HOME > América Latina

Iván Cepeda denuncia candidato da extrema direita por vínculos com paramilitares

Às vésperas do segundo turno na Colômbia, candidato do Pacto Histórico acusa rival de crimes

Senador Iván Cepeda (Foto: Pátria Latina)
Selo Fonte Preferida no Google do Brasil 247

247 - O candidato presidencial colombiano Iván Cepeda, do Pacto Histórico, apresentou uma denúncia formal contra Abelardo De la Espriella, seu adversário no segundo turno, por supostos vínculos com estruturas das antigas Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC), em uma ação que envolve acusações de conspiração agravada para cometer crimes, financiamento do terrorismo e enriquecimento ilícito, segundo informações da teleSUR.

De acordo com a teleSUR, a denúncia foi encaminhada tanto à Procuradoria-Geral da República quanto ao Tribunal Penal Internacional, sob o argumento de que os fatos apontados teriam gravidade suficiente para serem tratados como crimes contra a humanidade.

A iniciativa jurídica foi anunciada em meio à reta final da campanha presidencial colombiana, poucos dias antes da votação marcada para 21 de junho. Cepeda e De la Espriella disputam o segundo turno em um cenário descrito como altamente polarizado, após os resultados eleitorais de 31 de maio.

Segundo o candidato do Pacto Histórico, as acusações se sustentam em informações relacionadas à atuação de organizações ligadas às extintas AUC e à suposta relação dessas estruturas com De la Espriella, candidato da extrema-direita colombiana.

Entre os pontos apresentados por Cepeda estão a seleção de candidatos ao Congresso com apoio do paramilitarismo, possíveis subornos em centros de detenção, acesso irregular a propriedades de chefes paramilitares condenados e uma alegada contribuição econômica para a nomeação irregular do ex-procurador-geral Mario Iguarán.

A denúncia também afirma que De la Espriella teria atuado como financiador e beneficiário de grupos paramilitares. Segundo Cepeda, depoimentos reunidos no caso indicariam ainda que o adversário poderia ter desempenhado papel de recrutador dessas estruturas no contexto das atividades da Fundação Iniciativas de Paz, uma ONG promovida, à época, por comandantes das AUC.

Diante das acusações, Cepeda cobrou a retomada imediata de investigações que, segundo ele, permaneceram paralisadas ou sem avanço adequado nas instâncias institucionais colombianas. O candidato também justificou o recurso à justiça internacional pela suposta falta de apuração histórica sobre os fatos apontados.

A ação penal aprofunda a tensão na disputa presidencial colombiana. A campanha ocorre em um ambiente de forte confronto político, no qual pesquisas de intenção de voto citadas pela reportagem indicam uma pequena vantagem para o candidato da direita depois da primeira rodada eleitoral.

Cepeda afirmou que a disputa pela Presidência representa uma batalha pela verdade e pela justiça social. O candidato do Pacto Histórico também defendeu que as maiorias populares rejeitem o retorno de setores associados à violência sistemática e à impunidade na Colômbia.

Nos dias anteriores, o presidenciável já havia denunciado uma campanha difamatória contra sua candidatura, baseada, segundo ele, na manipulação tecnológica por meio de vídeos falsos gerados por inteligência artificial. Cepeda criticou o uso de mentiras nas plataformas digitais e o clientelismo como instrumentos de disputa eleitoral, em vez de um debate público centrado em propostas políticas.

A denúncia contra De la Espriella ocorre em um momento decisivo para a Colômbia, com a campanha presidencial entrando em seus últimos dias sob novas acusações, disputas jurídicas e questionamentos sobre o papel de estruturas ligadas ao paramilitarismo no processo político do país.

Artigos Relacionados