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Colômbia decide entre continuidade da paz social e retorno da política de guerra

Segundo turno opõe Iván Cepeda, herdeiro político do projeto de Gustavo Petro, a Abelardo de la Espriella, candidato da ultradireita

Ivan Cepeda e Abelardo de la Espriella (Foto: Gerado por IA (Imagens: Senado colombiano / Reuters))
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247 – A Colômbia chega à reta final de uma eleição presidencial decisiva, na qual mais de 41 milhões de cidadãos foram habilitados a escolher, neste domingo, entre dois projetos políticos antagônicos: o de Iván Cepeda, candidato do Pacto Histórico, identificado com a defesa dos direitos humanos e com a continuidade das políticas sociais do presidente Gustavo Petro, e o de Abelardo de la Espriella, representante da ultradireita pelo movimento Defensores da Pátria.

Segundo a teleSUR, a disputa ocorre em um clima de forte polarização, com 122.016 mesas de votação distribuídas em 13.742 postos eleitorais no país e no exterior. A votação mobiliza 41.421.973 eleitores, sendo 21,2 milhões de mulheres e 20,1 milhões de homens, em um processo acompanhado por amplo esquema de segurança e fiscalização.

Dois projetos opostos para a Colômbia

Iván Cepeda apresentou ao eleitorado um programa voltado à continuidade das políticas públicas implementadas pelo governo Petro. A plataforma inclui o combate à pobreza, a universalização da educação e da saúde, o enfrentamento à corrupção, o desenvolvimento do campo, a consolidação da paz e a ampliação da presença do Estado em territórios historicamente abandonados.

Conhecido por sua trajetória na defesa dos direitos humanos, Cepeda busca representar a continuidade de um ciclo político que colocou a justiça social e a negociação com grupos armados no centro da agenda nacional. Sua candidatura é apoiada pelo Pacto Histórico e pelas organizações reunidas na Aliança pela Vida.

Abelardo de la Espriella, por outro lado, propõe uma guinada radical à direita. De acordo com a teleSUR, seu programa prevê cortes sociais, enfraquecimento do Estado, retorno à militarização da segurança pública e retomada de práticas associadas ao Plano Colômbia, política que deixou milhares de vítimas e agravou os impactos sociais do narcotráfico.

Entre as propostas atribuídas ao candidato da ultradireita estão a construção de 10 megacadeias, a reativação dos bombardeios contra grupos armados, a volta da fumigação aérea de cultivos de coca e o abandono da política de paz total. A agenda marca uma ruptura com o discurso dos direitos e recoloca no centro da campanha a linguagem da guerra.

Pacto Histórico anuncia força-tarefa para proteger o voto

Nas horas que antecedem a abertura das urnas, as duas campanhas encerraram suas atividades públicas e intensificaram os apelos aos eleitores. O Pacto Histórico e as organizações da Aliança pela Vida anunciaram uma grande mobilização nacional para acompanhar a votação e proteger o processo eleitoral.

Em comunicado citado pela teleSUR, as organizações afirmaram: “Organizamos e preparamos um imenso dispositivo de cuidado eleitoral, com 89.881 testemunhas de mesa, 4.980 testemunhas de comissões de apuração, 3.294 advogados e 338 auditores de sistemas, para uma cobertura de 90% das mesas de votação e 96% das comissões de apuração”.

O alerta da campanha de Cepeda ocorre em meio a denúncias sobre possíveis irregularidades e tentativas de pressão sobre eleitores. O Pacto Histórico e a Aliança pela Vida declararam preocupação com práticas que, segundo as organizações, poderiam comprometer o exercício livre do voto.

“Preocupam-nos algumas condutas que põem em risco o exercício livre do direito ao voto, a transparência e a tranquilidade das eleições, em particular as pressões indevidas sobre eleitores, ameaças, condicionamentos, a compra de votos, a agressão, a estigmatização e a violência contra as pessoas que fazem parte de nossa campanha”, afirmaram.

Denúncias contra De la Espriella elevam tensão política

A teleSUR informa que a campanha de Abelardo de la Espriella passou a ser alvo de denúncias de compra de votos. O candidato também é apontado como beneficiário de apoio político de Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos, em um contexto descrito pela emissora como tentativa de ingerência de Washington em assuntos internos da Colômbia.

