Quem é Abelardo de la Espriella, o “Bukele colombiano” que vai ao segundo turno contra Iván Cepeda
O milionário promete gestão inspirada em Bukele na segurança pública e em Javier Milei na economia
247 - As eleições presidenciais da Colômbia ganharam um novo protagonista em 2026. O advogado e empresário Abelardo de la Espriella, de 47 anos, tornou-se uma das figuras centrais da disputa ao avançar para o segundo turno contra o senador de esquerda Iván Cepeda, aliado do presidente Gustavo Petro. Com um discurso de extrema-direita, forte apelo antissistema e promessas de endurecimento no combate ao crime, o candidato se apresenta como uma alternativa à política tradicional do país.
De la Espriella conquistou espaço no cenário político colombiano após uma trajetória marcada pela atuação na advocacia e pela defesa de personalidades conhecidas, incluindo empresários, atletas e figuras envolvidas em casos de grande repercussão nacional.
Conhecido pelo apelido de “El Tigre”, adotado durante a campanha, o candidato disputa pela primeira vez um cargo eletivo. Admirador do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, além de citar como referências o presidente argentino Javier Milei e o presidente salvadorenho Nayib Bukele, ele defende uma gestão inspirada no setor privado.
“Eu não sou um vendedor de ilusões, sou um empresário de realidades”, afirmou durante a campanha. Em outra declaração, explicou sua visão para o governo: “que a empresa mais importante do país, que é o Estado, seja gerida por pessoas que na vida criaram riqueza”.
Discurso de segurança e combate ao crime
Uma das principais bandeiras de De la Espriella é o endurecimento das políticas de segurança pública. O candidato promete ações rigorosas contra organizações criminosas em um país que continua enfrentando desafios relacionados ao narcotráfico e à violência armada.
“Tenho os culhões” para governar com “mão de ferro”, declarou ao defender sua capacidade de enfrentar o crime organizado.
Entre suas propostas estão a ampliação da cooperação militar com Estados Unidos e Israel, a defesa do porte de armas e a construção de grandes complexos penitenciários. Segundo o candidato, os presídios deveriam ser construídos em estruturas subterrâneas para isolar criminosos de alta periculosidade.
Durante a campanha, De la Espriella também afirmou: “No meu governo, bandido que não se submeter (à Justiça) será eliminado”.
Outra proposta defendida por ele é a extinção do tribunal criado a partir do acordo de paz firmado em 2016 entre o governo colombiano e a antiga guerrilha das Farc, responsável por julgar crimes cometidos durante décadas de conflito armado.
Fortuna, redes sociais e estilo de vida
Antes de ingressar na política, o advogado já era conhecido por exibir uma rotina de luxo nas redes sociais. Viagens em aviões particulares, roupas de alfaiataria, acessórios sofisticados e empreendimentos próprios ajudaram a construir sua imagem pública.
Além da atuação jurídica, ele investe em negócios ligados ao mercado de bebidas e possui uma marca de roupas chamada “De la Espriella Style”. Nas plataformas digitais, frequentemente utiliza recursos de inteligência artificial para associar sua imagem à figura de um tigre, reforçando a identidade criada para a campanha.
Apesar da popularidade, o candidato também enfrentou questionamentos sobre a origem de sua fortuna e foi alvo de críticas por declarações consideradas machistas e homofóbicas por adversários e setores da sociedade.
Distanciamento da direita tradicional
Embora seja identificado com pautas conservadoras, De la Espriella buscou se apresentar como um nome independente da direita tradicional colombiana. Durante boa parte da campanha, manteve distância do grupo político liderado pelo ex-presidente Álvaro Uribe, uma das figuras mais influentes da política nacional.
Ainda assim, o advogado já declarou ter uma relação próxima com o ex-mandatário. Em fevereiro, afirmou possuir “uma grande amizade” com Uribe e disse conversar com ele “quase todos os dias”.
A estratégia de diferenciação permitiu ao candidato atrair eleitores insatisfeitos tanto com o governo de Gustavo Petro quanto com os setores tradicionais da oposição.
Religião e proposta de “contrarrevolução cultural”
Outro aspecto central da campanha é a defesa de valores religiosos. De la Espriella afirma ter passado por uma transformação espiritual após um período em que se considerava ateu.
Em entrevistas, o candidato declarou que pretende promover uma “contrarrevolução cultural” contra ideias associadas à esquerda. Segundo ele, o objetivo é fazer com que a Colômbia possa “regressar a Deus”.
Praticante da fé judaico-cristã, ele também costuma destacar suas origens na região do Caribe colombiano. Em uma de suas declarações, afirmou carregar “a cor do Caribe”, onde cresceu “no estilo de Tom Sawyer”, pescando e brincando no campo.
Declarações polêmicas marcaram trajetória
A comunicação direta e frequentemente provocativa tornou-se uma das marcas registradas do candidato, mas também gerou controvérsias.
Em uma ocasião, declarou que seria necessário “esganar” a esquerda na Colômbia. Posteriormente, pediu desculpas pela afirmação.
Outra polêmica surgiu quando relatou, em entrevista, episódios da juventude envolvendo gatos e artefatos com pólvora. Após a repercussão negativa, afirmou que se tratava de uma brincadeira.
Agora, após avançar para o segundo turno, Abelardo de la Espriella tenta transformar sua notoriedade e seu discurso de combate à criminalidade em apoio eleitoral suficiente para chegar à Presidência da Colômbia em uma disputa decisiva contra Iván Cepeda.



