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Petro acusa Noboa de interferência em eleição na Colômbia

Presidente colombiano denuncia conspiração internacional e anuncia ação judicial contra líder equatoriano

Presidente da Colômbia, Gustavo Petro 09/11/2025 (Foto: Luisa Gonzalez/Reuters)

247 - O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, acusou seu homólogo equatoriano, Daniel Noboa, de interferir no processo eleitoral colombiano, em meio ao agravamento da crise diplomática entre os dois países. Segundo o mandatário, há indícios de articulações externas para prejudicá-lo politicamente e favorecer setores alinhados à oposição.

De acordo com informações divulgadas pela agência Prensa Latina, Petro afirmou em suas redes sociais que existem gravações indicando que autoridades do Equador receberam ordens do Departamento de Estado dos Estados Unidos, “para encontrar bandidos para me acusar”. O presidente colombiano sustentou que o objetivo seria mantê-lo na lista do Departamento do Tesouro norte-americano, na qual, segundo ele, foi incluído de forma arbitrária.

Petro também criticou diretamente Noboa e setores da oposição colombiana. “Noboa os ouve e acata ordens, e recebe a oposição liderada por Uribe, com quem conspira para interferir nas eleições e beneficiar seus comparsas empresariais do Uribismo”, escreveu, em referência ao ex-presidente Álvaro Uribe (2002-2010).

As declarações ocorreram após Noboa mencionar uma suposta reunião de Petro com pessoas ligadas ao narcotraficante conhecido como Fito, durante visita do colombiano à cidade equatoriana de Manta. Petro negou qualquer vínculo com o criminoso. “Eu fui ao Equador apenas para assistir à posse de seus presidentes, e capturamos muitos bandidos nascidos naquele país, que já entregamos às autoridades”, afirmou.

Diante das acusações, o presidente colombiano anunciou que pretende processar Noboa por difamação.

Tensão política e eleitoral

O episódio ocorre em um contexto de crescente tensão política e eleitoral na Colômbia. O candidato presidencial do Pacto Histórico, Iván Cepeda, também denunciou manobras da direita para influenciar o pleito. Segundo ele, uma recente viagem de Álvaro Uribe ao Equador e a regiões de fronteira teria objetivos eleitorais.

“A extrema-direita tem usado todo tipo de métodos sujos e campanhas inescrupulosas para ganhar apoio popular e obter mais votos neste processo eleitoral. Agora, Uribe está se deslocando para a fronteira com o Equador para tentar incitar o ódio entre nossos povos e também exacerbar a guerra comercial”, declarou Cepeda em vídeo publicado nas redes sociais.

O candidato acrescentou que políticos colombianos de direita estão articulados com aliados no Equador para prejudicar a população do sul do país e conter o avanço do Pacto Histórico, que obteve apoio significativo nas eleições legislativas de 8 de março de 2026. “Isso não é nada diferente de um comportamento apátrida”, afirmou.

Cepeda ainda ressaltou que, caso seja eleito, pretende priorizar relações econômicas e políticas mais próximas com as cidades fronteiriças.

Crise bilateral em escalada

Colômbia e Equador enfrentam uma crise diplomática e econômica há meses. O impasse se intensificou após o governo equatoriano impor tarifas de 30% sobre produtos colombianos, posteriormente elevadas para 100%, medida que impactou significativamente o comércio entre os dois países.

O cenário atual evidencia o aprofundamento das tensões políticas na região, com reflexos diretos no ambiente eleitoral colombiano e nas relações bilaterais entre Bogotá e Quito.

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