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Cepeda denuncia ingerência de Trump na eleição da Colômbia após apoio a Abelardo de la Espriella

Candidato do Pacto Histórico afirma que respaldo do presidente dos EUA ao rival ultradireitista representa “grave risco para a soberania” colombiana

Cepeda denuncia ingerência de Trump na eleição da Colômbia após apoio a Abelardo de la Espriella (Foto: Reuters)
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247 – O candidato à Presidência da Colômbia pelo Pacto Histórico, Iván Cepeda, denunciou como “ingerencista” o apoio declarado do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao candidato ultradireitista Abelardo de la Espriella, seu adversário no segundo turno das eleições colombianas. A declaração foi feita em Bogotá, em meio ao acirramento da disputa presidencial no país.

Segundo a teleSUR, Cepeda afirmou que a manifestação pública de Trump em favor de De la Espriella representa uma ameaça direta à soberania colombiana. “O apoio aberto, e eu diria com tom ingerencista, que faz o presidente Donald Trump à candidatura de Abelardo de la Espriella (…) é um grave risco para a soberania e para a integridade do povo e da nação colombiana”, declarou o candidato do Pacto Histórico.

Cepeda acusa rival de buscar intervenção estrangeira

A crítica de Cepeda ocorre depois de Donald Trump tornar público, na segunda-feira, seu apoio a De la Espriella. O presidente dos Estados Unidos descreveu o candidato ultradireitista como um líder “inteligente, forte e decidido” e afirmou que, caso ele chegue à Presidência, promoveria crescimento econômico, geração de empregos, comércio, combate ao crime e ao narcotráfico, além da restauração da “lei e da ordem”.

Para Cepeda, o gesto de Trump não pode ser tratado como uma simples preferência política. O candidato do Pacto Histórico também criticou De la Espriella por, antes mesmo da declaração do presidente norte-americano, ter pedido intervenção nas eleições colombianas.

“Qualquer presidente do planeta e do nosso hemisfério pode ter predileções por esta ou aquela opção política que está sendo debatida na Colômbia, mas o que não pode ocorrer é que se façam ações de caráter apátrida por parte do senhor De la Espriella para buscar que seja por meio da intervenção de presidentes e governos estrangeiros que definamos nossa disputa eleitoral”, afirmou Cepeda.

O candidato governista reiterou que sua proposta política tem como eixo o respeito à vida e voltou a afirmar que Abelardo de la Espriella “representa um grave risco para a democracia”.

De la Espriella agradece apoio de Trump

Abelardo de la Espriella agradeceu a manifestação de Donald Trump e afirmou que Estados Unidos e Colômbia seriam “nações irmãs”. “Estados Unidos e Colômbia são nações irmãs, unidas pelo sangue de heróis e pelo destino comum de defender a civilização ocidental nestas terras das Américas. Juntos somos indestrutíveis”, declarou.

De la Espriella também defendeu o papel dos Estados Unidos na política de segurança colombiana. Segundo ele, “é fundamental entender que os Estados Unidos da América do Norte são determinantes para combater o crime, o narcoterrorismo e poder libertar a Colômbia, de uma vez por todas, de tanta dor e de tanta violência”.

Cepeda, por sua vez, tem argumentado que De la Espriella é um aliado do paramilitarismo na Colômbia, acusação que ele utiliza para reforçar sua crítica ao projeto político do adversário.

Deputada critica “produto prefabricado”

A representante à Câmara pelo Valle, Ana Erazo, também criticou a aproximação entre Trump e De la Espriella. Ela questionou o fato de o presidente dos Estados Unidos, que adotou políticas duras contra migrantes latino-americanos, apoiar agora um cidadão norte-americano que concorre à Presidência da Colômbia.

“Quem ia imaginar que o presidente dos Estados Unidos que mais atacou os latinos, que transformou o ICE em um símbolo de perseguição e assédio contra comunidades migrantes, que chantageou governos ao redor do mundo e que assumiu o papel de valentão da vizinhança por meio da imposição de tarifas e pressões econômicas, terminaria sendo hoje o aliado político de um cidadão estadounidense que aspira à Presidência da Colômbia?”, afirmou.

Erazo também disse que a candidatura de De la Espriella teria sido construída com forte componente de marketing político. “É evidente que este senhor, acompanhado de seus assessores estrangeiros e de uma estratégia cuidadosamente desenhada, é um produto prefabricado, artificial, falso, plástico e construído para o marketing político mais do que para responder às necessidades reais do país”, declarou.

Segundo a deputada, por trás da imagem do candidato há um projeto que ameaça a soberania nacional. “Por trás dessa imagem empacotada há uma visão de país que, longe de fortalecer nossa soberania, está mais interessada em colocar a Colômbia a serviço de interesses alheios aos da maioria dos colombianos”, afirmou.

Ela acrescentou que a Colômbia precisa de uma liderança autêntica, com critério próprio, “que defenda nossa soberania e nossos interesses”.

Cidadania norte-americana e financiamento republicano

De acordo com as informações divulgadas, Abelardo de la Espriella tornou-se cidadão dos Estados Unidos em fevereiro de 2023, depois de já viver e trabalhar por vários anos naquele país. Ele também financiou campanhas do Partido Republicano.

A plataforma colombiana La Silla Vacía publicou que, dos 95 mil dólares que o candidato aportou desde 2018 a campanhas do partido de Donald Trump, 92 mil dólares foram destinados diretamente à republicana María Elvira Salazar.

Apesar das relações cordiais com o presidente Gustavo Petro após uma visita, os Estados Unidos mantêm De la Espriella na chamada lista Clinton, mecanismo que impõe sanções financeiras por supostas relações com o narcotráfico e que, neste caso, segundo o texto da teleSUR, seria utilizado como castigo político.

Trump amplia apoio a candidatos de direita na América Latina

O apoio de Donald Trump a Abelardo de la Espriella ocorre em um contexto mais amplo de aproximação do presidente dos Estados Unidos com lideranças de direita e extrema direita na América Latina. A teleSUR menciona que Trump também apoiou Javier Milei, na Argentina, Nasry Afura, em Honduras, e Daniel Noboa, no Equador.

Na Colômbia, a declaração do presidente norte-americano elevou a tensão política antes do segundo turno. A primeira rodada das eleições presidenciais ocorreu em 31 de maio. Abelardo de la Espriella terminou em primeiro lugar, com 10.361.499 votos, equivalentes a 43,74% do total. Iván Cepeda ficou em segundo, com 9.688.361 votos, ou 40,90%.

O resultado de Cepeda foi apresentado como a maior votação já alcançada pela esquerda colombiana em uma primeira volta presidencial. A disputa agora se concentra no segundo turno, em meio ao debate sobre soberania, ingerência estrangeira, segurança, democracia e o futuro das relações entre Colômbia e Estados Unidos.

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