Petro, da Colômbia, processa Noboa, do Equador, por calúnia
Presidente da Colômbia processa presidente do Equador após acusações de ligação com narcotráfico
247 - O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, anunciou neste domingo (19) que decidiu processar criminalmente o presidente do Equador, Daniel Noboa, por calúnia, após declarações que o associaram ao narcotráfico. A decisão ocorre em meio ao agravamento da crise diplomática entre os dois países e ao aumento das tensões políticas e comerciais.
As declarações de Petro foram feitas em sua conta na rede social X, em resposta a acusações divulgadas em entrevista de Noboa à revista colombiana Semana, que sugeriu uma possível ligação do líder colombiano com o narcotraficante equatoriano José Adolfo Macías Villamar, conhecido como “Fito”.
Petro nega acusações e anuncia ação judicial
No comunicado, Petro afirmou que as declarações são falsas e ofensivas. “Decidi processar criminalmente o presidente Noboa por sua calúnia”, escreveu. Ele também relatou detalhes de sua visita à cidade equatoriana de Manta, onde esteve por ocasião da posse de Noboa, destacando que recebeu escolta oficial do Exército do Equador.
“Não sei se ir a algum lugar do Equador implica a suspeita de contatos obscuros”, afirmou o presidente colombiano, ao negar qualquer relação com atividades ilícitas. Ele também ressaltou que sua equipe de segurança e outras testemunhas podem confirmar os fatos.
Petro ainda criticou o tratamento recebido durante a visita e voltou a defender o ex-vice-presidente equatoriano Jorge Glas, a quem classificou como “preso político”, alegando que ele enfrenta condições severas de detenção.
Entrevista de Noboa intensifica crise
Na entrevista à revista Semana, Noboa sugeriu que Petro esteve em contato indireto com pessoas ligadas a “Fito”. “Se se reuniu fisicamente cara a cara com Fito, não o poderia dizer neste momento. Mas digamos que estava com o mesmo grupo e na mesma zona”, declarou.
“Fito” é apontado como líder da organização criminosa Los Choneros. Ele escapou de uma prisão no Equador em janeiro de 2024, desencadeando uma onda de violência no país, e foi recapturado em junho de 2025, sendo posteriormente extraditado para os Estados Unidos.
Disputa envolve segurança e comércio
Além das acusações pessoais, Noboa também criticou a política de segurança de Petro na região de fronteira, afirmando que áreas estratégicas estariam sob controle de grupos armados. Segundo ele, houve retirada de tropas colombianas em regiões como Putumayo e Nariño.
Petro respondeu defendendo as medidas adotadas por seu governo e criticou o impacto das decisões econômicas equatorianas. Ele lamentou os efeitos das tarifas comerciais impostas por Noboa, que chegaram a 100%, afetando diretamente o comércio bilateral.
Relações diplomáticas em deterioração
A tensão entre Colômbia e Equador vem crescendo desde o início do ano, com trocas de acusações e medidas econômicas retaliatórias. Ambos os países já convocaram seus embaixadores e adotaram políticas tarifárias que impactam significativamente o comércio regional.
A crise também inclui divergências sobre o combate ao narcotráfico e episódios recentes na fronteira, como um incidente envolvendo uma bomba lançada por um avião militar equatoriano que acabou atingindo território colombiano.
Sem sinais de recuo por parte dos dois governos, o anúncio do processo judicial por parte de Petro marca um novo capítulo na deterioração das relações entre os países vizinhos.


