Colômbia acusa Equador de tentar interferir nas eleições presidenciais
Governo colombiano critica gesto de Daniel Noboa a candidato de direita às vésperas da eleição e fala em ingerência no processo democrático
247 - A Colômbia acusou o Equador de promover uma “interferência deliberada” em sua eleição presidencial, marcada para este domingo (31), após o presidente equatoriano, Daniel Noboa, anunciar a suspensão de tarifas comerciais bilaterais em entendimento com um dos candidatos que disputam o pleito colombiano. As informações são da Reuters.
Em nota divulgada neste sábado (30), o Ministério das Relações Exteriores da Colômbia afirmou que rejeita a forma como o governo equatoriano apresentou a retirada das tarifas, classificando a iniciativa como uma tentativa de influenciar o cenário político do país em um momento decisivo da campanha presidencial.
A controvérsia teve início após Noboa anunciar, na sexta-feira (29), que o Equador eliminará as tarifas bilaterais a partir de 1º de junho. Segundo o presidente equatoriano, a decisão foi tomada após um acordo com o candidato presidencial colombiano de direita Abelardo de la Espriella.
Em publicação na rede social X, Noboa afirmou que a medida foi adotada depois de “confirmar a disposição [de Espriella] de promover uma luta real e conjunta contra o narcoterrorismo”. O presidente do Equador também informou que houve entendimento sobre a entrega de criminosos equatorianos que estariam em território colombiano.
A resposta de Bogotá veio de forma imediata. O Ministério das Relações Exteriores colombiano declarou que rejeita “a apresentação enganosa da decisão de remover as tarifas como uma medida de boa fé do governo equatoriano”. Apesar da crítica, o governo colombiano informou que retirará as medidas adotadas anteriormente para mitigar os efeitos das tarifas impostas pelo Equador.
Até o momento, o gabinete de Daniel Noboa não havia se manifestado oficialmente sobre as acusações feitas pelo governo colombiano.
Disputa comercial entre os países
A tensão diplomática ocorre em meio a uma disputa comercial que se arrasta há meses entre os dois países vizinhos. O Equador justificou a imposição das tarifas alegando que a Colômbia não estaria adotando medidas suficientes para combater o tráfico de drogas na região de fronteira, que se estende por cerca de 586 quilômetros.
O presidente colombiano, Gustavo Petro, tem rejeitado essa acusação e contestado a justificativa apresentada por Quito para manter as barreiras comerciais.
Eleição presidencial sob tensão
O episódio acontece às vésperas da eleição presidencial colombiana, aumentando a sensibilidade política em torno das relações bilaterais. Abelardo de la Espriella, candidato independente de perfil conservador, disputará a presidência contra diversos concorrentes, entre eles Ivan Cepeda, aliado político do presidente Gustavo Petro, e a senadora de direita Paloma Valencia.
A acusação de interferência estrangeira adiciona um novo elemento à campanha eleitoral e amplia o desgaste diplomático entre Bogotá e Quito, em um momento de crescente tensão sobre comércio, segurança e combate ao narcotráfico na região andina.


