defesa denuncia perseguição política

A defesa de Evo Morales rejeita as acusações e sustenta que houve irregularidades na convocação judicial. O advogado Wilfredo Chávez afirmou na última sexta-feira (8) que o ex-presidente não compareceria à audiência porque não teria sido formalmente notificado. Segundo Chávez, a convocação não foi enviada ao endereço de Morales e teria sido realizada apenas por meio de publicação oficial na imprensa escrita.

Os advogados do ex-presidente também acusam o governo do atual presidente boliviano, Rodrigo Paz, de promover perseguição política e judicial contra Morales, que governou a Bolívia entre 2006 e 2019.

Na semana passada, Evo Morales se manifestou sobre o caso em publicação na rede social X, antigo Twitter. “Não busco impunidade. Quero que meus acusadores demonstrem, com provas legais e reais, os supostos crimes que cometi. Pedi uma justiça imparcial, honesta, objetiva e autônoma do poder político”, escreveu o ex-presidente.

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