Desconfiança em Noboa chega a 73% no Equador
Levantamento mostra aumento da rejeição e piora do cenário econômico e social no país
247 - A desconfiança em relação ao presidente do Equador, Daniel Noboa, alcançou 73% da população, segundo um levantamento recente realizado nas principais cidades do país. O aumento da rejeição ocorre em meio à deterioração das condições econômicas e sociais, com impacto direto no cotidiano dos equatorianos e crescimento do sentimento de insatisfação.
De acordo com informações divulgadas pela Telesur, com base em dados do Centro de Pesquisa e Estudos Especializados (Ciees), a pesquisa foi conduzida entre os dias 18 e 19 de abril em Quito e Guayaquil e aponta uma queda significativa na aprovação do governo em comparação ao mês anterior.
Cresce a desaprovação e a antipatia
O estudo indica que 69% dos entrevistados avaliam negativamente a gestão de Noboa, enquanto 66% manifestam antipatia pelo presidente. Em março, esses índices eram de 57% e 56%, respectivamente, evidenciando um aumento consistente da rejeição.
Segundo o Ciees, o cenário reflete uma retirada progressiva do apoio popular ao governo, acompanhada por um agravamento do clima emocional no país. Os sentimentos de indignação subiram de 37% para 40%, enquanto o medo avançou de 25% para 28% no último mês.
Economia ganha peso nas preocupações
Embora a insegurança ainda seja a principal preocupação da população, esse indicador apresentou queda, passando de 70% para 58%. Em contrapartida, a situação econômica ganhou relevância, saltando de 16% para 26% entre os principais temores dos cidadãos.
A percepção de má governança e corrupção também registrou crescimento expressivo, quase dobrando de 12% para 21%, o que reforça o desgaste da imagem do governo.
Crise energética e saúde pressionam governo
A queda na popularidade de Noboa coincide com medidas adotadas pelo governo para conter a violência, como a implementação de toque de recolher em várias províncias. Paralelamente, mudanças nos ministérios da Saúde e da Energia foram anunciadas em meio a críticas relacionadas aos apagões frequentes e à escassez de medicamentos no sistema público.
Os cortes programados de energia e as falhas no abastecimento de insumos médicos têm sido apontados como fatores centrais para o aumento da insatisfação popular.
Insegurança alimentar agrava cenário
O colapso da confiança no governo também ocorre em um contexto de agravamento das condições sociais. Dados da plataforma HungerMap Live, do Programa Mundial de Alimentos (PMA) da ONU, indicam que o Equador se encontra na fase 3 de insegurança alimentar aguda, considerada um nível crítico de vulnerabilidade.
Esse estágio coloca o país ao lado de regiões que enfrentam graves dificuldades, como Faixa de Gaza, Camarões, Serra Leoa e Zimbábue, evidenciando a profundidade da crise.
Percepção contradiz discurso oficial
Os resultados da pesquisa contrastam com declarações recentes de Noboa, que apontaram crescimento nas vendas no país. No entanto, a percepção da população indica uma deterioração das condições econômicas das famílias e a redução das oportunidades de emprego.
O levantamento reforça o cenário de instabilidade política e social no Equador, marcado pelo aumento da rejeição ao governo e pela intensificação das preocupações com a economia e a qualidade de vida.


