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Chileno acusado de racismo e de tentar abrir porta de avião já respondeu por falsa ameaça de bomba

A prisão preventiva do executivo foi determinada pela Justiça Federal brasileira e cumprida na sexta-feira (15)

As ofensas foram filmadas em um voo para Frankfurt no último domingo (10/5). O homem foi preso na última sexta-feira (15/5) (Foto: Reprodução)
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247 - O chileno Germán Naranjo Maldini, preso no Brasil sob acusação de ofensas racistas, xenofóbicas e homofóbicas contra um comissário de bordo da Latam, também foi citado em episódios anteriores no Chile, incluindo uma falsa ameaça de bomba e uma denúncia por suposto suborno. As informações são da CNN Chile.

O caso ganhou repercussão após um voo entre São Paulo e Frankfurt, no qual o executivo teria tentado abrir a porta da aeronave durante o trajeto e, depois de ser contido, passou a dirigir insultos racistas a um integrante da tripulação. O histórico anterior de Maldini foi revelado pelo jornal chileno Diario Financiero.

A prisão preventiva do executivo foi determinada pela Justiça Federal brasileira e cumprida na sexta-feira (15), no Aeroporto Internacional de Guarulhos, durante uma conexão de retorno ao Chile. A investigação apura a conduta do passageiro no voo LA8070, operado pela Latam.

Segundo os elementos citados na apuração, Maldini foi acusado de praticar violência discriminatória contra o comissário de bordo Bruno. O episódio levou a companhia aérea a acionar as autoridades brasileiras e prestar apoio ao funcionário atingido.

Além do caso ocorrido no Brasil, Maldini já havia sido mencionado em uma denúncia apresentada em 2025 pelo Registro Civil chileno. De acordo com o Diario Financiero, o episódio teria ocorrido em um cartório em Lo Barnechea, no Chile, quando o executivo foi buscar o passaporte do filho.

Após ser informado de que o documento ainda não estava pronto, ele teria perguntado “a quem temos de pagar?”. Posteriormente, segundo o relato citado pelo jornal, Maldini teria retornado ao local com um maço de dinheiro.

O relatório mencionado pela imprensa chilena afirma que ele voltou ao escritório com notas de 10 mil dólares e teria dito ao funcionário: "Pegue isso e faça meu passaporte rapidamente".

Outro caso atribuído a Maldini ocorreu em 2013, em um hotel de luxo em Las Condes, na região metropolitana de Santiago. Segundo documentos citados pelo Diario Financiero, ele teria dito a funcionários do estabelecimento que havia deixado “uma bomba para matar todos os muçulmanos” em um quarto do hotel.

Diante da declaração, o hotel acionou seus protocolos de emergência. Agentes do GOPE, o Grupo de Operações Especiais dos Carabineros, a Polícia Nacional do Chile, foram chamados para inspecionar as instalações.

Nenhum explosivo foi encontrado no local. Na ocasião, o Ministério Público chileno arquivou o caso após concluir que os fatos não configuravam crime.

Em nota, a Latam afirmou repudiar o episódio ocorrido no voo e informou que presta apoio ao funcionário. A companhia declarou:

"A LATAM repudia veementemente qualquer prática discriminatória e violenta, incluindo crimes de racismo, xenofobia e homofobia. Por esse motivo, a companhia colabora integralmente com a Polícia Federal no caso do passageiro que praticou violência discriminatória contra um de seus tripulantes no voo LA8070 (São Paulo-Frankfurt), de 10 de maio (domingo), e que foi detido no aeroporto de Guarulhos em 15 de maio (sexta-feira). A LATAM esclarece ainda que presta acolhimento psicológico e suporte jurídico ao funcionário vítima dessa violência".

A defesa de Germán Andrés Naranjo Maldini informou que pediu à Justiça Federal uma avaliação da condição clínica e do estado mental do estrangeiro. O advogado criminalista Carlos Kauffmann, que representa o chileno, afirmou que seu cliente relatou não ter clareza sobre o que aconteceu durante o voo.

Segundo a defesa, Maldini estaria abalado, envergonhado e arrependido. Kauffmann afirmou ainda que o executivo faz tratamento psiquiátrico há mais de 13 anos e usa medicamentos controlados.

Em nota, a defesa declarou:

“Estivemos com o Germán hoje, e ele fez uma declaração na qual ele reconhece que, por força de tratamento psiquiátrico, o qual ele é submetido há mais de 13 anos, já tendo sido internado por essas questões, remédios que está tomando, ele não sabe o que aconteceu. Não tem noção do que houve.

Está extremamente triste, consternado, envergonhado com tudo isso, e pede desculpas públicas a todos os brasileiros, em especial, ao tripulante Bruno, que se sentiu ofendido, dizendo que essa conduta é incompatível com a sua vida, com o seu histórico, e que jamais, jamais, poderia fazer algo nesse sentido de maneira consciente, de maneira intencional.

Neste sentido, o que o Herman precisa é de tratamento. Ele toma medicamento, medicamento controlado, e certamente ele busca tratamento para que ele possa se recompor. Peticionamos hoje à Justiça Federal para trazer dados e fatos até então desconhecidos, no sentido de que Herman precisa de tratamento médico, que já foi internado, toma medicação de uso controlado e é indispensável que seja avaliada a sua condição, o seu estado mental, ainda que esteja preso."

O pedido da defesa busca levar à Justiça Federal elementos sobre o histórico médico do executivo, enquanto a investigação brasileira prossegue em torno das acusações de racismo, xenofobia e homofobia durante o voo internacional operado pela Latam.

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