Campanha do direitista Abelardo de la Espriella é alvo de denúncias na Colômbia
Denúncias na Colômbia envolvem campanha do candidato da extrema direita por compra de votos, uso ilegal de dados e ameaças a universidades
247 - A campanha presidencial de Abelardo de la Espriella, candidato de extrema-direita na Colômbia, entrou no centro de uma crise política após denúncias envolvendo compra de votos, uso ilegal de dados pessoais, ameaças ao setor universitário e possível financiamento transnacional de propaganda eleitoral.
As informações são da teleSUR, com base em investigações divulgadas pela Señal Investigativa, produção conjunta da Señal Colombia e da Revista Raya, e em conteúdos associados à RTVC.
As apurações jornalísticas apontam que a estratégia eleitoral atribuída ao entorno de De la Espriella teria recorrido a intermediários, estruturas políticas regionais e campanhas de desinformação para influenciar o eleitorado. O caso ganhou supostamente irregular de dados de mais de 1,4 milhão de cidadãos e indícios de mobilização política no Caribe colombiano.
As denúncias indicam que bancos de dados teriam sido usados sem autorização para o envio de propaganda política a celulares. De acordo com as informações divulgadas, os registros analisados também incluiriam pessoas vinculadas à Força Pública, o que amplia a gravidade das suspeitas sobre o alcance da operação.
A investigação também menciona a circulação de mensagens enganosas, supostos registros médicos falsos e peças de propaganda que buscariam associar adversários políticos à guerrilha. Para os responsáveis pela apuração, essas ações fariam parte de uma estratégia de medo e polarização voltada a impactar o comportamento dos eleitores.
Pressão sobre servidores e suspeita de captação de votos
Outro ponto central da denúncia envolve a distribuição de formulários a funcionários da Prefeitura de Barranquilla para registrar possíveis eleitores de De la Espriella. Segundo a Revista Raya, determinadas pessoas teriam recebido a tarefa de garantir cotas que variavam entre 20 e 100 votos.
A prática, caso confirmada pelas autoridades, pode configurar uma rede organizada de apoio eleitoral baseada em pressão política e captação irregular de sufrágios. A suspeita se soma a outras denúncias sobre a atuação de máquinas regionais em áreas consideradas estratégicas para a disputa presidencial.
No Caribe colombiano, as acusações ganharam força com a denúncia penal apresentada em 10 de junho pelo advogado Miguel Ángel del Río ao ministério público. A ação pede investigação sobre uma rede de apoio eleitoral no departamento do Cesar que, segundo os documentos examinados pela Revista Raya, teria como objetivo beneficiar De la Espriella.
A denúncia cita o chamado clã Gnecco, grupo político influente na região. O departamento do Cesar é tratado nas apurações como uma zona decisiva para o resultado eleitoral, o que aumenta a relevância política das suspeitas.
A “mochila” e a compra de votos no Caribe
Os documentos entregues descrevem a utilização da “mochila”, modalidade histórica de corrupção eleitoral no Caribe colombiano. O mecanismo, segundo estudos acadêmicos citados na investigação, consiste no financiamento de estruturas locais para assegurar apoio nas urnas.
Nesse modelo, os chamados “mochileiros” atuariam como intermediários responsáveis por reunir blocos de 50 a 100 votos em troca de comissões por sufrágio. A prática, se comprovada, reforçaria a suspeita de uma operação sistemática de compra de votos em favor do candidato.
Miguel Ángel del Río também participou de entrevista para detalhar o impacto dessas estruturas organizadas e questionar a origem dos recursos usados na operação. O material fornecido, no entanto, não traz falas literais do advogado, motivo pelo qual suas declarações não são reproduzidas entre aspas.
Ameaças ao setor universitário elevam tensão política
A Señal Investigativa também expôs ameaças dirigidas ao setor acadêmico. Ao menos cinco instituições de ensino superior, públicas e privadas, teriam recebido e-mails atribuídos a uma conta supostamente ligada ao movimento Salvación Nacional.
As mensagens mencionavam uma “limpeza” universitária contra setores contrários às posições defendidas por De la Espriella. A denúncia aponta ainda a existência de grupos de WhatsApp formados por militares e policiais aposentados dedicados à disseminação de conteúdos audiovisuais com mensagens de ódio e medo.
Essas acusações ampliam a dimensão do escândalo porque deslocam o foco da disputa eleitoral para possíveis ameaças contra comunidades acadêmicas e opositores políticos. A combinação entre intimidação, desinformação e mobilização digital aparece como um dos eixos mais sensíveis da investigação.
Ligações com estruturas paramilitares
A aliança jornalística também recuperou um antecedente judicial envolvendo uma carta enviada pelo ex-chefe paramilitar Pablo Hernán Sierra, conhecido como “Pipintá”, à Comissão Interamericana de Direitos Humanos e à Comissão de Acusações da Câmara.
No documento, o ex-integrante do Bloco Central Bolívar implicou Abelardo de la Espriella como suposto elo em uma trama de 2006 para subornar magistrados do Tribunal Constitucional. O objetivo, segundo o relato, seria obter benefícios legais para as Autodefesas Unidas da Colômbia.
De acordo com o testemunho mencionado na reportagem, “Pipintá” afirmou ter tomado conhecimento desses fatos por meio de declarações de outros comandantes da organização armada. A denúncia resgatada pela investigação acrescenta um componente histórico e judicial ao atual debate sobre a campanha presidencial.
Petro denuncia financiamento externo de propaganda
Diante da repercussão das denúncias, o presidente Gustavo Petro se manifestou sobre o que classificou como propaganda enganosa e criminosa financiada a partir do exterior. Segundo ele, esse tipo de operação buscaria ocultar seus altos custos das contas formais da campanha de oposição.
Petro também defendeu a trajetória de Iván Cepeda. De acordo com o presidente, Cepeda não atuou como defensor de guerrilheiros, mas como investigador do assassinato de seu pai e como pacificador durante o governo de Juan Manuel Santos.
O presidente afirmou ainda que operações criminosas e informações falsas teriam origem em Miami, nos Estados Unidos, por meio de um fundo econômico criado naquela cidade. Segundo Petro, o prefeito de Medellín seria sócio desse mecanismo, que receberia contribuições de empresários colombianos e estrangeiros.
A denúncia presidencial associa o financiamento dessas ações à resistência de setores empresariais a melhorias nas condições de vida da população trabalhadora e pobre. As acusações, somadas às investigações jornalísticas e à denúncia penal já apresentada, colocam a campanha de Abelardo de la Espriella sob pressão em um momento decisivo da corrida presidencial colombiana.



