Petro reage a apoio de Trump à extrema-direita na Colômbia e convoca voto livre contra submissão externa
Presidente colombiano defende liberdade e soberania após Donald Trump declarar apoio ao ultradireitista Abelardo De La Espriella no segundo turno
247 – O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, reagiu à declaração de apoio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao candidato ultradireitista Abelardo De La Espriella, que disputará o segundo turno presidencial contra o senador de esquerda Iván Cepeda. Em mensagem de forte conteúdo político e histórico, Petro convocou os colombianos a votarem com liberdade e a rejeitarem qualquer forma de submissão externa.
A reação de Petro ocorreu após Trump declarar apoio público a De La Espriella, segundo informação publicada pela CNN Brasil. O presidente dos Estados Unidos afirmou que o resultado da eleição colombiana será importante para o futuro da Colômbia e para a relação do país com Washington, além de chamar o candidato ultradireitista de “líder inteligente, forte e determinado”.
Em resposta, Petro associou a disputa eleitoral ao princípio da soberania nacional. "Liberdade. Convido toda a Colômbia a votar em plena liberdade e a não nos tornarmos nem escravos nem colônia de ninguém", afirmou o presidente colombiano.
A declaração coloca no centro da campanha o debate sobre independência política, autodeterminação nacional e influência dos Estados Unidos na América Latina. Ao mencionar a possibilidade de a Colômbia se tornar “escrava” ou “colônia”, Petro buscou enquadrar o apoio de Trump a De La Espriella como um gesto de pressão externa sobre uma eleição decisiva para o país.
Petro invoca Bolívar e Nariño em defesa da soberania
Na mesma manifestação, Petro recorreu à memória histórica da independência latino-americana para defender que a Colômbia preserve sua liberdade política. O presidente colombiano citou Simón Bolívar e Antonio Nariño, dois nomes centrais das lutas de emancipação na região.
"Toda uma geração jovem de neogranadinos e neogranadinas lutou ao lado de Bolívar e Nariño para nos dar Liberdade e Soberania", declarou Petro.
A referência histórica amplia o alcance da resposta. Petro não tratou apenas da disputa entre De La Espriella e Iván Cepeda, mas apresentou o segundo turno como um momento de afirmação nacional diante de interesses estrangeiros. Ao resgatar a luta dos neogranadinos e neogranadinas, o presidente vinculou o voto colombiano à tradição de independência frente a potências externas.
A mensagem também reforça uma linha política recorrente no discurso de Petro: a defesa de uma América Latina soberana, capaz de decidir seus próprios caminhos sem tutela de Washington. Em um cenário de crescente polarização regional, a entrada explícita de Trump na eleição colombiana tende a intensificar esse debate.
Trump aposta em De La Espriella
Donald Trump declarou apoio a Abelardo De La Espriella em uma publicação na Truth Social. O presidente dos Estados Unidos disse que a eleição colombiana será determinante para a relação entre os dois países e formalizou seu respaldo ao candidato ultradireitista.
"Devido às suas enormes realizações na vida e ao seu apoio político pessoal, é uma honra conceder a Abelardo meu apoio total e irrestrito", afirmou Trump, segundo a CNN Brasil.
De La Espriella chegou ao segundo turno depois de liderar o primeiro turno com 43,74% dos votos. Iván Cepeda, candidato de esquerda, obteve 40,90%. A diferença entre os dois foi superior a 673 mil votos, em uma disputa marcada por forte polarização ideológica.
O candidato ultradireitista estruturou sua campanha para mobilizar o eleitorado conservador e confrontar o atual governo colombiano. Segundo as informações divulgadas, ele afirma ser o maior inimigo do comunismo, já moveu processos contra jornalistas e foi acusado de sexismo.
Eleição colombiana ganha dimensão internacional
O apoio de Trump transformou o segundo turno colombiano em uma disputa com peso internacional ainda maior. A Colômbia é historicamente um dos principais aliados dos Estados Unidos na América Latina, mas o governo Petro tem buscado afirmar uma política externa mais autônoma e crítica às formas tradicionais de dependência regional.
Ao reagir com a palavra “liberdade”, Petro procurou deslocar o foco do debate para a soberania popular. Sua mensagem sugere que a decisão sobre o futuro político da Colômbia deve caber exclusivamente aos colombianos, sem pressões externas ou condicionamentos impostos por potências estrangeiras.
"Se o coração do mundo perde sua liberdade e soberania, apaga-se a esperança do mundo e da Colômbia", afirmou o presidente colombiano.
A frase dá à reação de Petro um tom mais amplo, conectando a eleição colombiana à defesa da liberdade como valor universal. Para o presidente, a soberania colombiana não seria apenas uma questão nacional, mas parte de uma disputa maior sobre o direito dos povos a decidir seu próprio destino.
Segundo turno será em 21 de junho
O segundo turno da eleição presidencial colombiana está marcado para 21 de junho. Até lá, De La Espriella tentará consolidar a vantagem obtida no primeiro turno, agora com o apoio explícito de Donald Trump, enquanto Iván Cepeda buscará ampliar sua base eleitoral e conquistar setores que não votaram nele na primeira etapa.
A manifestação de Petro tende a intensificar o debate político nos próximos dias. De um lado, a direita colombiana poderá explorar o apoio de Trump como sinal de aproximação com Washington e de fortalecimento das relações com os Estados Unidos. De outro, o campo progressista deverá apresentar essa intervenção como evidência da necessidade de defender a soberania colombiana.
Com a resposta de Petro, a eleição passa a ser disputada também em torno de uma pergunta estratégica: a Colômbia seguirá um caminho de alinhamento estreito com os Estados Unidos ou reafirmará uma política de independência nacional e integração latino-americana?
A mensagem do presidente colombiano resume esse dilema em termos diretos: votar “em plena liberdade” e não aceitar que o país se transforme em “escravo” ou “colônia de ninguém”.


