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Claudia Sheinbaum defende autodeterminação de Cuba e critica bloqueio dos EUA

Presidenta mexicana reafirma apoio à ilha, condena sanções e anuncia envio de ajuda humanitária ao país caribenho

Presidente mexicana Claudia Sheinbaum 23/2/2026 REUTERS/Raquel Cunha (Foto: REUTERS/Raquel Cunha)

247 - A presidenta do México, Claudia Sheinbaum, voltou a defender o direito de Cuba à autodeterminação e reforçou a posição histórica de seu país contra medidas unilaterais e soluções violentas em conflitos internacionais. Em declaração no Palácio Nacional, a chefe do Executivo afirmou que divergências devem ser tratadas por meio de organismos multilaterais, como as Nações Unidas.

De acordo com a agência Prensa Latina, Sheinbaum ressaltou que “defendemos, e sempre defenderemos, o direito do povo cubano à autodeterminação. E que, diante de qualquer conflito, os canais multilaterais, as Nações Unidas, devem ser utilizados”. A presidenta acrescentou que essas são “as vias, em caso de qualquer desacordo”, rejeitando “um país sobre o outro, nem invasão, nem solução violenta”.

Durante sua tradicional coletiva de imprensa, a mandatária comentou as negociações em andamento entre Cuba e os Estados Unidos e afirmou que o governo mexicano mantém diálogo com ambas as partes. Segundo ela, o objetivo é contribuir para a estabilidade regional. “Buscando mecanismos para que saibam que o México está sempre presente para prevenir qualquer conflito”, disse.

Sheinbaum também reiterou a oposição do México ao bloqueio econômico imposto por Washington à ilha há mais de seis décadas. A medida, reforçada em janeiro por uma ordem executiva assinada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem agravado dificuldades estruturais em Cuba, especialmente no acesso a combustível.

A escassez energética, intensificada pelas sanções, impacta diretamente setores essenciais como a geração de eletricidade, o funcionamento de hospitais, a produção e distribuição de alimentos e o abastecimento de água. Nesse contexto, a presidente mexicana criticou restrições que dificultam o envio de recursos ao país caribenho.

“E somos contra impedir que o combustível chegue a outros países por meio de retaliação, seja na forma de ajuda humanitária ou em um acordo comercial que qualquer país pode ter com outro”, afirmou Sheinbaum.

A líder mexicana destacou que essa posição é conhecida tanto por Washington quanto por Havana e garantiu a continuidade do apoio material à ilha. “Hoje, outro navio de ajuda humanitária parte do México rumo à ilha, para o povo cubano, e enviaremos toda a ajuda humanitária necessária”, declarou.

Ela também mencionou o suporte oferecido pelo governo às embarcações do Comboio Nossa América, iniciativa solidária voltada ao envio de suprimentos a Cuba. Segundo Sheinbaum, a medida busca garantir maior segurança às viagens, especialmente para embarcações de menor porte.

Por fim, a presidente enfatizou que as Nações Unidas deveriam ampliar o envio de ajuda à ilha e revelou que o México busca alternativas para fornecer combustível a Cuba, sem comprometer o abastecimento interno, seja por meio de assistência humanitária ou acordos comerciais.

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