As denúncias contra De la Espriella não se limitam ao processo eleitoral. Segundo o texto original, ele já havia sido acusado por supostos vínculos com o paramilitarismo e por enriquecimento ilícito com recursos da saúde. A matéria também menciona preocupação expressa por 11 congressistas democratas dos Estados Unidos, que alertaram a Casa Branca sobre o risco de apoiar um candidato com histórico considerado “sumamente inquietante”.

De acordo com a teleSUR, os parlamentares recordaram que De la Espriella manteve relações próximas com líderes das Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC), grupo paramilitar responsável por numerosos crimes e designado por Washington como organização terrorista em 2001. Os congressistas também mencionaram que o candidato e sua esposa aparecem vinculados a pelo menos 14 empresas fantasmas no estado da Flórida, envolvidas em negócios imobiliários de milhões de dólares com recursos de origem pouco clara.

Temblores rompe neutralidade e critica discurso de ódio

A ONG Temblores, conhecida por sua atuação em defesa dos direitos humanos, também entrou no debate eleitoral. Após anos mantendo independência partidária, a organização decidiu se pronunciar contra De la Espriella, classificando-o como um “inimigo acérrimo dos direitos humanos”.

A entidade afirmou que o discurso do candidato transforma adversários políticos em inimigos, o que, segundo ela, representa risco à democracia colombiana. Em declaração reproduzida pela teleSUR, a Temblores afirmou: “Uma coisa é questionar um governo democrático e outra muito diferente é permitir a ascensão de um projeto político que construiu boa parte de sua identidade em torno da estigmatização do adversário, que promete impor sua visão de mundo ‘pela razão ou pela força’ e que convida seus eleitores — a partir do plural que impõe a frase ‘vamos estripar a esquerda’ — a destruir aqueles que pensam diferente”.

A organização também evocou a memória histórica da violência política na Colômbia, marcada pelo extermínio sistemático de militantes, dirigentes, vereadores, prefeitos, congressistas e simpatizantes da União Patriótica. Segundo a Temblores, 5.733 pessoas ligadas ao movimento foram assassinadas.

“Em uma eventual presidência de Abelardo de la Espriella, a garantia dos direitos humanos e nossa existência como organização que os defende estão em risco”, afirmou a ONG.

Esquema de segurança mobiliza mais de 228 mil agentes

Para garantir a realização do segundo turno, mais de 228 mil integrantes da Força Pública foram mobilizados em diferentes departamentos do país. A operação tem como objetivo assegurar os postos de votação, proteger os cidadãos e preservar a ordem pública durante o balotaje.

Além disso, 5.720 mesas de votação situadas em regiões consideradas de risco receberão esquemas especiais de proteção. São áreas onde há presença de grupos armados ilegais ou possibilidade de alterações de segurança, segundo as autoridades eleitorais.

O governo colombiano também determinou o fechamento das fronteiras no sábado, medida apresentada como forma de garantir que o segundo turno ocorra sem interferências externas e com máxima transparência.

Primeiro turno mostrou disputa apertada

A primeira rodada das eleições ocorreu em 31 de maio e teve participação de três em cada cinco eleitores colombianos. Abelardo de la Espriella terminou em primeiro lugar, com 10,3 milhões de votos, o equivalente a 43,78% do total. Iván Cepeda ficou em segundo, com 9,7 milhões de votos, ou 40,98%.

A diferença entre os dois candidatos tornou o segundo turno uma disputa altamente competitiva e com forte carga simbólica. De um lado, Cepeda representa a continuidade do projeto progressista de Gustavo Petro, com ênfase em direitos sociais, paz e presença do Estado. De outro, De la Espriella propõe o retorno a uma agenda de segurança militarizada, redução do papel estatal e alinhamento com Washington.

A decisão dos colombianos, portanto, vai além da escolha de um novo chefe de Estado. O país definirá se dará continuidade a um ciclo político baseado em justiça social e diálogo ou se retomará uma estratégia marcada pela guerra interna, pelo endurecimento penal e pela subordinação geopolítica aos Estados Unidos.

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